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domingo, 8 de fevereiro de 2009

EMPATE JUSTO


FC PORTO - BENFICA 1 - 1
1ª Liga Portuguesa 2008-09
8 de Fevereiro de 2009
Estádio do Dragão (Porto)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
FC Porto: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Mariano González 65'), Lucho González; Lisandro (Farías 88'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Benfica: Moreira; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luíz; Ruben Amorim, Yebda, Katsouranis, Reyes (Nuno Gomes 86'); Aimar (Carlos Martins 90'+1'), Suazo (Di Maria 62'). Tr: Quique Flores
Ao intervalo: 0 - 1
Marcadores: 0 - 1 Yebda 45'+1', 1 - 1 Lucho González 71' gp
CA: Fernando 50', Maxi Pereira 52', Katsouranis 64', Yebda 70'


Para muitos este era o desafio mais importante da temporada interna até ao momento. A expectativa era grande, a semana que antecedeu a contenda foi intensa e a infíma diferença pontual entre ambas as equipas fazia antever um jogo de nervos. A arbitragem tem feito parte da agenda quotidiana do futebol português. Todos se queixam, todos se acham prejudicados, os erros grosseiros acontecem a uma velocidade assustadora, a suspeição é atirada para o ar diariamente e, portanto, o árbitro Pedro Proença não dispunha do ambiente propício para fazer uma boa arbitragem no Dragão. É por aí que começo.

Pedro Proença fez uma má arbitragem. Cometeu três erros graves e, ainda que no resto da partida tenha estado bem (exceptuando o facto de ter permitido que metade dos 3 minutos de compensação fossem passados sem jogar), a verdade é que influenciou o normal curso do jogo e o desfecho do mesmo. Aos 18 minutos, não assinalou uma grande penalidade, por falta clara de Reyes sobre Lucho. Como se sabe, na área não há lei da vantagem e não é pelo facto de o argentino se ter levantado após o desequilíbrio provocado pelo toque de Reyes que deixa de existir falta. Aos 26 minutos, Sidnei pisa ostensiva e maldosamente Lucho, justificando-se a exibição do vermelho directo, por conduta violenta. Proença não mostrou qualquer cartão. Aos 70 minutos, assinalou uma grande penalidade inexistente, já que Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro, que se limitou a atirar para a piscina. Conclusão: o penalty que permitiu ao FC Porto restabelecer a igualdade não existiu. Mas o certo é que se o árbitro tivesse agido em conformidade anteriormente, o FC Porto poderia ter chegado aos 26 minutos a ganhar por 1-0 e a jogar contra dez unidades.

Se olharmos para a imprensa e para a generalidade da blogosfera, ficamos convencidos que o FC Porto foi beneficiado, mas analisando os lances capitais da partida com objectividade, vemos que não foi isso que sucedeu. Tem sido desta forma, parcial e tendenciosa, que o FC Porto tem sido tratado nesta temporada. É triste verificar que a comunicação social, que deveria agir com isenção, na procura da informação credível e objectiva, esteja, cada vez mais, a imbecilizar-se e a comportar-se como um verdadeiro adepto. Felizmente deixei de comprar jornais de há uns tempos a esta parte e ligo muito pouco às análises que se vão fazendo nas rádios e televisões. Anda a querer vender-se uma mentira, só porque ela é dita muitas vezes. Quem gostar de ser enganado, que acredite.

Os treinadores não apresentaram qualquer surpresa nos seus onzes. Os sistemas tácticos foram também os esperados. O FC Porto chegou a este jogo na sua máxima força, após ter feito descansar todos os habituais titulares, a meio da semana, em Alvalade. O Benfica não procedeu a tão grande poupança no desafio da Taça da Liga, diante do Guimarães, mas uma potencial maior frescura portista não se fez notar ao longo do encontro.

A primeira meia-hora foi de domínio do FC Porto e só por manifesta falta de eficácia na hora de finalizar, não se adiantou no marcador neste período. Jogando subido e pressionando alto, os pupilos de Jesualdo Ferreira empurraram os encarnados para a sua defensiva. Rodríguez foi dos mais audazes nesta fase inicial e fez várias vezes a cabeça em água ao compatriota Maxi Pereira. Lucho e Lisandro estiveram também muito activos, tanto a construir, como em zonas de finalização. O '8' portista teve mesmo na cabeça a melhor oportunidade da primeira parte, mas atirou por cima quando estava completamente isolado. O perigo rondou a baliza de Moreira em diversas ocasiões, mas os portistas revelaram-se perdulários, como já vem sendo costume nos jogos caseiros.

