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quinta-feira, 30 de abril de 2009

O IMPROVÁVEL O'SHEA


Um golo apenas foi marcado na primeira-mão dos jogos das meias-finais da Champions. Em 180 minutos de futebol, protagonizados por quatro das melhores equipas do mundo, só por uma vez se sentiu a alegria do golo. O defesa irlandês O'Shea foi o autor da proeza! Ironicamente, com uma infinidade de estrelas cintilantes sobre os míticos relvados de Camp Nou e Old Trafford, acabou por ser o pior jogador de todos os que actuaram (sim, estive a ver um a um e não há pior que O'Shea...) a alcançar o objectivo supremo de um jogo de futebol. Cristiano Ronaldo, Messi, Lampard, Henry, Xavi, Rooney, Iniesta, Eto'o, Fabregas, Drogba ou Adebayor estiveram em campo? Deixem lá isso, o O'Shea resolve!

Estas 'meias' eram aguardadas com enorme expectativa por toda a gente que gosta de futebol. Quatro equipas fortíssimas, apologistas do futebol de ataque, faziam antever duelos emocionantes e de grande espectáculo. Jogada a primeira metade da eliminatória, tal expectativa saiu completamente defraudada, não só pelo mísero golo marcado, mas também porque os encontros não se desenrolaram com o equilíbrio e a competitividade desejáveis. Em Barcelona, só os catalães, embora sem muito engenho, procuraram atacar e ganhar o jogo. O Chelsea foi para defender e estacionou o 'autocarro' no seu meio-campo defensivo, acreditando que conseguirá resolver a questão em sua casa. Em Manchester, o Arsenal praticamente não existiu ofensivamente. O 1-0 é demasiado curto para o domínio avassalador do United e para as inúmeras oportunidades que desperdiçou.

O Barcelona tem exibido ao longo desta temporada o melhor futebol da Europa. Arrisco mesmo a dizer que desde que acompanho este fenómeno com consciência - 1992, 1993, por aí... -, este Barça de Guardiola é o conjunto que melhor futebol vi praticar. Interpreta quase na perfeição os diferentes momentos do jogo. É uma equipa que tem uma obcessão incessante pela posse de bola, procurando passar o maior tempo possível em organização ofensiva e o menor tempo possível em organização defensiva. A atacar, privilegia o jogo de passes e apoios constantes, a dinâmica de todos os jogadores e a procura da melhor decisão em cada lance. A defender, pressiona o adversário em zonas altas e de forma intensa, tentando recuperar a bola o mais rápido possível, além de raramente se desequilibrar ou desposicionar. Consegue igualmente ser muito eficaz nas transições ofensivas rápidas, bem como na transposição para a defesa quando perde o esférico. É um verdadeiro harmónio. Depois, a qualidade individual dos jogadores encarrega-se de dar corpo à ideia de jogo de Guardiola - tenho uma camisola do Barcelona com o seu nome, porque o admirava profundamente enquanto jogador, admiração essa que tem vindo a aumentar ainda mais, por ter sabido transportar a sua filosofia como jogador para a forma de pensar enquanto treinador.

Por estas razões, não sou dos que censuram a postura ultra-defensiva do Chelsea na Cidade Condal. Guus Hiddink percebeu que dificilmente não perderia o jogo se tentasse jogar taco-a-taco e limitou-se a apostar numa estratégia que, à partida, lhe garantia maiores probabilidades de obter um resultado positivo. Não critico. O nulo observado veio ainda mostrar que, apesar da excelência do futebol 'blaugrana', contra equipas muito compactas defensivamente, que sabem ocupar os espaços racionalmente e pressionam fortemente (ainda que em terrenos recuados) no sentido de contrariar o seu jogo fluído habitual, este Barça também sente dificuldades. Muitos dirão que unidades como Messi, Henry, Eto'o ou Xavi não estiveram particularmente inspirados. Nada disso. O colectivo londrino, muito defensivo, é certo, mas organizado, é que não os deixou produzir aquilo que produziram na maioria dos jogos desta época. Há uma velha máxima do futebol que também se aplica a este fantástico Barcelona: uma equipa joga aquilo que a outra deixa jogar. E a verdade é que o Chelsea conseguiu parar o futebol envolvente do Barça, merecendo crédito por isso. Aceitam-se críticas à estratégia escolhida, mas não à forma competente como foi interpretado o que Hiddink delineou. Ainda assim, a postura dos 'blues' em Stamford Bridge terá de ser diferente, mais acutilante e ambiciosa, o que poderá favorecer Messi e companhia. Acredito que o Barcelona passará à final de Roma.

No Man.United-Arsenal, a vantagem mínima é, como disse, muito escassa para a diferença de produção entre as duas equipas. Tendo em conta as oportunidades de golo que os 'red devils' criaram, uma das quais numa 'bomba' de Ronaldo à trave, o mais justo seria uma vitória por uma margem bem mais folgada. Não esperava uma estratégia tão cautelosa por parte de Wenger e nem se pode dizer que os seus pupilos foram competentes na sua execução, pois foram inúmeras as ocasiões que concederam ao United e houve períodos em que foram autenticamente massacrados junto da sua área (coisa que o Chelsea não foi em Barcelona). No entanto, acabaram por ser felizes e conseguiram manter esperanças na qualificação para a segunda-mão.

O Manchester United deu, mais uma vez, uma demonstração de grande poderio e fez jús à sua condição de campeão europeu e mundial. Julgo que passará à final, com maior ou menor dificuldade; a sua superioridade face ao Arsenal é evidente. Até por isso o recente desempenho do FC Porto diante da turma de Alex Ferguson, em que quase repetiu a 'gracinha' de 2004, merece ser realçado na medida apropriada, principalmente pelos muitos anti-portistas primários existentes neste país, bem como por aqueles que sempre acharam Jesualdo Ferreira fraquinho. De facto, o FC Porto é grande demais para este futebol português e, realmente, o técnico portista, nestes três anos que leva no Dragão, tem demonstrado que é fraquinho, muito fraquinho...

Que venha uma final Barcelona-Manchester United e, aí, que seja Ronaldo a confortar Messi...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A GOLEADA PERDIDA


ATLÉTICO MADRID - FC PORTO 2 - 2
Liga dos Campeões 2008-09 (1/8 Final)
24 de Fevereiro de 2009
Estádio Vicente Calderón (Madrid)
Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Atlético Madrid: Léo Franco; Seitaridis, Pablo, Ujfalusi, António Lopez; Maxi Rodríguez (Miguel 80'), Paulo Assunção, Raúl Garcia (Maniche 67'), Simão; Aguero (Sinama-Pongolle 56'), Forlán. Tr: Abel Resino
FC Porto: Helton; Sapunaru (Pedro Emanuel 79'), Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Tomás Costa 90'), Lucho González; Lisandro (Tarik 90'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Ao intervalo: 2 - 1
Marcadores: 1 - 0 Maxi Rodríguez 3', 1 - 1 Lisandro 22', 2 - 1 Forlán 45', 2 - 2 Lisandro 72'
CA: Raúl Garcia 24', Sapunaru 27', Lisandro 60', Paulo Assunção 74'


Empate amargo para o FC Porto. Mesmo sabendo que empatar fora, com golos, numa eliminatória da Champions é um resultado positivo, o FC Porto fica a dever a si próprio e a alguns azares, uma vitória na capital espanhola, por números bem expressivos até. Os portistas vulgarizaram o Atlético Madrid e só a falta de eficácia na finalização e a arbitragem caseira impediram o sentenciar, desde já, da eliminatória. Ficou demonstrado que, ao contrário do que havia declarado Paulo Assunção antes do encontro, o FC Porto é, nesta altura, uma equipa muito superior ao Atlético. A forma personalizada e inteligente como se exibiu no Vicente Calderón não foi por acaso.

O FC Porto controlou a quase totalidade do jogo, criou imensas oportunidades claras de golo (muito mais que o adversário) e denotou maior agressividade, objectividade e lucidez. Soube sempre o que tinha de fazer para levar o perigo à baliza madrilena. Tivesse existido maior frieza na hora de definir as jogadas e poderíamos estar perante um desfecho humilhante para o Atlético, tantas foram as vezes em que o trio ofensivo azul e branco lançou o pânico na defensiva caseira. Este FC Porto está efectivamente talhado para os jogos mais difíceis, onde não tem de assumir o jogo abertamente e em que o adversário lhe concede os espaços necessários para que o futebol explosivo de transições fortes possa surtir o efeito pretendido. Rodríguez e Hulk estiveram particularmente inspirados e foram duas setas apontadas à baliza de Léo Franco. Lucho foi o patrão do meio-campo, com a sua habitual mestria na hora de decidir o caminho a seguir, especialmente durante a primeira parte.

O plano de jogo definido por Jesualdo Ferreira apontava claramente para o triunfo e o desempenho da equipa justificava amplamente tal desiderato. No entanto, estava escrito que este seria um jogo marcado por inúmeras adversidades e que só com muita cabeça e um espírito de grupo muito forte se conseguiria evitar uma injusta derrota. Há muito tempo que não sentia tanto nervosismo a ver um jogo de futebol. A Champions é um mundo à parte, estes jogos têm uma carga completamente diferente dos compromissos internos e ver a equipa a jogar melhor, a merecer golear e a perder, contra uma equipa inferior, com golos falhados em catadupa, uma arbitragem tendenciosa e o 'frango' de Helton em cima do intervalo, estava a deixar-me fora de mim.

Logo aos 2 minutos, o FC Porto mostrou ao que ía: arrancada demolidora de Hulk (é um fenómeno este brasileiro, mas ainda há gente que acha que ele é tudo menos jogador de futebol!), passe para Rodríguez que, já dentro da pequena área, em vez de assistir Meireles para um golo fácil, rematou contra um defesa espanhol. Estava dado o sinal. Só que na primeira vez que chegam à baliza, os 'colchoneros' inauguram o marcador por Maxi Rodríguez, num lance em que Cissokho não efectuou a cobertura ao argentino como devia. Sem nada ter feito por isso, o Atlético colocava-se em vantagem.

O FC Porto, porém, não se ressentiu e a reacção foi enérgica. Hulk foi a principal ameaça nesta fase para os espanhóis que não tinham antídoto para travar alguns piques avassaladores do '12' portista. Forlán ainda teve nos pés o segundo golo (boa defesa de Helton), mas o FC Porto estava a carregar e deliberadamente à procura do empate. Empate esse que foi alcançado aos 18 minutos de forma legal, por Lisandro, mas o árbitro anulou o lance por fora-de-jogo inexistente. Sobre isto, queria manifestar o meu repúdio pelo facto de o narrador da RTP não saber sequer o que é um fora-de-jogo, pois dizer que o lance é bem anulado, por Lisandro estar adiantado em relação ao penúltimo homem do Atlético, mas esquecendo-se que estava em linha com a bola, é surreal para um jornalista desportivo. Sim, depois lá lhe disseram as regras e emendou a mão, mas a incompetência (ou será outra coisa?) estava demonstrada. É este o serviço público que temos.

Mas o golo não tardaria. Após uma falha de Raúl Garcia, Lisandro surge isolado face a Léo Franco e atira a contar, minorando a injustiça que o resultado continha. O FC Porto continuou a dominar as operações e pressentia-se que a qualquer momento poderia passar para a frente. Lisandro teve uma oportunidade flagrante, após excelente jogada de Rodríguez, mas não conseguiu manter o acerto na finalização, permitindo a defesa do guarda-redes. A seguir, foi Hulk que, isolado por uma assistência primorosa de Meireles, permitiu nova intervenção providencial de Léo Franco. O FC Porto já ía justificando a reviravolta, numa partida que mantinha um ritmo elevado. Hulk e Rodríguez continuavam a deixar os adeptos madrilenos apreensivos com as suas 'explosões'. Aos 42 minutos, novamente o 'Incrível' a passar pelo opositor com facilidade e a disparar para a baliza, mas a bola sai a rasar o poste, sem que Lisandro e Rodríguez conseguissem desviar.

A felicidade não quis mesmo nada com os portistas. Neste contexto, o golo de Fórlan, num 'frango' ridículo de Helton (Fernando também não está isento de culpas, pela passividade que mostrou perante a incursão do avançado uruguaio), foi o culminar de uns primeiros 45 minutos do mais inglórios que já vi. Este tipo de erros acontece a todos os guardiões, mesmo aos melhores, mas foi a segunda vez que o brasileiro comprometeu seriamente a equipa num jogo da Champions e tenho dúvidas se terá estaleca para jogar a um nível tão alto. Não escondo que tive um ataque de fúria assim que vi aquela bola a entrar por entre as suas mãos. Ir a perder para o descanso, quando o resultado mais ajustado seria à vontade uns 3 golos de vantagem, era difícil de aceitar.

Na segunda parte, embora o FC Porto não tenha exibido uma supremacia tão evidente, mais do mesmo: FC Porto à procura da igualdade e a falhar oportunidades. Lisandro esteve perto do golo por duas vezes, numa das quais falhando de forma escandalosa, após assistência de Rodríguez que o deixou na cara de Léo Franco. O FC Porto exercia forte pressão e a defesa caseira tremia por todos os lados. Um remate do meio da rua de Raúl Garcia mostrou que o Atlético ainda poderia ser perigoso, mas era ponto assente que os portistas só descansariam quando conseguissem empatar. E conseguiu-o, aos 72 minutos, numa finalização oportuna do inevitável Lisandro, respondendo a um cruzamento bem medido de Cissokho. Gostei de ver os abraços a Helton nos festejos feste golo. É também deste companheirismo que se fazem os campeões.

O jogo tornou-se mais previsível a partir desta altura e com mais incidência sobre o miolo do terreno, com um natural e ligeiro ascendente do Atlético. Simão, Fórlan e Sinama-Pongolle - entretanto entrado - ainda causaram algum perigo, mas a verdade é que nunca houve muito engenho dos comandados de Abel Resino para ultrapassar a equipa portista. O apito final era uma questão de tempo.

O FC Porto deu uma demonstração de força e personalidade. Pode causar alguns estragos nesta competição, com a sua forma de jogar directa e explosiva. É um regalo ver a excelência de algumas transições ofensivas, ainda que neste jogo os erros defensivos primários do Atlético e a rigidez do seu 4-4-2 clássico, que proporciona muitos espaços sempre que o bloco não se posiciona atrás, também tenham ajudado o FC Porto a superiorizar-se em jogo jogado. A exploração das costas dos defesas contrários foi uma constante. No entanto, acho o FC Porto muito passivo quando perde a bola, concede demasiado espaço, não pressiona convenientemente o portador da bola, deixando a equipa adversária avançar no terreno sem grande oposição. Penso que este deveria ser um aspecto a corrigir. De resto, em organização ofensiva, até gostei do jogo de posse de bola que os portistas conseguiram praticar, algo que não é, como se sabe, um dos seus maiores predicados.

Individualmente, acho que Rodríguez foi o melhor jogador em campo. Colocou a cabeça em àgua a Seitaridis com as suas infindáveis arrancadas e foi sempre um dos mais inconformados. Grande jogo do 'Cebola'. Helton esteve sempre seguro, mas aquela falha patética, a fazer lembrar o jogo com o Chelsea há duas temporadas, manchou a sua exibição. Sapunaru fez um jogo medíocre, é fraco e não tem lugar na equipa - foi pena Fucile ter tido problemas físicos que o impossibilitaram de actuar. Cissokho esteve intermitente, tendo feito coisas boas e outras menos boas. Os centrais estiveram em bom plano, dominando o espaço aéreo e revelando sempre concentração máxima. Fernando, à excepção da abordagem ao lance do segundo golo do Atlético, teve um bom desempenho. Meireles fez um jogo fantástico, defendeu e atacou com igual eficácia, valendo-se da sua cultura táctica e capacidade de passe. Lucho foi o cérebro da equipa, na primeira parte esteve soberbo, tendo caído um pouco na segunda, mas ainda a tempo de fazer uma maldade a Ujfalusi. Lisandro falhou golos que não se podem falhar, mas marcou por duas vezes e movimentou-se muito e bem, participando quase sempre assertivamente nos lances de ataque e ajudando a defender com a sua habitual abnegação. Hulk foi enorme! Quando embala torna-se quase imparável. Desequilibrou por diversas vezes a defesa 'colchonera', servindo-se da sua velocidade e potência para deixar adversários por terra. Foi dos melhores, esteve sempre em jogo e foi dos que mais contribuíram para colocar o Atlético em permanente sobressalto. Mas já li nessa blogosfera que passou ao lado do jogo... Deve ser ainda o efeito do álcool da noite carnavalesca!

O FC Porto tem tudo para passar aos quartos-de-final. É superior, está em vantagem e joga a segunda mão no Dragão perante os seus adeptos, além de que Howard Webb não será o árbitro... Será que à terceira será de vez?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

TRANQUILO


Está carimbado o primeiro lugar do grupo A da Liga dos Campeões e com ele a passagem aos oitavos-de-final da prova. O FC Porto espera agora por um dos segundos classificados dos restantes grupos. Não estando ainda tudo definido, é certo que, deste modo, se evitam alguns colossos europeus como Chelsea, Real Madrid, Milan, Barcelona, Manchester United e Inter. Por aqui se vê a importância da vitória (2 - 0) alcançada, no Dragão, sobre os turcos do Besiktas.
Os 'dragões' triunfaram de forma tranquila, sem grande brilhantismo, mas com muita segurança e personalidade. Jogaram de forma adulta, sabendo claramente o que o jogo lhes pedia e quais as melhores respostas a dar em cada momento. A noção exacta da sua superioridade sobre o opositor permitiu ao FC Porto actuar de forma descomplexada, algo que se consegue somente quando se atinge um determinado nível de maturidade e qualidade. O processo de evolução programado por Jesualdo Ferreira desde que chegou ao clube prossegue no seu caminho e os resultados alcançados - factor mais importante no futebol de alta competição - estão bem à vista de todos.

A primeira parte portista foi apenas q.b.. O Besiktas pouco ou nada fez em termos atacantes, mas a verdade é que provocou enormes problemas ao desenvolvimento do futebol azul e branco. Denotou boa organização colectiva, preencheu bem os espaços, exerceu bastante pressão sobre o portador da bola, logo a partir da zona de Paulo Assunção e, com isso, dificultou enormemente a construção de jogo portista. A habitual velocidade nas trocas de bola, o futebol apoiado e a mecanização entre Lucho e Meireles e os extremos (um dos princípois de jogo mais importantes da formação de Jesualdo) não funcionou na plenitude. Por outro lado, a pressão no sector intermediário foi feita de forma pouco intensa e agressiva, o que permitiu aos turcos queimar alguns minutos circulando a bola no meio terreno portista, embora sem importunar Helton de forma preocupante.

O jogo pouco inspirado do FC Porto não o impediu, contudo, de criar algumas jogadas de perigo para Rustu. Inclusivé Lisandro marcou um bom golo de cabeça, mas o lance havia sido erradamente interrompido, por fora-de-jogo inexistente. Já com o intervalo no horizonte, o golo de Lucho González, após uma paragem cerebral quase colectiva do Besiktas, veio repôr a ordem natural das coisas, uma vez que, não obstante a produção mediana realizada pelos 'dragões', foi o suficiente para fazer do 1 - 0 um resultado justificado.

Impulsionado pela vantagem, o FC Porto realizou uma segunda parte mais concordante com a sua valia, ao mesmo tempo que ficava patente a falta de soluções do adversário para alterar o curso da partida. A precisar de uma vitória, Tello e companhia subiram um pouco o seu bloco, mas faltava arte e imaginação para lograr algo de importante. O espaço nas costas para ser explorado pelos portistas aumentou exponencialmente, o que somado às famosas transições ofensivas rápidas, quase sempre com Lucho como motor, fazia adivinhar o dilatar da contagem. O golo de Quaresma, após assistência de Lisandro, não fez mais que confirmar essa tendência.

Até ao final o FC Porto deteve absoluto domínio e controlo do encontro. Por entre mais uma ou outra oportunidade, a ordem era mesmo manter a concentração, circular a bola e esperar pelo apito final. A gestão do esforço começou a ser feita ainda antes do jogo terminar, nela se enquadrando as substituições operadas por Jesualdo Ferreira. No FC Porto há um método bem consolidado de fazer as coisas e isso percebe-se.