Apesar desta fase de algum assédio, o Benfica esteve sempre traquilo, concentrado e nunca se desuniu. Manteve sempre o bloco baixo, não permitindo ao adversário dispôr da sua melhor arma atacante - as transições rápidas - e nunca deixou de procurar contra-atacar quando havia possibilidades para isso. Reyes chegou a estar na cara do golo, mas Helton respondeu com uma grande defesa. O FC Porto foi superior na primeira parte, teve mais ocasiões para marcar e exerceu um maior domínio territorial, mas a forma adulta e personalizada como as 'águias' conviveram com essa situação, acabou por ser premiada, mesmo em cima do intervalo, com um belo golo de Yebda, de cabeça, na sequência de um canto executado por Reyes. Sem o justificar, o Benfica saiu para o intervalo em vantagem.

Na segunda parte o FC Porto continuou a ser mais dominador, mas jogou sempre com muito coração e pouca cabeça. Com o Benfica em vantagem e cada vez mais fechado, faltaram os espaços para os portistas aplicarem o seu futebol. O jogo de posse de bola nunca foi um dos pontos fortes deste FC Porto, que vivia de algumas arrancadas de Hulk (bom duelo com Moreira) e pouco mais. Os benfiquistas foram ganhando confiança e estiveram mesmo próximos de aumentar a contagem em alguns ataques rápidos, numa altura em que Aimar ía mostrando algum do perfume do seu futebol.

Di Maria já estava em campo, por troca com o esgotado Suazo. Jesualdo abriu a frente de ataque, colocando Mariano no lugar de Raúl Meireles. O jogo manteve a mesma toada de ataque contínuo e desorganizado do FC Porto, alternado com algumas investidas perigosas do Benfica. O golo do empate azul e branco haveria de surgir a 20 minutos do fim, através de Lucho González, na já descrita grande penalidade, num lance que veio repôr justiça no marcador. Após este golo, o jogo abrandou, parecendo claro que ambas as equipas, a partir de determinada altura, começaram a preocupar-se mais em não sofrer o segundo golo que em tentar chegar à vitória. Até ao apito final de Pedro Proença, poucos motivos de interesse mais há a realçar.

O FC Porto chegou a este clássico como favorito, mas a sua exibição acabou por defraudar as expectativas, tanto mais que a preparação para este jogo foi feita com especial cuidado, implicando mesmo a eliminação quase premeditada da Taça da Liga. Do lado oposto, o Benfica também não foi brilhante, mas a forma personalizada como se exibiu na casa dos tricampeões nacionais, foi uma agradável surpresa, a justificar amplamente o ponto conseguido.

Resultado justo, num clássico que não deixará saudades. Um estádio repleto com 50 110 espectadores merecia mais e melhor. O FC Porto mantém-se na liderança desta Liga Sagres, mas com a certeza de que terá de melhorar substancialmente as suas performances caseiras. A incapacidade que revela em ultrapassar defesas fechadas e bem organizadas, não augura facilidades até ao final do campeonato. O Benfica cumpriu o plano traçado para o jogo e segue na luta pelo título, mas a sua irregularidade exibicional faz-me pensar que a tarefa que se lhe depara é árdua. Aguardemos pelas próximas jornadas.

sábado, 1 de dezembro de 2007

CLASSE E TALENTO


BENFICA - FC PORTO 0 - 1
1ª Liga Portuguesa 2007-08
1 de Dezembro de 2007
Estádio da Luz (Lisboa)
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
Benfica: Quim; Luís Filipe, Luisão, David Luíz, Léo; Petit, Katsouranis (Cardozo 65'), Rui Costa; Maxi Pereira (Di Maria 71'), Nuno Gomes (Adu 79'), Cristian Rodríguez. Tr: José António Camacho
FC Porto: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Fucile; Paulo Assunção, Raúl Meireles (Bolatti 82'), Lucho González; Quaresma (Mariano González 69'), Lisandro, Tarik (Postiga 61'). Tr: Jesualdo Ferreira
Ao intervalo: 0 - 1
Marcador: 0 - 1 Quaresma 42'
CA: Fucile 44', Tarik 54', Katsouranis 63', Di Maria 76', Helton 87', Luís Filipe 90'+4'


Uma 'trivelada' à Quaresma resolveu o clássico dos clássicos e deixou o FC Porto ainda mais sózinho no topo da 1ª Liga, agora com sete pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Se dúvidas ainda restassem em consciências mais crentes, o jogo da Luz veio demonstrar cabalmente qual é a melhor equipa portuguesa, marcando as devidas diferenças existentes nesta altura entre Benfica e FC Porto.

O jogo foi preparado na ressaca da jornada europeia. O Benfica, apesar de não ter cumprido o objectivo de vencer, empatara em casa com o Milan, após uma boa exibição, potenciada também por uma certa descontracção dos milaneses. Já o FC Porto saíra de Anfield Road humilhado por um resultado pesado e inaceitável, aos pés do Liverpool. De repente, parecia que o Benfica é que estava na frente do campeonato e dependia de si para seguir na Champions, tal era a euforia instalada e a confiança reinante na esmagadora maioria da imprensa lusitana. O habitual neste país.

Após as alterações no onze operadas em terras inglesas, Jesualdo Ferreira voltou a apostar na equipa-tipo portista, fazendo regressar Pedro Emanuel ao centro da defesa, por troca com o infeliz Stepanov. No restante, foi aquilo que se esperava e impunha. Nos encarnados, José António Camacho manteve os mesmos elementos que haviam defrontado o campeão europeu. Em ambos os conjuntos, acabou por não haver qualquer surpresa nas constituições iniciais.

O jogo foi bom, muito vivo e com um ritmo bastante interessante. A primeira oportunidade, logo no primeiro minuto, desperdiçada por Nuno Gomes, indiciava uma predisposição benfiquista para atacar mais e se assenhorar da partida. Puro engano. A maior classe e maturidade dos jogadores portistas começou paulatinamente a fazer-se notar. Por volta do quarto de hora, o FC Porto já marcava o ritmo e controlava as operações. Apostava numa forte pressão média, garantindo, simultaneamente, tranquilidade à sua defesa e espaço na frente para ataques rápidos e bem mecanizados.

O Benfica não conseguia fazer dois passes seguidos, jogadas bem delineadas nem vê-las. Os azuis e brancos eram mais rápidos sobre a bola, a sensação que dava é que estavam em superioridade numérica. Bosingwa não deixava Rodríguez respirar, Fucile também chegava e sobrava para Maxi Pereira (aliás, neste duelo uruguaio, o médio-ala é que andou atrás do lateral), Assunção tratava de fazer desaparecer Rui Costa. Vários duelos individuais se travaram, logicamente que foram ganhos maioritariamente por quem beneficiava de melhor organização colectiva. Na sequência das infinitas recuperações de bola, muitas vezes em terrenos supostamente mais avançados que o normal, a bola passava por Raúl Meireles, mas era aos pés de Lucho que ela desejava chegar (já nem há palavras para o futebol simples e, ao mesmo tempo, tão magnífico do internacional argentino; com maior intensidade de jogo e resistência seria certamente um dos melhores médios do mundo). Aí, bola nos extremos, que, com uma mobilidade constante, íam carrilando jogo pelas faixas, ora cruzando, ora procurando espaços interiores. Lisandro, mestre nas movimentações, ía ajudando à festa.

O futebol colectivo do FC Porto tinha já silenciado a multidão encarnada. A superioridade técnico-táctica era evidente e cheirava a 0 - 1. Tarik foi o primeiro a avisar seriamente. Seguiram-se Quaresma e Lisandro, este com uma perdida incrível na cara de Quim, após cruzamento primoroso de Bosingwa. Mas o golo não tardou: Quaresma recebe de Lucho, progride até à área, faz aquela maldade a David Luíz e atira de trivela para o fundo das redes. Com classe. Com talento. Com génio. Quando o '7' portista corria para a área, comentei com um amigo meu que me acompanhou na transmissão televisiva qualquer coisa parecida com: "Ele vai fintar para dentro e rematar de trivela"! E não é que me fez a vontade?! Obrigado Quaresma por estes momentos sublimes de talento, por contigo o futebol ir além das opções seguras e previsíveis. Intervalo, 0 - 1, resultado escasso perante tamanha superioridade.

Na segunda parte, os homens da casa apareceram melhor, como era natural. A perder em casa com direito a banho colectivo e virtualmente a sete pontos do seu opositor, competia ao Benfica correr atrás do prejuízo. Ainda assim, a primeira oportunidade nasceu de uma fífia monumental de Bruno Alves, que permitiu a Nuno Gomes aparecer isolado perante Helton. O remate foi bom mas o guardião portista fez a primeira de duas defesas providenciais.

O ascendente passou a pertencer aos pupilos de Camacho. Subiram em bloco, pressionaram mais à frente, mas notava-se que a clarividência não era a melhor. O assalto à defesa portista fez-se mais com o coração que com a cabeça. Fruto deste comportamento, o Benfica ía atacando mais, é certo, mas permitia também ataques venenosos ao adversário. Num deles, Quaresma teve nos pés a sentença final, mas rematou ao lado, após fantástica assistência de Lisandro.