Individualmente, houve algumas actuações bastante positivas:
- Bosingwa: sem grandes problemas a nível defensivo, integrou sempre correctamente a manobra atacante, usando a sua velocidade e fazendo diversos cruzamentos. Teve mesmo o golo nos pés ainda na primeira parte, mas Rustu fez uma bela defesa.
- Pedro Emanuel e Bruno Alves: jogo muito seguro da dupla de centrais. Emanuel foi o patrão e a sua experiência e voz de comando faz o seu parceiro parecer mais pequenino. Alves também esteve em bom plano, jogando de forma simples como se impõe, e sobressaindo em alguns cortes oportunos.
- Paulo Assunção: no segundo tempo teve duas hesitações, com perda de bola, nada normais no brasileiro. Fora isso, foi o pêndulo que todos conhecemos, sendo dos elementos mais importantes no equilíbrio colectivo. Posicionalmente, é um jogador impressionante, está sempre onde tem que estar no momento certo.
- Lucho González: a sua movimentação no meio-campo e a classe e categoria que garante são imprescindíveis nesta equipa. Revelou-se bem combativo (algo que nem sempre sucede) e, ha hora de organizar e lançar o ataque, foi o mestre. Na retina, ficou-me um passe que isolou Lisandro já na segunda parte, concluindo com um simples toque a transição ofensiva dessa jogada. E claro o golo inaugural que marcou foi um ponto mais a seu favor.
- Quaresma: manteve a bitola elevada demontrada de há uns jogos para cá. Melhor na segunda metade que na primeira, esteve sempre muito interventivo, conduzindo inúmeros ataques pelas alas. A maneira elegante como concluiu o lance do segundo tento, foi a melhor forma de agradecer a assistência de Lisandro.
- Tarik: decididamente, com confiança, este marroquino é outro jogador. Óptima exibição, com alguns lances de pura criatividade e um magnífico remate em arco que merecia golo. Foi o melhor da primeira parte. Após o descanso, o cansaço começou a fazer-se sentir e acabou substituído, não sem antes exibir mais alguns bons apontamentos.

Foi uma vitória tranquila, natural e justa da melhor equipa sobre o terreno. O FC Porto mostra que é uma equipa com qualidade suficiente para estar na alta roda do futebol europeu, deixando atrás de si o Liverpool, que foi golear fora o Marselha por 4 - 0! Tem agora os oitavos-de-final para jogar com um dos segundos e, se conseguir passar, nunca se sabe o que poderá acontecer, sabendo à partida que há equipas muito mais fortes em competição. Estou com uma fezada que o Schalke 04 será o senhor que se segue. E que bonito seria voltar a Gelsenkirchen...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

À PORTA DOS 'OITAVOS'


Já não ía ao Dragão há algum tempo, precisamente desde o jogo de apresentação desta temporada, frente ao Mónaco. Ontem voltei a fazê-lo, curiosamente em mais um jogo com franceses. Com a vitória (2 - 1) alcançada frente ao Marselha, o FC Porto deu um passo de gigante rumo à qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E mais do que isso, tem tudo para ser primeiro, o que, olhando para o que se vai passando nos outros grupos, pode ser importante. O FC Porto continua, sem surpresa, a ser o único clube português a fazer alguma coisa de jeito nas provas internacionais. É pena. O futebol nacional precisa que outros clubes remem no mesmo sentido, façam qualquer coisa de positivo, amealhem pontos para o nosso ranking da UEFA.

Do jogo propriamente dito não gostei. O FC Porto nunca teve a atitude autoritária que se impunha perante uma equipa que anda pelas ruas da amargura na liga gaulesa. Quando teve a bola, revelou imensos problemas na construção de jogo. Quando a não teve, deixou jogar, não foi agressivo na recuperação do esférico, não preencheu os espaços de forma harmoniosa.

É verdade que Lucho fez muita falta, mais a mais numa altura em que está em clara ascenção. Mas tinha que ser Cech o substituto? Alguém me explica que predicados tem este eslovaco para ser um médio do FC Porto num jogo da Champions? Alternativas? Eu sei que Leandro Lima, Mariano González ou Kazmierczak ainda pouco mostraram. Ou que Bolatti, junto de Paulo Assunção, era capaz de ser contenção demasiada. Ou que Postiga a fazer de '10' podia ser uma opção arriscada (não pelo que o Marselha pudesse fazer, mas por que com Postiga nunca se sabe muito bem...). Agora o Cech... O rapaz não sabe criar absolutamente nada, não assume o jogo, falha passes a torto e a direito, sob pressão perde clarividência. Ok, ele é defesa-esquerdo, não tem culpa de não ter qualidade para jogar a médio, culpa tem quem o colocou nessa posição.

O FC Porto foi quase sempre uma equipa desligada, não praticou um futebol envolvente, mostrou poucas soluções para contrariar um Marselha bem estendido no campo e quase sempre mais rápido sobre a bola. A capacidade de pressão foi nula durante largo tempo e o resultado foram inúmeras trocas de bola dos franceses nas imediações da área portista, embora sem nunca importunarem Helton de forma preocupante. Raúl Meireles fez um jogo mediano, foi pouco dinâmico, quer no papel defensivo, quer ofensivo. Paulo Assunção foi, na minha opinião, o melhor jogador em campo. Com um sentido posicional soberbo e sempre intenso nas movimentações, provocou infinitas vezes a inflexão do sentido da bola. Foi uma das chaves do sucesso.

Na defesa, Bruno Alves foi o único com uma actuação positiva. Intratável em todos os lances, pelo ar ou pelo chão, começa a fazer da regularidade a sua imagem de marca. De resto, o panorama foi fraquinho. Stepanov deixou-se antecipar no golo de Niang e teve ainda duas ou três hesitações pouco recomendáveis, além de um ou dois alívios para a bancada completamente desnecessários. É um belo central, mas denotou uma certa intranquilidade neste jogo. Bosingwa e Fucile pura e simplesmente não existiram ofensivamente e, a nível defensivo, não tiveram a solidez que se lhes exige, particularmente o uruguaio.

Lá na frente, Quaresma esteve horrível. Está a atravessar um mau momento, em que praticamente nada lhe sai bem. Perdeu praticamente todas as bolas que recebeu, quanto mais o assobiaram, mais individualista se tornou, mais bolas perdeu. Depois, aquela atitude aparentemente desinteressada do jogo, é algo que me desagrada profundamente. Deve esforçar-se mais, lutar mais, correr mais. Atenção que ele é o melhor jogador do FC Porto, admiro o seu talento sublime e foi graças a um cruzamento seu que Lisandro deu a vitória aos 42.217 espectadores presentes. Contudo, tenho a certeza que com uma mentalidade mais adulta e consciente, o 'Cigano' poderia ser ainda melhor, pertencer à elite restrita dos melhores do mundo. O já citado Lisandro foi o costume. Além do fantástico golo que marcou e da bola que enviou à barra, foi o jogador que mais correu na frente de ataque azul e branca e que mais trabalho deu aos defesas adversários. Procurou sempre os espaços, percorreu toda a largura do campo, pressionou a defesa francesa, denotou qualidade com bola. Absolutamente decisivo. Que grande jogador! Era esta a mentalidade que queria ver em Quaresma... Do Tarik, que posso dizer depois de um golo daqueles? Lembrei-me do Messi no momento dos festejos dessa autêntica obra prima. No resto do jogo, esteve sempre bastante activo e inspirado, as acções individuais saíram-lhe bem, teve bons pormenores e saiu do relvado debaixo de uma estrondosa e merecida ovação. Defendi a sua permanência no plantel face à escassez de extremos e, apesar de não ser grande fã do marroquino, tiro-lhe o meu chapéu. Enquanto jogar assim, e estou aqui a descontar o golo, terá o meu apoio.

Postiga foi muito importante na viragem do jogo e no assédio portista a partir do 1 - 1. Trouxe vivacidade e qualidade no contacto com a bola. Aqueles pés são perfumados, movimenta-se bem, participa no jogo colectivo. Quem me conhece sabe que nutro especial admiração por Hélder Postiga. Mas falta-lhe algo para poder chegar ao topo. Oxalá não estejamos perante mais uma daquelas típicas promessas eternamente adiadas. Bolatti foi igualmente relevante, na medida em que deu mais equilíbrio a um sector onde Meireles se mostrava claramente deficitário.

Jesualdo Ferreira parece-me que errou ao colocar Cech como titular do meio-campo e terá pecado pela demora em reagir aos acontecimentos nada animadores. Cedo se percebeu que a equipa não estava a funcionar colectivamente e havia que se proceder a modificações. Não deixa, porém, de ser verdade que quando agiu, fê-lo de forma acertada, o que mudou o rumo do jogo e permitiu ao FC Porto conquistar três pontos providenciais. Vitória sofrida mas justa.

Estou confiante no apuramento e até na manutenção do primeiro lugar do grupo. O FC Porto continua sem deslumbrar, é certo. Mas segue na frente da liga portuguesa e prova-se a cada dia que é a única equipa lusa com verdadeira dimensão europeia.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

SORTEIO DA LIGA DOS CAMPEÕES 2007-08


GRUPO A:
Liverpool, FC Porto, Marselha, Besiktas

GRUPO B:
Chelsea, Valência, Schalke 04, Rosenborg

GRUPO C:
Real Madrid, Werder Bremen, Lázio, Olympiakos

GRUPO D:
Milan, Benfica, Celtic, Shakhtar Donetsk

GRUPO E:
Barcelona, Lyon, Estugarda, Glasgow Rangers

GRUPO F:
Manchester United, Roma, Sporting, Dínamo Kiev

GRUPO G:
Inter, PSV Eindhoven, CSKA Moscovo, Fenerbahçe

GRUPO H:
Arsenal, Sevilha, Steaua Bucareste, Slávia Praga


1ª Jornada:
FC Porto - Liverpool
Milan - Benfica
Sporting - Manchester United

2ª Jornada:
Besiktas - FC Porto
Benfica - Shakhtar Donetsk
Dínamo Kiev - Sporting

3ª Jornada:
Marselha - FC Porto
Benfica - Celtic
Roma - Sporting

4ª Jornada:
FC Porto - Marselha
Celtic - Benfica
Sporting - Roma

5ª Jornada:
Liverpool - FC Porto
Benfica - Milan
Manchester United - Sporting

6ª Jornada:
FC Porto - Besiktas
Shakhtar Donetsk - Benfica
Sporting - Dínamo Kiev


Está de volta a mais importante competição de clubes do mundo. Após o sorteio realizado no Mónaco, já se fazem previsões daquilo que poderá acontecer e tenta-se aferir das possibilidades que cada equipa terá nos respectivos agrupamentos. No que aos clubes portugueses diz respeito há, como se pode ver, adversários para todos os gostos, com os mais variados estilos de futebol e dos mais distintos cantos da Europa. Em teoria, o FC Porto foi a equipa com o sorteio mais favorável e o Sporting o que terá uma tarefa mais complicada para alcançar os oitavos-de-final, aparecendo o Benfica numa posição intermédia. Todavia, analisando com critério o nome e valia dos opositores, deve dizer-se que o grau de dificuldade dos grupos A, D e F não será assim tão desnivelado. Há diferenças mas não muito acentuadas e o maior optimismo da generalidade das opiniões no FC Porto, em relação a Benfica e Sporting, prende-se, não apenas com os adverários, mas também com o maior poderio e experiência internacionais dos portistas. É a ideia que me dá.