Mas o Benfica cresceu, é justo reconhecer. O FC Porto passou por algumas dificuldades para cobrir o espaço à entrada da sua área, facto a que não será alheia a entrada de Cardozo, que obrigou Assunção a recuar um pouco. Após mais um falhanço de Nuno Gomes, agora de cabeça (assim é difícil ser considerado um grande avançado), o recém-entrado Adu proporcionou a tal sensacional segunda parada a Helton, com um remate seco à entrada da área. Petit, logo a seguir, também tentou a sorte de longe e a bola passou bem perto do poste.

Inteligentemente, Jesualdo lançou Bolatti para junto de Assunção e este foi o rombo final nas aspirações benfiquistas. Não mais o FC Porto passou por sobressaltos, voltando àquela atitude inteligente, controladora, madura, eficaz. Bastou segurar a bola e deixar o tempo correr até ao minuto 94. E que doloroso deve ter sido para o Benfica passar a quase totalidade dos 4 minutos de compensação a cheirar a bola.

Se há jogos cuja justiça do resultado não merece sequer discussão, este foi seguramente um deles. O FC Porto deu uma demonstração de força em plena capital, de superioridade em relação ao seu principal rival e de capacidade reactiva depois da goleada sofrida em Anfield. As grandes equipas são assim, levantam-se depressa e são capazes de triunfar nos ambientes mais hostis.

Lisandro foi o melhor jogador em campo. Apesar de não ter facturado, movimentou-se muito e bem, correu que se fartou, ora em busca de espaços, ora pressionando os adversários, e lançou o pánico na defesa encarnada por diversas ocasiões. É admirável ver como um jogador tão bom tecnicamente e tão goleador, participa de forma tão solidária no trabalho colectivo. Quaresma decidiu com o seu talento ímpar. Tarik realizou uma óptima primeira parte. Nesse período, Lucho também esteve soberbo. Assunção é aquele pêndulo indispensável que não sabe jogar mal. Pedro Emanuel foi o patrão da defesa, conferindo ao sector serenidade e experiência. Helton foi decisivo naquelas duas intervenções. Meireles, Bosingwa, Fucile, Bolatti, enfim, quase todos os 'dragões' estiveram bem. Talvez Bruno Alves, Postiga e Mariano tenham estado uns furos abaixo, por diferentes razões, mas nada que abalasse a vitória incontestável. No Benfica, Rui Costa foi mesmo o menos mau. Adu, no pouco tempo que teve para se mostrar, reclamou mais tempo de jogo e quem sabe a titularidade em alguns encontros. No duelo de treinadores, Jesualdo goleou Camacho. A organização colectiva do FC Porto não foi obra do acaso, nem resultou unicamente do facto de deter melhores intérpretes. Há ali muito cunho pessoal do Professor, os meus parabéns também para ele, tantas vezes injustiçado, a maioria delas pelos próprios portistas.

O árbitro portuense Jorge Sousa, esteve mal ao não assinalar um penalty escandaloso, por derrube de David Luíz a Lisandro, logo aos 13 minutos, lance que resultaria no segundo amarelo ao brasileiro. Acabou por não influenciar o curso do jogo graças à supremacia azul e branca.

É cedo para se fazerem as contas do campeonato. Muito cedo. Mas sete pontos de avanço em doze jornadas e atendendo à diferença patente de qualidade que separa os portistas dos demais...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

DRAGÕES 'ON FIRE'


1ª Liga - 5ª Jornada

O FC Porto foi o grande vencedor desta 5ª jornada da 1ª Liga. Foi ao sempre complicado terreno do aguerrido P.Ferreira arrancar uma inequívoca vitória por 0 - 2, demonstrando uma atitude séria, profissional, batalhadora e ganhadora. Beneficiou depois dos empates dos seus maiores rivais: o Benfica empatou a zero em Braga, o Sporting não foi além de uma igualdade caseira a duas bolas frente ao Setúbal. Com isto, o FC Porto cavou um fosso maior para os emblemas da Capital, detendo agora cinco e seis pontos de vantagem sobre, respectivamente, 'leões' e 'águias'. Preocupante? Eu diria que sim. O Marítimo prossegue o seu percurso surpreendente e somou o quarto triunfo, batendo (2 - 0) o excelente Belenenses, vindo da boa jornada europeia em Munique. Os homens de Lazaroni seguem na segunda posição a três pontos dos portistas. Na abertura da ronda, o Guimarães mostrou a sua força e goleou (1 - 4), na Figueira da Foz, a frágil equipa da Naval, acabadinha de despedir Francisco Chaló. O Leixões desiludiu ao empatar em casa com o Nacional a um golo, mantendo uma posição no meio da tabela. Nos dois restantes jogos (U.Leiria - E.Amadora e Boavista - Académica), outros tantos nulos e um futebol paupérrimo, nada de anormal quando se fala das equipas que jogaram em casa.


Jogos:

NAVAL - GUIMARÃES 1 - 4
1 - 0 Paulão 13'
1 - 1 Flávio Meireles 31'
1 - 2 Fajardo 32'
1 - 3 Mrdakovic 49'
1 - 4 Ghilas 76'
Segunda vitória dos vimaranenses, que começam agora a mostrar a sua força e a dissipar, paulatinamente, algumas dúvidas que ainda existiam desde o início da época. Manuel Cajuda começa a incutir as suas ideias nos jogadores vitorianos e isso é garantia quase certa de um lugar cimeiro na classificação, talvez entre os seis primeiros. A Naval até começou bem, inaugurando o marcador por Paulão, que respondeu de cabeça a um pontapé de canto. Só que a personalidade e maior qualidade vimaranense veio à tona e, não acusando o golo sofrido, partiu para cima do adversário, de tal forma que ao intervalo já tinha dado a volta ao marcador. Flávio Meireles e Fajardo (continua em grande este ex-navalista) materializaram esse assalto à baliza de Wilson Júnior, com dois bons golos. Na segunda metade, mais do mesmo, a Naval sem soluções e o Guimarães a controlar o jogo com serenidade e confiança. O golo madrugador de Mrdakovic ajudou a matar definitivamente alguma esperança que pudesse restar aos figueirenses. O artista Ghilas ainda teve tempo de fazer também ele o gosto ao pé e fixar o 'placard' num robusto e indiscutível 1 - 4. Talvez esta derrota pesada ajude o presidente da Naval a repensar a sua forma de estar no futebol, pois despedir um técnico à 4ª jornada, logo após o ter contratado, não é mais do que fugir às suas responsabilidades e admitir a sua própria incompetência.

LEIXÕES - NACIONAL 1 - 1
0 - 1 Lipatin 15'
1 - 1 Nuno Diogo 79'
Quinto empate consecutivo dos leixonenses, no jogo de estreia da sua verdadeira casa, o Estádio do Mar. Além do resultado algo desolador para uma equipa que jogava em casa perante outra pior classificada, o que realmente foi frustrante foi o fraco desempenho evidenciado pelos pupilos de Carlos Brito. Futebol trapalhão, feio e desligado, aliado à precipitação defensiva só poderia dar em golo sofrido. Lipatin, o tal que não serviu para o Marítimo, foi o concretizador de serviço. Para o segundo tempo, o técnico leixonense arriscou, como aliás lhe competia. Lançou Nwoko e catapultou a sua equipa na procura do empate. Abriu, é verdade, maiores espaços lá atrás e só a atenção de Beto evitou, em duas ocasiões, novo tento de Lipatin. A persistência do Leixões, potenciada pelo fervor da sua massa adepta nas bancadas, acabou por dar os seus frutos e Nuno Diogo lá conseguiu enviar a bola para o fundo das redes à guarda de Diego Benaglio. Já ao cair do pano, a reviravolta poderia ter surgido, mas Jorge Gonçalves atirou ao poste. Resultado justo.

BRAGA - BENFICA 0 - 0
A excelente moldura humana presente no Municipal de Braga merecia mais que este pobre espectáculo. Jogo sempre muito disputado a meio-campo, sem arte nem inspiração, valendo apenas pelo empenho dos jogadores e, apesar de tudo, pela incerteza no resultado até ao final. As jogadas de perigo foram uma raridade, tendo a maior pertencido ao bracarense Linz, que com uma bela cabeçada, proporcionou a defesa da noite a Quim. Um remate de Cristian Rodríguez para defesa instintiva de Dani Mallo foi o melhor que se viu à turma de Camacho. Para quem gosta de futebol e tem prazer em vislumbrar razões para que se possa exaltar o futebol português, é sempre frustrante quando um jogo entre duas das melhores equipas lusas resulta num triste espectáculo sem golos. No Benfica, apenas Quim e o jovem camaronês Binya se evidenciaram. No Braga, todos estiveram a um nível médio-baixo, inclusivé o técnico Jorge Costa, que não soube como ganhar um jogo que, pelo que se viu, estava claramente ao alcance. Por falar em técnico, alguém me explica aquelas substituições do Camacho?