Disse antes do sorteio que, dos cabeças-de-série, sabendo à partida que qualquer dos oito seria um adversário de respeito, gostava que o FC Porto evitasse o Barcelona e o Chelsea, preferindo, por outro lado, Real Madrid e Arsenal. Pois bem, a 'dragões', 'águias' e 'leões' não calhou em sorte nenhum desses e, na minha opinião, Liverpool, Milan e Manchester United possuem um valor muito similar, talvez com a equipa de Anfield Road um 'furito' abaixo. Mesmo assim, recorde-se que o Liverpool na Champions tem feito consecutivas carreiras extraordinárias e que, esta época, na Premier League, até começou bem melhor que o United. O Sporting apanhou ainda, do pote 2, a Roma, que, sendo um oponente difícil, não será uma turma imbatível, longe disso. Do pote 3, ao FC Porto saiu o Marselha, que era um dos meus desejos juntamente com o Steaua Bucareste, enquanto ao Benfica saiu o Celtic. Ora, não penso que haja grande diferença entre franceses e escoceses. Se por um lado, o Celtic conta com um ambiente caseiro demolidor (atenção que em Marselha também não é fácil), fora de casa julgo que se poderá mostrar bem mais frágil que os marselheses. Acabou por ser satisfatório para ambos, uma vez que Estugarda ou CSKA Moscovo, por exemplo, imporiam outro tipo de argumentos. Do pote 4, acho que o Sporting foi o mais feliz. O Shakhtar Donetsk é sem dúvida o mais forte, podendo revelar-se incómodo nas duas partidas, mas sobretudo no seu reduto. O Besiktas a jogar fora não assusta ninguém, mas na Turquia sempre se mostrou temível, em virtude do fervor dos seus fiéis adeptos. Já o Dínamo Kiev será o mais fraco e o Sporting terá boas chances de ganhar em casa e pontuar fora.


GRUPO A:
Penso que Liverpool e FC Porto lutarão taco-a-taco pelo primeiro lugar, embora os 'reds' assumam algum favoritismo. Marselha e Besiktas são claramente mais fracos e um lugar na Taça UEFA será a meta. Para o conjunto de Jesualdo Ferreira será imperioso ganhar em casa a Marselha e Besiktas e, pelo menos, empatar com o Liverpool logo a abrir, apesar de a vitória estar ao alcance. Fora de casa, tudo o que não seja derrota em Anfield será bom e nos outros campos há que conquistar pontos. Talvez 10 pontos (ou até menos) sejam suficientes para o segundo lugar. Já se percebeu que isto foi uma conjectura pessimista. Na prática, o FC Porto tem obrigação de se qualificar para os oitavos-de-final.
Palpite: 1. Liverpool, 2. FC Porto, 3. Marselha, 4. Besiktas

GRUPO D:
O primeiro posto estará destinado ao Milan sem grande discussão. O Benfica terá, na minha óptica, o dever de se superiorizar a Celtic e Shakhtar Donetsk na luta pelo apuramento. Sete pontos em casa serão o mínimo exigível e, fora de casa, há que procurar pontuar o mais possível com os seus concorrentes directos, já que em San Siro a coisa não será fácil. Oportunidade para o ajuste de contas com o campeão escocês, que na temporada passada inflingiu uma pesada derrota (3 - 0) aos encarnados no Celtic Park e os relegou para a Taça UEFA. Uma tarefa ligeiramente mais complicada que a do FC Porto, mas a obrigação, essa, é a mesma.
Palpite: 1. Milan, 2. Benfica, 3. Shakhtar Donetsk, 4. Celtic

GRUPO F:
Estando o primeiro lugar reservado, invariavelmente, ao colosso onde actuam Cristiano Ronaldo e Nani, cabe ao Sporting lutar com a Roma pela segunda posição deste grupo. O Dínamo Kiev é um dos mais fracos da competição e não deverá escapar ao último lugar. Aliás, diante destes ucranianos, menos de 4 pontos será sempre mau, inclusivé 6 pontos seria mais que aconselhável para a formação de Paulo Bento. Com os italianos, a obrigação é triunfar em casa e com os 'red devils' tentar um pontinho, pelo menos. Reina o discurso dos azarados e 'coitadinhos' no seio dos adeptos leoninos. Se o Sporting quer finalmente fazer algo de relevante entre a elite europeia, tem de ser capaz de se superiorizar à Roma.
Palpite: 1. Manchester United, 2. Sporting, 3. Roma, 4. Dínamo Kiev

GRUPO B:
Palpite: 1. Chelsea, 2. Valência, 3. Schalke 04, 4. Rosenborg

GRUPO C:
Palpite: 1. Real Madrid, 2. Lázio, 3. Werder Bremen, 4. Olympiakos

GRUPO E:
Palpite: 1. Barcelona, 2. Estugarda, 3. Lyon, 4. Glasgow Rangers

GRUPO G:
Palpite: 1. Inter, 2. CSKA Moscovo, 3. PSV Eindhoven, 4. Fenerbahçe

GRUPO H:
Palpite: 1. Sevilha, 2. Arsenal, 3. Slávia Praga, 4. Steaua Bucareste


Vai uma aposta?

sexta-feira, 25 de maio de 2007

MILAN: O REI DA EUROPA


MILAN - LIVERPOOL 2 - 1
Final da Liga dos Campeões 2006-07
23 de Maio de 2007
Estádio Olímpico (Atenas)
Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha)
Milan: Dida; Oddo, Nesta, Maldini, Jankulovski (Kaladze 80'); Pirlo, Gattuso, Ambrosini, Seedorf (Favalli 90'+1'); Kaká, Filippo Inzaghi (Gilardino 88'). Tr: Carlo Ancelotti
Liverpool: Reina; Finnan (Arbeloa 87'), Carragher, Agger, Riise; Mascherano (Crouch 78'), Xabi Alonso, Pennant, Zenden (Kewell 58'); Gerrard, Kuyt. Tr: Rafael Benítez
Ao intervalo: 1 - 0
Marcadores: 1 - 0 Filippo Inzaghi 45', 2 - 0 Filippo Inzaghi 82', 2 - 1 Kuyt 89'
CA: Gattuso 40', Jankulovski 54', Mascherano 58', Carragher 60'


O Milan é o novo rei da Europa do futebol, sucedendo ao Barcelona como vencedor da Liga dos Campeões, após a vitória por 2 - 1 sobre o Liverpool, na capital grega. Numa final nem sempre bem jogada mas muito emotiva, emergiu o conhecido cinismo italiano, que faz com que os transalpinos vençam jogos mesmo sendo inferiores ao adversário em futebol jogado. Foi isso que sucedeu ontem. Mesmo vendo o Liverpool normalmente mais perto da sua baliza e tendo rematado bem menos que os ingleses, o Milan serviu-se da sua tradicional eficácia para conquistar o seu sétimo título continental de clubes, ficando a dois do Real Madrid. Depois da épica final perdida para os 'reds' em 2005, a vingança serviu-se fria, com um bis de Filippo Inzaghi, atacante que faz do aproveitamento a sua principal arma.

Carlo Ancelotti dispôs a equipa no seu habitual modelo conservador de 4-4-1-1, com Pirlo a médio defensivo, Gattuso e Ambrosini como carregadores dos talentosos, Seedorf a médio mais ofensivo e Kaká atrás do atacante Inzaghi. Já Rafa Benítez, certamente lembrado do descalabro do Manchester United em San Siro, apostou num reforço do meio-campo com Xabi Alonso, fazendo Gerrard avançar (quanto a mim demasiado) no terreno para as costas de Kuyt, mantendo as alas entregues a Pennant e Zenden. Isto é, manteve o rígido 4-4-2 do costume, mas menos arrojado do que aquilo que vulgarmente acontece.

O Liverpool começou melhor a partida, instalando-se desde logo no meio terreno italiano e com uma bela dinâmica de trocas de bola ao longo dos primeiros cinco minutos. O Milan, servindo-se da mestria de Pirlo e da velocidade de transição de Seedorf, responde a propósito e chega também junto da área de Reina, mantendo os ingleses em constante alerta. Notava-se, contudo, maior disponibilidade para pressionar e sair rápido para o ataque por parte do Liverpool. Aos nove minutos, Pennant tem nos pés a primeira situação de golo, negada superiormente pelo brasileiro Dida. Kaká respondeu pouco depois com um remate fraco de longa distância, fácil de parar por Reina.

Num jogo bastante táctico e com as pedras encaixadas, o Liverpool continuou sempre mais ameaçador, mas sem nunca perder os seus equilíbrios defensivos. Ao mesmo tempo que Mascherano encostava em Kaká, levando ao apagamento da estrela canarinha, Pennant seguia provocando alguns estragos junto da defensiva contrária, como aos 22 minutos em que serviu Gerrard para este rematar por cima da trave. Aos 26, nova jogada de envolvimento dos ingleses, culminada com um perigoso remate rasteiro de Xabi Alonso a rasar o poste. Riise teve também hipótese de testar o seu poderoso pontapé, mas a pontaria não estava calibrada.