MARÍTIMO - BELENENSES 2 - 0

1 - 0 Kanu 26'
2 - 0 Makukula 90'
O Marítimo soma e segue nesta 1ª Liga. Desta vez a vítima foi o Belenenses de Jorge Jesus que, apesar da réplica dada ao Bayern Munique a meio da semana, não resistiu ao maior poderio actual dos maritimistas. Foi a quarta vitória em cinco jogos para os comandados de Lazaroni que, recorde-se, só foram batidos pelo bicampeão FC Porto. O Marítimo exibiu sempre maior personalidade e serenidade, embora os de Belém procurassem sempre responder, sem se remeterem demasiado à sua defensiva. Depois de algumas ameaças de parte a parte, Kanu, isolado por Bruno, resolveu acertar no alvo e adiantar a sua equipa no decorrer da primeira metade. Após o descanso, o Belenenses surgiu mais subido e dominador, mas a profundidade nunca foi suficiente para causar grandes embaraços a Marcos. O Marítimo aguentou bem a ténue pressão e viria ainda a aumentar o 'score', através da eficácia do seu goleador-mor Makukula. Triunfo justo dos madeirenses, embora a diferença tangencial talvez fosse mais ajustada ao que se passou no relvado. Palmas para este Marítimo, tem sido uma lufada de ar fresco neste futebol nacional pouco concretizador e muito jogado aos repelões.


P.FERREIRA - FC PORTO 0 - 2

0 - 1 Lisandro 11'
0 - 2 Lisandro 67'
Na minha opinião, esta foi uma excelente vitória do FC Porto, se tivermos em conta as dificuldades que o Paços impõe a qualquer adversário sempre que actua no seu terreno. O que mais me agradou foi a atitude de querer ganhar revelada por todos os jogadores azuis e brancos, a forma como correram e lutaram desde o início pelos três pontos. Lisandro, sempre ele, personificou na perfeição o espírito de sacrifício colectivo e foi o autor dos golos que selaram a quinta vitória consecutiva do FC Porto nesta liga. O jogo foi extremamente vivo e intenso, com transições rápidas de ambos os lados e a bola a circundar as duas balizas. Na verdade, o Paços foi sempre um rival muito incómodo e procurou jogar no campo todo, mas o certo é que o controlo da partida esteve sempre do lado dos 'dragões' e o resultado acaba por espelhar a diferença de qualidade entre ambos os conjuntos. Nota positiva para os passes para golo de Bruno Alves e Leandro Lima, para a frieza categórica de Lisandro na hora de bater Peçanha e para Jesualdo que, desde o banco, soube ler o jogo, mexer bem nas pedras e no tempo certo. Uma palavra de apreço para a actuação de Edgar como avançado titular. Movimentou-se sempre muito e bem, revelou capacidade para ganhar infinitos lances pelo ar e só uma grande intervenção de Peçanha o impediu de fazer o gosto... à cabeça. O FC Porto segue como líder incontestado e, pelo que se tem visto da globalidade do campeonato, promete manter o estatuto por bastante tempo.


U.LEIRIA - E.AMADORA 0 - 0

A turma de Paulo Duarte já mostrou que o seu forte não é jogar um futebol virado para a frente e procurar fazer golos e este jogo foi apenas mais um exemplo disso mesmo. As ridículas assistências que se dão ao trabalho de ir ver os leirienses mereciam bem mais que dois golos marcados em cinco jogos. É verdade que a U.Leiria mandou no jogo do princípio ao fim, acercou-se inúmeras vezes da baliza amadorense, mas as oportunidades resumem-se a dois lances, um de João Paulo e outro de N'Gal (nem isolado foi capaz de dar uma alegria àqueles adeptos...). O Estrela, muito organizado e pouco audacioso, pouco mais fez que esperar pelo apito final e levar um pontinho para casa. Não está em causa a valia de Daúto Faquirá, mas a mentalidade patenteada neste encontro não faz falta ao nosso futebol. Não prevejo grandes feitos para qualquer destas duas equipas nesta temporada.


SPORTING - SETÚBAL 2 - 2

0 - 1 Elias 41'
1 - 1 João Moutinho 64' gp
1 - 2 Matheus 78'
2 - 2 Purovic 86'
É sempre de saudar um jogo com muitos golos, caso raro nesta jornada e nesta liga em geral, portanto jogos destes são sempre bem-vindos, apesar do relvado lastimável que deve fazer corar de vergonha qualquer responsável sportinguista. Como Paulo Bento admitiu no final, o Sporting entrou a dormir e quase nada fez de relevante durante os primeiros 45 minutos. Ao invés, os setubalenses Matheus, Pitbull e Elias causaram bastantes problemas à defesa leonina, com saídas rápidas para o ataque. Numa delas, Elias abriu a contagem e levou a sua equipa para o intervalo com uma justíssima vantagem. Para a segunda parte, Bento emendou a mão e retirou Farnerud e Gladstone, claramente a mais no onze. As entradas de Izmailov e Romagnoli melhoraram naturalmente o jogo do Sporting que passou a criar uma série de ocasiões para empatar a partida. Golo que chegou de grande penalidade, existente, a castigar uma falta sobre Abel em cima do risco delimitador da área. O Sporting continuou a carregar mas foi o Setúbal que marcou, num remate de Matheus, com muitas culpas para Stojkovic, que continua a acumular erros atrás de erros e a desiludir quem confiou em si. Purovic, finalmente, lá conseguiu acertar com a baliza e dar o empate ao Sporting, mas no final o público não se poupou nos assobios. Até porque, não fosse o árbitro ter-se esquecido de assinalar um penalty claro a favor dos sadinos ainda no primeiro tempo, e este empate seria uma derrota. O que não vale tantas queixinhas...