À velocidade no jogo inglês, o Milan ripostava com um futebol mais lento e elaborado, apostando sobretudo nas diversas subidas dos seus laterais, cujos cruzamentos se revelaram neste encontro inconsequentes. Mesmo assim, Oddo foi dos que mais tentaram criar desequilíbrios pela sua banda direita. Aos 35 minutos, Maldini comprometeu com uma perda de bola em zona proibida (o capitão cometeu algumas falhas), originando uma flagrante chance para Kuyt inaugurar o marcador, valeu o corte em esforço de Nesta.

Quando já se esperava pelo descanso, Kaká ganha uma falta mesmo à entrada da área, numa das poucas oportunidades em que se conseguiu libertar da marcação. O especialista Pirlo bateu o livre, levando a bola a desviar no corpo de Inzaghi e encaminhar-se para a baliza do impotente Reina, traído pela mudança de direcção da mesma. Sem que nada tivesse feito para o justificar, o Milan via-se em vantagem apenas ao segundo remate efectuado, para gáudio dos milhares de 'tiffosi' presentes nas bancadas.

Na segunda parte, o Liverpool não entrou tão forte como seria de esperar para uma equipa que corria atrás do resultado, não tendo disposto de qualquer situação de perigo nos primeiros 15 minutos. Aliás, nesse período, Pirlo voltou a ter um livre à disposição, mas desta vez a bola saiu por alto. Só aos 62 minutos, Gerrard voltou a importunar Dida, tendo surgido desmarcado sobre o lado esquerdo mas rematando fraco e à figura. O Liverpool começou a atacar com mais homens, deixando a sua defesa à mercê dos possíveis contra-ataques do Milan, muitas vezes fatalmente venenosos. Não existia outra alternativa e sinceramente, perante o que ía acontecendo no Olímpico de Atenas, o Liverpool já merecia outro tipo de resultado. Riise voltou a tentar de longe, sendo imitado por Gerrad poucos instantes depois, sem sucesso.

A festa era milanesa, ganhando outra dimensão quando, aos 82 minutos, Kaká isolou Inzaghi, que não teve dificuldade em passar por Reina e fazer o 2 - 0. A frieza do futebol italiano voltou a fazer das suas e a Liga dos Campeões ficou aí praticamente decidida. Mas o Liverpool continuou a revelar grande espírito de luta e, já depois de Crouch ter ameaçado com um forte remate à entrada da área, conseguiu mesmo reduzir a diferença, na sequência de um canto, por intermédio de Kuyt. Não havia tempo para mais e, após o apito de Fandel, os festejos foram intensos por parte dos milaneses, coisa várias vezes vista desde que me lembro de ver futebol.

Talvez o Liverpool tivesse feito por merecer a vitória, mas o futebol não se compadece com justiça ou injustiça e ganha quem revelar maior capacidade de concretização. Inzaghi, letal, mostrou que a idade não é um problema quando a qualidade e disponibilidade se mantêm intactas, tendo-se cotado como o melhor jogador desta final. Kaká, muito discreto durante os 90 minutos, acabou por ser determinante, ao ganhar a falta de que resultou o primeiro golo e ao fazer a assistência para o segundo. Pelos 'reds', Gerrard e Pennant foram os que mais fizeram para que o desfecho fosse outro, tendo também Mascherando sido importante na acção pressionante sobre Kaká.

O Milan sagrou-se assim campeão europeu pela sétima vez na sua história, somando o seu 15º troféu internacional, entre Taças/Ligas dos Campeões, Taças das Taças, Supertaças Europeias e Taças Intercontinentais. Palmarés impressionante de um clube grandioso! Ontem, quem recebeu a taça das mãos de Michel Platini foi o grande capitão Paolo Maldini, defesa italiano que somou o seu 5º título europeu em 8 finais disputadas. Sem dúvida, um dos maiores nomes do futebol mundial de todos os tempos. Parabéns a Maldini! Parabéns ao Milan! A Europa está aos seus pés!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

BANHO DE FUTEBOL


MILAN - MANCHESTER UNITED 3 - 0
Liga dos Campeões 2006-07 (1/2 Final - 2ª Mão)
2 de Maio de 2007
Estádio Giuseppe Meazza (Milão)
Árbitro: Frank De Bleeckere (Bélgica)
Milan: Dida; Oddo, Nesta, Kaladze, Jankulovski; Pirlo, Gattuso (Cafú 84'), Ambrosini, Seedorf; Kaká (Favalli 86'), Filippo Inzaghi (Gilardino 67'). Tr: Carlo Ancelotti
Manchester United: Van der Sar; O'Shea (Saha 77'), Brown, Vidic, Heinze; Carrick, Scholes, Fletcher; Cristiano Ronaldo, Rooney, Giggs. Tr: Alex Ferguson
Ao intervalo: 2 - 0
Marcadores: 1 - 0 Kaká 10', 2 - 0 Seedorf 28', 3 - 0 Gilardino 78'
CA: Ambrosini 75', Gattuso 81', Cristiano Ronaldo 84'


À semelhança do sucedido na temporada 2004-05, Milan-Liverpool será a final da Liga dos Campeões, em Atenas. Ontem em San Siro, o Milan vulgarizou por completo o Manchester United no segundo jogo das meias-finais e triunfou por concludentes 3 - 0, garantindo assim a possibilidade de desforra frente ao Liverpool no jogo mais aguardado do ano. Kaká superou Cristiano Ronaldo no duelo particular entre ambos, tendo inclusivé sido a grande figura da eliminatória.

O jogo foi estranho. O Milan deu um autêntico banho de bola à formação inglesa, praticamente durante quase toda a partida. Cedo se percebeu qual a tendência do jogo: milaneses dominadores, senhores da bola, instalados no meio-campo contrário, trocando a bola e ameaçando de perto a baliza de Van der Sar, perante a total e incompreensível passividade dos jogadores do United. Foi sem surpresa que Kaká inaugurou o marcador logo aos 10 minutos, num bom remate de pé esquerdo. Tendo perdido por 3 - 2 fora de casa, com este resultado o Milan já estava em vantagem na eliminatória, mas não foi este facto que cambiou o cariz do encontro. Os homens de Ancelotti continuaram tranquilamente a dominar as operações, daí que o segundo golo fosse apenas uma questão de tempo. Após uma infantilidade defensiva de Heinze e Vidic, Seedorf fez o 2 - 0 e deu maior justiça ao 'placard', tal era a superioridade do conjunto italiano.

Até ao intervalo o domínio caseiro continuou intenso e mais golos poderiam ter acontecido, não fossem algumas intervenções de mérito de Van der Sar. Uma primeira parte de sonho para o Milan e de pesadelo para o United. Cristiano Ronaldo foi bem anulado pelo sistema montado por Ancelotti, que fez incidir Gattuso sobre o seu raio de acção, além da normal marcação do lateral, ora direito ora esquerdo. Manteve-se bem discreto ao longo dos 90 minutos e nem de livre directo logrou alvejar a baliza de Dida. Por seu turno, Kaká teve todo o tempo e espaço do mundo para pensar as jogadas, não tendo havido um único jogador que apertasse com o brasileiro. Livre de estorvo, Kaká pegou na batuta e lançou a equipa sempre para o ataque, ora com passes teleguiados, ora com acelerações esporádicas.

Após o descanso, a vergonhosa falta de capacidade de resposta dos ingleses manteve-se e o desânimo começou a ser cada vez maior. Precisando de dois golos, seria de esperar maior espírito de luta, mesmo ao nível do banco, face àquilo que ía sucedendo no relvado. A verdade é que Alex Ferguson denotou igualmente uma confrangedora inépcia, a tal ponto de apenas ter feito a primeira e única substituição aos 77 minutos! É porque estava contente com a actuação da equipa e com o resultado. De facto, apesar de o Manchester United ter surgido no segundo tempo com mais posse de bola, nunca conseguiu criar grandes situações de perigo.

Pelo contrário, o Milan atacava agora pela certa e dava a ideia de poder ampliar a vantagem a qualquer instante. Kaká deu o aviso numa magnífica jogada individual, valendo o guardião Van der Sar a salvar a situação com uma bela defesa. Numa pura jogada de contra-ataque, aproveitando o adiantamento desesperado dos jogadores ingleses, Ambrosini isolou Gilardino com um sensacional passe, que fixou o resultado final em 3 - 0. Até ao final, o que de mais relevante aconteceu foi mesmo o cartão amarelo exibido a Cristiano Ronaldo, já na fase da frustração da derrota em tão importante desafio, que o retiraria do jogo decisivo caso o United se tivesse qualificado.

Foram três, poderiam ter sido quatro, cinco, seis... O Milan dominou o encontro como quis e não encontrou oposição à altura de um semifinalista da Champions. O Manchester United foi uma tremenda decepção e demonstrou uma debilidade que ninguém esperava, tendo transformado um possível jogo empolgante em algo monótono, sem brilho nem chama. Desiludiu todos os adeptos de futebol, nomeadamente aqueles que o apoiavam para chegar à final, como eu.

No mano-a-mano entre Kaká e Cristiano, levou claramente a melhor o brasileiro, mas quem percebe de futebol e opina com imparcialidade, deverá reconhecer que o vento soprou a favor do milanês, tais foram a facilidade e liberdade encontradas neste embate de San Siro. Já o português deparou-se sempre com inúmeras dificuldades em lutar contra o vendaval italiano, tendo sofrido a marcação de dois e, até por vezes, três (!) adversários. Muito mais adultos tacticamente, os italianos não deram hipóteses a um conjunto bem mais limitado nesse como noutros aspectos, nomeadamente, capacidade técnica, inteligência de jogo, leitura desde o banco e vontade de ganhar. Para quem disse, antes desta eliminatória, que Ronaldo tinha maiores oportunidades de brilhar do que Kaká, em virtude de estar integrado numa equipa superior, este jogo provou exactamente o contrário. Depois desta eliminação do madeirense, a tónica tem sido exaltar Kaká a um nível superior ao do português, como se a qualidade de um jogador dependesse apenas de um só jogo. Já não há paciência para esta constante perseguição a Cristiano Ronaldo. No entanto, só os predestinados são alvo deste tipo de invejas incessantes e há que ver as coisas sempre numa perspectiva positiva.

O meu desejo para o jogo decisivo não se concretizou e as minhas previsões saíram furadas. Milan-Liverpool é então a final da Liga dos Campeões 2006-07, disputada por dois dos emblemas com melhor historial na prova: 6 vitórias em 10 finais para o Milan, 5 triunfos em 6 finais para o Liverpool. Esta será a 11ª para os milaneses e a 7ª para os 'reds'. Em Atenas, que ganhe o Liverpool.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

LIVERPOOL NA FINAL COM JUSTIÇA


LIVERPOOL - CHELSEA 1 - 0 (4 - 1 g.p.)
Liga dos Campeões 2006-07 (1/2 Final - 2ª Mão)
1 de Maio de 2007
Anfield Road (Liverpool)
Árbitro: Mejuto González (Espanha)
Liverpool: Reina; Finnan, Carragher, Agger, Riise; Gerrard, Mascherano (Fowler 117'), Pennant (Xabi Alonso 78'), Zenden; Kuyt, Crouch (Bellamy 106'). Tr: Rafael Benítez
Chelsea: Cech; Paulo Ferreira, Terry, Essien, Ashley Cole; Makelele (Geremi 117'), Obi Mikel, Lampard; Joe Cole (Robben 98'), Drogba, Kalou (Wright-Phillips 107'). Tr: José Mourinho
Ao intervalo: 1 - 0
Marcador: 1 - 0 Agger 22'
CA: Ashley Cole 28', Agger 62', Zenden 110'
Penalties: 1 - 0 Zenden, Robben falhou, 2 - 0 Xabi Alonso, 2 - 1 Lampard, 3 - 1 Gerrard, Geremi falhou, 4 - 1 Kuyt


Foi com tristeza que vi o Liverpool afastar o Chelsea da final da Liga dos Campeões, através das grandes penalidades (4 - 1), após 1 - 0 no final do prolongamento. O Chelsea-Manchester United em Atenas já não vai acontecer, estou certo que seria a final mais bonita a que o mundo poderia assistir. Porém, não me custa nada admitir que o Liverpool, pela forma como jogou e lutou, foi um justo vencedor desta meia-final apaixonante. Fico triste por Ricardo Carvalho, por Paulo Ferreira, por Hilário e por todo o staff técnico liderado por José Mourinho. Sou um profundo admirador do 'Special One' como treinador e orgulho-me que seja português, embora haja traços na sua personalidade que me desagradam. Esta derrota diante de um dos seus inimigos de estimação talvez o faça ficar um pouco mais humilde e repensar a forma como, por vezes, desrespeita os outros de forma injusta, tendo sido Cristiano Ronaldo a sua vítima mais recente.

Desde jogo, fiquei impressionado com outro facto, no qual concordo com Rafael Benítez: 'Special Ones' são todos aqueles adeptos do Liverpool. Que ambiente maravilhoso tem Anfield Road! Pela televisão dá para se perceber a sua dimensão, ao vivo nem imagino o que aquilo será...

O jogo foi intenso mas nem sempre de grande qualidade. Houve muito respeito de ambos os lados, nenhuma equipa se lançou deliberadamente ao ataque, daí que houve muita luta na zona central do terreno. O encontro começou táctico, mas cedo se percebeu que o Liverpool estava mais dominador e mais subido, como aliás lhe competia, face à desvantagem de um golo na eliminatória, embora tal domínio não se traduzisse em jogadas perigosas para Cech. A primeira oportunidade apareceu aos 22 minutos e deu o 1 - 0 para o Liverpool: livre de Gerrard rasteiro para a área e remate de Agger com êxito, perante a total e inadmissível passividade da defensiva londrina. Depois do golo, o Chelsea sofreu um mau bocado e viu-se em apuros perante mais algumas investidas do adversário. A partir da meia-hora os 'blues' começaram finalmente a sacudir a pressão e a adiantar-se no relvado. Drogba teve uma óptima hipótese para empatar mas Reina negou-lhe os intentos. Até ao intervalo, os londrinos continuaram senhores do jogo mas mais nada de muito relevante aconteceu.

Os primeiros minutos da segunda metade foram a continuação dos últimos da primeira, com o Chelsea a manter maior posse de bola e a mostrar disposição em marcar um golo, que poderia significar o fim do sonho do Liverpool. A este respeito, devo dizer que foi excelente a capacidade dos homens de Benítez em conviver com a constante ameaça de ter que marcar mais dois golos, caso o Chelsea chegasse à igualdade. Pressão menor teve o Chelsea nesse aspecto, uma vez que, mesmo que o Liverpool fizesse o 2 - 0, lhe continuava a bastar um tento para seguir em frente. Mesmo com o ligeiro ascendente inicial do Chelsea, o equilíbrio foi a nota dominante da segunda parte. Ainda assim, o Liverpool foi quem teve as melhores chances para marcar: uma cabeçada de Crouch para defesa apertada de Cech, outra de Kuyt à trave, um remate de Pennant interceptado a custo por Essien e um remate de Zenden em cima do minuto 90. Para os de Londres, apenas um centro de Cole que quase resultava em autogolo de Carragher e pouco mais em termos de perigo real.

Chegava então o prolongamento e mais 30 minutos de emoções. O equilíbrio continuou, embora tenha sido novamente o Liverpool a estar mais perto do golo, em dois lances protagonizados por Kuyt. O primeiro foi um golo anulado ao holandês por fora-de-jogo (milimétrico mas existente), apontado na recarga a um remate de Xabi Alonso que Cech defendeu para a frente. O segundo foi um remate, quase em cima do minuto 120, em zona muito perigosa que o guardião checo parou com classe.

Nas grandes penalidades, a sorte sorriu a quem mais fez por a merecer. Caso não se as considere uma lotaria - para mim mais que uma lotaria é um momento de controlo emocional -, então deve dizer-se que os jogadores do Liverpool revelaram maior cabeça fria e deram justiça ao desfecho desta eliminatória. O 'keeper' espanhol Reina defendeu os penalties de Robben e Geremi e foi herói. O Chelsea procurou lutar sempre, teve várias ausências forçadas e se ganhasse também seria justo pelo esforço e dedicação com que se bateu.

Estava à espera que o Chelsea jogasse em Anfield com maior capacidade de segurar a bola e controlar o jogo no sector intermédio. Lampard continua a exibir-se abaixo do que pode fazer, Makelele fez uma bela partida mas não teve a ajuda necessária do discreto Obi Mikel. Para colmatar a ausência de Carvalho, Essien foi colocado a central e o meio-campo ressentiu-se e muito. Gerrard foi o patrão daquela zona, muito bem secundado pelo espírito batalhador de Mascherano. Kuyt, além de ter sido o elemento mais perigoso do Liverpool, ainda foi o autor do penalty decisivo. Benítez voltou a eliminar Mourinho da Champions, o técnico português continua sem ganhá-la desde que saiu do FC Porto, em 2004, sem sequer a festejar. Tenho pena mas o futebol é isto. Parabéns ao Liverpool e aos seus espectaculares seguidores.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

M.UNITED E CHELSEA EM VANTAGEM


Não defraudaram os jogos das meias-finais da Champions. Dois grandes espectáculos, quatro equipas à procura do melhor resultado, muito equilíbrio no futebol jogado e no resultado. Tudo em aberto, portanto, para os embates da segunda mão e outra coisa não seria de esperar entre equipas cuja igualdade de forças é a nota dominante. Ainda assim, continuo a conferir ligeiro favoritismo a Manchester United e Chelsea, ainda para mais agora dispondo de um golo de vantagem, sendo minha convicção e desejo - não me canso de repetir - que a final seja entre estas duas formações.

Em Old Trafford, foi uma maravilha, mas que grande jogo de futebol, talvez o melhor desta edição da prova. O United venceu por 3 - 2, com o golo da vitória a ser obtido mesmo à beira do fim. Na primeira parte o Milan esteve melhor, chegando ao intervalo a vencer por 2 - 1. Depois de Cristiano Ronaldo ter inaugurado o marcador, com a preciosa ajuda do guardião Dida, surgiu o magnífico Kaká, em grande estilo, a virar o resultado com dois golos de grande talento. Actuando irrepreensivelmente em termos estratégicos e fazendo da inteligência de jogo a sua bandeira, os milaneses justificaram em absoluto a vantagem ao intervalo. Na segunda metade, após boa entrada dos italianos que lhes podiam ter valido o aumentar do marcador, o Manchester United partiu para cima em busca da reviravolta e jogou grande parte do tempo no meio-campo contrário, fazendo uso da sua habitual sagacidade ofensiva. Nesse período, outra estrela emergiu: Rooney, autor de dois golos, o segundo dos quais, o tal em cima do apito final, de grande categoria, capacidade de desmarcação e poder de remate (não esquecer o passe primoroso de Giggs, à semelhança do de Scholes no primeiro tento do 'pugilista').

Cristiano Ronaldo pareceu-me ansioso, a querer fazer tudo bem e depressa e com a tendência para individualizar os lances. Não deixou, no entanto, de ser decisivo e de provocar imensos calafrios na defesa 'rossonera', prometendo voltar à carga no jogo de San Siro. As figuras foram então Kaká e Rooney, tendo o brasileiro sido superior no tão propalado duelo individual com o madeirense. A verdade é que não conseguiu evitar a derrota da sua equipa e se os títulos colectivos são vitais para aferirmos a capacidade dos jogadores, deve dizer-se que Ronaldo está mais próximo da final do que Kaká.

O Chelsea-Liverpool, esse jogo que começa a ser uma autêntica batalha pessoal entre Mourinho e Benítez com direito a sessões contínuas, ano após ano, não foi tão emocionante mas deu para desfrutar. Os 'blues' estiveram melhor na primeira parte e os 'reds' foram superiores na segunda. No entanto, a supremacia londrina foi maior que a do Liverpool, daí pensar que o resultado tangencial é correcto. E não se pense que o resultado é curto em termos de perspectivas de passagem à final. 1 - 0 numa meia-final não deixa de ser uma vantagem de respeito e é certo que um golo do Chelsea em Anfield pode ser a morte de Gerrard e seus pares.

O golo foi apontado por Joe Cole, após assistência de Drogba, que recebeu um passe longo de Ricardo Carvalho. O central português mostrou mais uma vez que pertence ao rol dos melhores do planeta e é realmente um regalo vê-lo sair a jogar com a bola dominada. Está a jogar ao nível do que fez no FC Porto e no Euro'2004, altura em que colocou meio mundo atrás dos seus serviços. Paulo Ferreira mereceu a confiança de Mourinho e actuou em bom plano durante todo o encontro. Devo dizer que esta titularidade do lateral direito luso é de saudar e só estranho que isso não tenha acontecido mais vezes esta época, preferindo o 'Special One' apostar em Diarra e até em Geremi e Boulahrouz. Oxalá mantenha a opção.