BOAVISTA - ACADÉMICA 0 - 0

Péssimo jogo de futebol e assim não admira que a maior parte dos estádios portugueses estejam às moscas. Mas alguém no seu perfeito juízo dará o pouco dinheiro que seja (e sabemos que não é) para ver 22 malucos atrás de uma bola?! O Boavista tem um golo marcado em cinco jogos e percebe-se bem porquê: jogadores medíocres e um treinador pouco ambicioso, bem longe daquele que se sagrou campeão nacional em 2000-01. Não iria ver este jogo ao vivo nem de borla e, mesmo pela TV, é grande a vontade de mudar de canal. Ainda assim, os axadrezados podem queixar-se da falta de sorte e da incompetência de Lucílio Baptista. Duas bolas enviadas à trave, por Diakité e Jorge Ribeiro (o melhor em campo), são motivo, de facto, para lamentar a pouca fortuna. Por outro lado, em cima do minuto 90, o árbitro não assinalou uma grande penalidade absolutamente escandalosa, por mão descarada de Cris no interior da área. Erros destes são muito difíceis de digerir e o Boavista pode alegar com razão ter sido prejudicado, mas isso não pode fazer esquecer a confrangedora ausência de futebol na turma do Bessa. Ó Jaime Pacheco, assim não vais lá...




Equipa da Jornada:



Quim (Benfica):
o guardião português atravessa um bom momento e em Braga isso notou-se. Revelou segurança ora nas saídas, ora entre os postes, onde realizou três intervenções salvadoras. A melhor delas, respondendo a um cabeceamento com selo de golo de Linz, foi mesmo a defesa da noite. Não considero Quim um grande guarda-redes, mas, nesta altura, merece mais a titularidade na Selecção Nacional que Ricardo, que se tem fartado de sofrer golos no Bétis.


Abel (Sporting):
não obstante os problemas defensivos sentidos pela inspiração de Matheus, foi absolutamente decisivo nos dois golos leoninos, tendo sofrido a falta que originou o penalty e efectuado o cruzamento para o tento do empate. Uma exibição à sua imagem.


Bruno Alves (FC Porto):
exibiu a segurança habitual a comandar a defesa portista e foi um obstáculo intransponível para os irrequietos atacantes pacenses. Teve ainda tempo para subir ao ataque e lançar Lisandro para o golo inaugural. Assume-se cada vez mais como um jogador de óptimo nível.


Nuno Diogo (Leixões):
marcou o golo que salvou o Leixões de uma derrota caseira diante do Nacional. Subiu à area adversária e fez uso do seu bom jogo aéreo para facturar. Na defesa, exibiu-se em plano regular. O golo que marcou foi mesmo o factor de desequilíbrio face aos restantes centrais, numa jornada em que nenhum brilhou de forma particularmente intensa.


Jorge Ribeiro (Boavista):
o irmão de Maniche agrada-me como jogador e, dada a escassez de laterais-esquerdos portugueses de raíz, poderia ter atingido um patamar mais elevado na sua carreira. Foi o melhor em campo no pobre Boavista-Académica. Subiu sempre a propósito pela sua faixa e ainda enviou uma bola ao ferro.


Flávio Meireles (Guimarães):
magnífica exibição deste vitoriano dos sete costados. Esteve literalmente em todo o lado, varrendo por completo a zona central do terreno, recuperando infindáveis bolas e lançando a sua equipa para a frente. A coroar o seu desempenho, marcou um belo golo de cabeça, respondendo fulgurantemente a um livre lateral. Um líder.


João Moutinho (Sporting):
a mesma qualidade e entrega, mesmo jogando em duas posições distintas: médio-defensivo e médio-ofensivo. É daqueles que só surpreende quando joga mal e o Sporting deve-lhe boa parte da melhoria colectiva no segundo tempo. Facturou de penalty o seu segundo golo nesta liga.


Romagnoli (Sporting):
no banco pela primeira vez esta temporada, o 'playmaker' argentino entrou ao intervalo e mudou completamente o rumo do jogo contra o Setúbal. Correu muito, jogou e fez jogar, deu fluidez à manobra atacante do Sporting, teve boas iniciativas individuais e só não marcou porque Eduardo mostrou atenção.