Mal posso esperar pelos jogos da segunda mão. Depois do jogo de Manchester, tenho ouvido diversas opiniões, segundo as quais Kaká é melhor que Cristiano e que merece o prémio de melhor do mundo, não admitindo a época superior do português. Estou desejoso de ver o United eliminar o Milan e gostava que Ronaldo entrasse no Giuseppe Meazza inspirado e com espírito de conquista. Se assim fôr... Em Liverpool, só quero ver o Chelsea vingar a eliminação inglória de há duas épocas, em que ainda se está para saber se a bola entrou mesmo na baliza de Cech. Com Essien em campo, os 'blues' ficam mais fortes. Veremos se a minha vontade relativamente à final se concretiza.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

ARMADA INGLESA 3


Chelsea, Manchester United, Liverpool e Milan. Estão encontrados os semi-finalistas da Liga dos Campeões, com o Milan a ser a única equipa capaz de se intrometer entre a poderosa armada inglesa. Com três dos seus clubes apurados, o futebol inglês deu uma clara demonstração de força e prova a cada dia ser nesta altura o melhor do Velho Continente, sendo certo que terá, pelo menos, um representante na final de Atenas. O desfecho destes quartos-de-final não significaram uma surpresa para mim, basta ler os meus comentários anteriores sobre a eliminatória e constatar o acerto das minhas previsões.

Na terça, o Chelsea destruiu o sonho do Valência e venceu por 2 - 1, dando razão àquela máxima de José Mourinho de que o fim da primeira mão é apenas e só o intervalo da batalha. Os londrinos mostraram ser bem mais fortes e nada há a apontar a este seu apuramento para as meias-finais. Miguel e Hugo Viana vão ter que esperar.

Já o Manchester United foi verdadeiramente demolidor e arrasou a Roma por... 7 - 1! Com uma desvantagem de um golo, era de esperar que o United desse a volta à situação, mas nunca de forma tão avassaladora. Carrick (2), Alan Smith, Rooney, Cristiano Ronaldo (2) e Evra marcaram para a turma de Alex Ferguson, De Rossi assinou o tento da honra romana. Numa das melhores partidas da sua história europeia, o United teve em Cristiano Ronaldo a sua grande figura, autor de dois golos, protagonista de várias cavalgadas ao seu estilo e eleito pela UEFA o melhor em campo. Não sei se nesta altura os italianos ainda acham Totti superior ao português, mas às vezes há determinadas exibições e certas diferenças que dispensam comentários.

Ontem, o Milan foi a Munique exibir superioridade perante o Bayern e colocou Beckenbauer sedento de contratar uma grande estrela para a próxima temporada. E não foi uma daquelas vitórias cínicas 'à italiana', tão grande foi a coragem com que o Milan atacou o jogo desde o início. Ao intervalo, já o resultado estava feito, com Seedorf, autor do primeiro golo e da assistência para o segundo apontado por Inzaghi, em evidência. Nada que me surpreendesse, o Milan é melhor equipa que o Bayern e a sua passagem foi conseguida com naturalidade.

O Liverpool-PSV Eindhoven era apenas para cumprir calendário, depois da volumosa vitória inglesa na Holanda. Mesmo assim, os homens de Rafael Benítez não brincaram em serviço e voltaram a ganhar (1 - 0, golo do gigante Crouch). Foi o embate mais desnivelado dos 'quartos', mas é justo dizer que as ausências na equipa holandesa (sobretudo de Alex), penalizaram e muito o seu desempenho.

Seguem-se as meias-finais com os estrondosos Chelsea-Liverpool e Milan-Manchester United. Para os amantes de futebol, é sempre um regalo assistir a estes confrontos entre gigantes. Duelos sensacionais Mourinho/Benítez ou Ronaldo/Kaká não deixam ninguém indiferente. Provavelmente, em Itália, vão dizer agora que o Kaká mete o Cristiano no bolso. Também já se ouve falar de uma reedição da eliminação do Chelsea pelo Liverpool há dois anos. Eu aposto numa final Chelsea-Manchester United...


PS: Aproxima-se o jogo na Luz, entre Benfica e Espanhol. 1 - 0 é o bastante para os encarnados seguirem rumo às meias-finais da Taça UEFA. Face à mediania do opositor, não resta outra alternativa ao Benfica senão vencer o encontro, se possível, de forma inequívoca.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

CHELSEA EM GRANDE


VALÊNCIA - CHELSEA 1 - 2
Liga dos Campeões 2006-07 (1/4 Final)
10 de Abril de 2007
Estádio Mestalla (Valência)
Árbitro: Kyros Vassaras (Grécia)
Valência: Cañizares; Miguel, Ayala, Moretti, Del Horno; Albelda, Albiol (Hugo Viana 70'), Joaquín, David Silva; David Villa, Morientes (Angulo 64'). Tr: Quique Flores
Chelsea: Cech; Diarra (Joe Cole 46'), Terry, Ricardo Carvalho, Ashley Cole; Obi Mikel, Essien, Ballack, Lampard (Makelele 90'+2'); Drogba, Shevchenko (Kalou 90'+1'). Tr: José Mourinho
Ao intervalo: 1 - 0
Marcadores: 1 - 0 Morientes 32', 1 - 1 Shevchenko 51', 1 - 2 Essien 90'
CA: Essien 3', Ballack 20', Del Horno 44', Aldelda 50', Ayala 60', Moretti 61'


O Chelsea está nas meias-finais da Liga dos Campeões. Depois do desconfortável empate em Stamford Bridge há uma semana, os pupilos de José Mourinho foram a Espanha derrotar o Valência por 2 - 1, com o golo decisivo a ser obtido sobre o minuto 90. Goste-se ou não do estilo, o Chelsea continua a ser uma equipa temível e tremendamente pragmática, com uma capacidade acima da média para gerir as emoções dos grandes momentos e controlar todas as vertentes do jogo, mesmo em desvantagem. Apesar de todas as críticas de que tem sido alvo durante esta época, a turma londrina está entre as quatro melhores equipas da Europa, graças a uma exibição plena de calculismo e auto-confiança, em que aniquilou o adversário no momento certo e de forma quase cruel. É isto o Chelsea de Mourinho de 2006-07, longe de ser um regalo para a vista, mas o protótipo da equipa adulta, que sabe tudo o que tem de fazer no relvado para sair com a vitória. E Mourinho, paulatinamente, lá vai continuando a calar algumas bocas.

Com o ambiente a fervilhar nas bancadas, o jogo começou táctico, com as equipas a estudarem-se mutuamente e sem correr grandes riscos, embora os valencianistas se mostrassem mais subidos no terreno e com mais posse de bola. A partir dos 15 minutos, os 'blues' começaram a ter mais iniciativa de jogo e mais bola, mas dada a intensa pressão espanhola logo à saída do meio-campo, os médios ingleses nunca conseguiram 'agarrar' o jogo nem dar profundidade ao ataque. Só em alguns cantos apontados invariavelmente por Lampard e quase sempre ganhos nas alturas pelos homens do Chelsea, o perigo rondou a baliza de Cañizares, com Ricardo Carvalho, Ballack e Shevchenko a desperdiçarem boas oportunidades.

A partir da meia-hora, e sempre com o Chelsea a não encontrar soluções para, de bola corrida, causar embaraços à defesa da casa, o conjunto de Quique Flores começa a tornar-se mais atrevido e a lançar alguns ataques rápidos sempre que recuperava a bola, com Silva e Joaquín a serem as 'setas' de serviço. Depois de num desses ataques, Morientes já ter ameaçado com um explosivo remate ao poste, o ponta-de-lança espanhol chegou mesmo ao golo. Na sequência de uma investida pela direita seguida de cruzamento de Joaquín, Morientes bateu Cech de pé esquerdo, apontando o seu sexto golo na presente edição da Champions. O mesmo Morientes logo a seguir podia ter feito o segundo, sendo esta a melhor fase do Valência em todo o jogo, em que, à maior mas inconsequente posse de bola londrina, respondia com pressão sufocante e velocidade na transição atacante. Drogba ainda teve na cabeça a melhor oportunidade da sua equipa na primeira parte, mas Cañizares respondeu com uma fabulosa defesa. Apesar deste fogacho, o Valência chegou ao intervalo claramente na mó de cima e tornava-se evidente que José Mourinho tinha que fazer alguma coisa para mudar o curso do jogo e da eliminatória.

Para a segunda parte, não se estranhou portanto que Mourinho procedesse a uma alteração no sentido de dar mais velocidade e imaginação ao ataque: retirou o desastrado Diarra, fazendo entrar o criativo Joe Cole para médio ofensivo vagabundo, passando Essien para lateral direito. O efeito positivo foi imediato. Joe Cole trouxe as mudanças de ritmo necessárias para colocar os espanhóis em sentido. O golo de Shevchenko, resultante de um ressalto, logo nos primeiros minutos também ajudou, diga-se, o Chelsea a baixar os níveis de ansiedade e a jogar um futebol mais personalizado e seguro. Na altura em que aconteceu, este golo pode ter parecido injusto face ao que até aí sucedera, mas a verdade é que o Chelsea daí em diante fez por merecer a fortuna que lhe calhou. Visivelmente mais fresco e com um andamento muito superior, passou a dominar o encontro por completo, instalando-se no meio terreno caseiro e revelando-se sempre mais rápido sobre a bola. O défice físico do Valência era evidente e a sua incapacidade para pressionar e sair em contra-ataque quase total. Depois de Drogba já ter tentado o golo com um bom remate, Angulo teve nos pés a única situação de golo do Valência no segundo tempo, mas o seu pontapé saiu ligeiramente ao lado do poste. Um oásis no deserto, já que o Chelsea continuou a dominar todas as acções do jogo. Aos 84 minutos, após uma cabeçada de Ballack no seguimento de um livre de Lampard (pois claro!), Cañizares fez uma defesa monstruosa e adiou por mais alguns minutos a festa azul.

O espectro do prolongamento já pairava sobre o Mestalla, mas o Chelsea revelando uma competitividade e maturidade impressionantes, conseguiu fazer o golo que lhe deu o apuramento exactamente aos 90 minutos (remate cruzado de Essien, uma máquina adaptável a qualquer posição), matando desde logo qualquer esboço de reacção adversária, pois seriam precisos dois golos para o Valência seguir em frente. Qual 'serial killer', a formação de Mourinho demonstrou mais uma vez um espírito matador e um cinismo insuperáveis; os jogadores do Chelsea, esses, mostraram, para quem quiser ver, de que massa são feitos os verdadeiros campeões. De José Mourinho nem vale a pena dizer nada; contra todos os seus detractores, continua 'tranquilamente' a somar resultados e a espalhar classe e cultura de vitória. É isto o Chelsea de Mourinho! E Atenas já esteve mais longe.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

SÓ O LIVERPOOL RESOLVEU


Ficou ontem concluída a primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. O Chelsea empatou 1 - 1, em casa, com o Valência. O Manchester United foi perder a Roma por 2 - 1. Na terça, o Liverpool tinha ganho 3 - 0, no estádio do PSV Eindhoven, e o Milan havia empatado 2 - 2, em San Siro, perante o Bayern Munique. Esperados ou não, estes resultados mantêm tudo em aberto para os jogos da segunda mão, à excepção do 3 - 0 em Eindhoven, que praticamente carimbou a passagem do Liverpool e o adeus do PSV às meias-finais.

O surpreendente foi apenas a rapidez com que os homens de Anfield resolveram tudo a seu favor, uma vez que a sua passagem às meias-finais era vista por quase todos como o desfecho mais provável. A ausência do central brasileiro Alex penalizou decisivamente o desempenho do PSV e fez com que o Liverpool dominasse o encontro do princípio ao fim, tendo marcado três golos, sem que se vislumbrasse qualquer capacidade de reacção dos holandeses. Gerrard, Riise e Crouch foram os marcadores de serviço, sendo que o tento do norueguês foi obtido através de um sensacional remate de fora da área e é desde já um dos melhores da prova. Em destaque esteve também o lateral direito Finnan, autor dos cruzamentos para os primeiro e terceiro golos. Para o jogo em casa, bastará ao Liverpool jogar o quanto baste e gerir a enorme vantagem de que dispõe. Não conseguindo intrometer-se na luta pelo título inglês, este Liverpool de Rafael Benítez parece talhado para conseguir grandes prestações na Liga dos Campeões - venceu o troféu há duas épocas e na época passada caiu nos 'oitavos' aos pés do Benfica.

Em Milão, o Bayern impôs uma igualdade ao Milan, um resultado excelente para as cores bávaras. Num magnífico desafio de futebol, o árbitro foi mesmo uma das principais figuras, ao assinalar escandalosamente e já bem perto do final um penalty inexistente, por falta de Lúcio sobre Kaká que só ele viu. Pirlo abriu o activo a cinco minutos do intervalo, mas Van Buyten restabeleceu o empate já no decorrer da segunda parte. Depois aconteceu então aquela inacreditável invenção do juíz, que Kaká aproveitou para colocar os milaneses de novo na frente. Revelando grande determinação e poder de reacção, o Bayern conseguiu, porém, chegar outra vez ao empate já no período de descontos. O belga Van Buyten bisou na partida e converteu-se no melhor homem em campo, dando um sabor a justiça ao resultado, não só devido ao erro arbitral, como também face ao que as duas equipas produziram. Com a possibilidade de decidir em Munique, os alemães possuem uma ligeira vantagem, mas muito cuidado com a frieza e cinismo tão característicos dos italianos. Eu diria que as probabilidades de qualificação se mantêm semelhantes para ambos.

O Chelsea encontrou as dificuldades naturais que se anteviam no embate com o Valência. Apesar de jogar em Stamford Bridge, a equipa de José Mourinho não foi capaz de se superiorizar ao bem organizado colectivo espanhol e provou, uma vez mais, que aquele Chelsea inspirado e demolidor das temporadas transactas já terá passado à história. É verdade que dominou a quase totalidade dos 90 minutos e teve chances mais que suficientes para ganhar, mas falta alguma arte e imaginação ao seu ataque, algo que vem sendo hábito desde o começo da época e que já tinha sido visível, por exemplo, na eliminatória com o FC Porto. David Silva e Drogba fizeram os golos, Ricardo Carvalho foi para mim o 'man of the match', tantas foram as vezes em que empurrou os seus colegas para a frente, tendo até disposto de algumas oportunidades para facturar. Embora estando consciente do equilíbrio, contava com uma vitória dos londrinos, mas o empate não me faz mudar de opinião: continuo a pensar que José Mourinho vai levar a sua equipa até às meias-finais e poderá não parar por aí...

Na capital italiana, a Roma derrotou o Manchester United e acabou por ser, dadas as circunstâncias, um resultado normal, embora eu esperasse algo mais positivo para Cristiano Ronaldo e companhia. Os ingleses jogaram uma hora com dez jogadores - Scholes foi expulso e bem - e a Roma aproveitou para marcar alguma superioridade em termos de produção, traduzida no 2 - 1 final. Taddei, Rooney e Vucinic foram os homens que fizeram balançar as redes. Cristiano Ronaldo, o alvo de todas as atenções romanas desde que o sorteio foi efectuado, esteve um pouco abaixo do seu nível, o que para a maioria dos jogadores do mundo constituiria uma grande exibição! Já se sabe que numa equipa com menos um elemento as dificuldades aumentam, mas ainda assim logrou algumas das suas habituais arrancadas, numa das quais dando início à jogada do golo de Rooney. Mais discreto, mas igualmente decisivo. Em Old Trafford dentro de uma semana, favoritismo completo para o United poder chegar às meias-finais, pois não reconheço à Roma qualidade e força para resistir aos 'red devils', tanto no relvado como nas bancadas.

Muita gente já está a sonhar com uma final entre Manchester United e Chelsea, em Atenas. Eu também estou e julgo, aliás, que a possibilidade de isso acontecer é bem real. Nas meias-finais já está estabelecido que Liverpool defrontará Chelsea ou Valência e que Milan ou Bayern medirá forças com Roma ou Manchester United. A bola é redonda e tudo pode acontecer, mas seria lindo assistirmos a uma final totalmente inglesa, com as cores azul e vermelha, em que os dois maiores ícones do futebol português actual (José Mourinho e Cristiano Ronaldo) travariam uma luta árdua pela consagração europeia.


PS: Daqui a pouco o Benfica defronta, em Barcelona, o Espanhol, em jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Taça UEFA. Como um dos principais candidatos a vencer a competição e como melhor equipa que o Espanhol, independentemente do resultado de hoje, o Benfica tem a obrigação de eliminar esta formação catalã. Para bem do nosso futebol e porque me dá sempre um gostinho especial ver portugueses a superarem espanhóis.

terça-feira, 3 de abril de 2007

CHAMPIONS - ANTEVISÃO DOS 'QUARTOS'


O espectáculo da Liga dos Campeões está de volta, com os encontros dos quartos-de-final, infelizmente já sem qualquer equipa portuguesa. PSV Eindhoven-Liverpool e Milan-Bayern Munique são os dois jogos de hoje. Amanhã teremos Roma-Manchester United e Chelsea-Valência. Estou claramente com maior expectativa para os confrontos de amanhã. As duas maiores figuras actuais do futebol português entrarão em acção e estão dados como favoritos para aceder às meias-finais, mas antevejo uma árdua tarefa para ambos.

Cristiano Ronaldo, estrela principal do Manchester United, é o alvo de todas as atenções dos italianos. Procurando intranquilizá-lo, várias foram já as referências ao seu estilo demasiado circense (dribles e mais dribles) ou ao seu carácter um tanto enganador (mergulhos para a piscina). Ouvi também dizer-se que Totti é melhor que o prodígio madeirense. Discordo em absoluto mas são opiniões. Os italianos esqueceram-se que Ronaldo se motiva e galvaniza com este tipo de comentários, quanto mais o criticam melhor ele joga. Por isso, estou curioso para ver o que sucederá no Olímpico de Roma. Acredito que o quase campeão inglês, no conjunto da eliminatória, mostrará a sua superioridade e marcará presença nas meias-finais.

Por seu turno, José Mourinho terá pela frente o Valência, de Miguel e Hugo Viana. Será uma das eliminatórias mais interessantes e acredito que, embora com ligeiro favoritismo do Chelsea, o equilíbrio será a nota dominante. Palpita-me que o Valência vai criar sérios problemas a Mourinho, Carvalho, Ferreira e companhia. Amanhã em Londres, talvez os da casa se possam impôr, mas em Espanha as coisas não vão ser fáceis para os londrinos; em casa os valencianos costumam ser muito, muito fortes. No entanto, considero o Chelsea desde o início como um dos principais candidatos à vitória final, daí que aposto na sua passagem para as meias-finais.

Hoje, os desafios serão talvez menos atractivos, embora um Milan-Bayern seja sempre um duelo mediático e de desfecho imprevisível. Estrelas de um lado e de outro não vão faltar, sendo que a maior de todas elas, o brasileiro Kaká, possa ser um importante factor de desequilíbrio para o lado milanês. Aposto no Milan para figurar nas quatro melhores equipas, embora, em condições normais, a margem de golos será sempre mínima no final dos dois jogos.

O PSV Eindhoven-Liverpool foi à partida o jogo que menos expectativa gerou. O Liverpool é favorito para passar, mas a turma comandada por Ronald Koeman e onde pontifica o central português Manuel da Costa deu o aviso ao eliminar o Arsenal. Aliás, Koeman tem-se revelado um técnico especialista em 'correr' com ingleses para fora da Champions, pois na época passada ao serviço do Benfica, eliminou igualmente o Manchester United e o... Liverpool.

A Liga dos Campeões é um mundo à parte e a emoção está ao rubro. Desde o início, apontei como favoritos Chelsea, Barcelona e Lyon. Só o Chelsea sobreviveu. Vendo o andamento desta temporada, permito-me juntar o Manchester United à formação de Stamford Bridge. Ou seja, na minha opinião, uma das duas melhores equipas inglesas da actualidade vai ser coroada como a melhor da Europa. Vamos ter portugueses a sorrir...