Desmarets (Guimarães):
embora seja esquerdino, concedo-lhe o lado direito do ataque nesta 5ª jornada. Esteve endiabrado diante da Naval, participando activamente em três dos quatro golos vimaranenses. Enfrenta uma concorrência forte e não é titular indiscutível, mas neste desafio esteve excelente e constitui-se como opção muitíssimo válida para Manuel Cajuda.


Lisandro (FC Porto):
foi a grande figura da jornada, ao apontar os dois golos da vitória do FC Porto na Mata Real, plenos de oportunidade e capacidade goleadora. A juntar ao bis, a habitual disponibilidade para se movimentar por todo o lado, com ou sem bola, atacando ou defendendo. Merece a admiração dos adeptos.


Matheus (Setúbal):
mais uma excelente exibição do extremo-esquerdo brasileiro, que juntando a outras realizadas anteriormente, fazem dele a maior estrela sadina até ao presente momento. Em Alvalade, foi uma seta apontada à baliza de Stojkovic e o golo que assinou foi apenas uma pequena parte do trabalho global. Uma bela surpresa para mim.




O facto:



O aumento da vantagem do FC Porto sobre os seus mais directos adversários na luta pelo título, Sporting e Benfica, são a nota de maior destaque desta 5ª jornada. A procissão ainda vai no adro, mas cinco e seis pontos de diferença, alcançados em apenas cinco rondas, devem ser motivo de preocupação lá para os lados da Segunda Circular. Neste defeso, muitas dúvidas se colocaram quanto à prestação portista, alicerçando-se a argumentação nas pretensas limitações técnicas e motivacionais de Jesualdo Ferreira, nas perdas de Anderson e Pepe, bem como na fraca fiabilidade dos reforços contratados. Por outro lado, a confiança nos clubes lisboetas parecia crescente. Camacho foi visto como o D.Sebastião encarnado, solução para todos os males e garantia de vitórias a curto prazo. Paulo Bento segue no seu prolongadíssimo estado de graça e quase ninguém ousa duvidar da sua valia enquanto treinador. A verdade é que os resultados dão, tal como no começo da época passada, vantagem segura a Jesualdo Ferreira, de nada valendo a ideia quase unânime de que será o pior timoneiro dos três. O momento da quebra azul e branca chegará, empates e derrotas irão por certo acontecer, mas será difícil que o eventual declínio seja tão acentuado como em 2006-07. E Sporting e Benfica também não irão ganhar sempre. Estamos no início, nada está decidido, mas é bom ir lá na frente e ver os adversários ao longe. Para já, o Marítimo é mesmo a principal ameaça.




Assistências:



Naval - Guimarães: 992
Leixões - Nacional: 4.100
Braga - Benfica: 21.804
Marítimo - Belenenses: 5.777
P.Ferreira - FC Porto: 2.689
U.Leiria - E.Amadora: 835
Sporting - Setúbal: 30.106
Boavista - Académica: 4.152
Total: 70.455
Média: 8.806

domingo, 9 de setembro de 2007

GRANDES VITORIOSOS


1ª Liga - 3ª Jornada

Não houve grandes surpresas nesta 3ª jornada da liga. Os três crónicos candidatos ao título venceram os seus opositores, com o Sporting a ser aquele que mais dificuldades sentiu, apesar de jogar em sua casa. Um golo de Liedson já perto do final salvou os 'leões' do empate frente ao Belenenses. O FC Porto foi a Leiria derrotar a União local por margem folgada, à semelhança do Benfica que trouxe da Choupana três golos e pontos na bagagem. O Marítimo continua a surpreender e somou a sua terceira vitória consecutiva (2 - 0 diante da Académica), seguindo no topo da classificação, lado a lado com o FC Porto. O Braga também fez o que lhe competia e triunfou (2 - 1) em casa defronte do E.Amadora. De resto, Naval e Setúbal empataram a zero, P.Ferreira e Boavista empataram a um e, no jogo que tinha aberto as hostilidades, Leixões e Guimarães fizeram-no a duas bolas, num magnífico espectáculo de futebol. Embora estejamos ainda numa fase inicial, a tabela classificativa começa já a fazer uma selecção consoante a qualidade das equipas: os teoricamente mais fortes começam a chegar-se à frente e os mais fracos a ficarem para trás, a excepção será mesmo o Belenenses, de quem se esperava algo mais que o actual pontinho.


Jogos:

LEIXÕES - GUIMARÃES 2 - 2
1 - 0 Paulo Machado 5'
1 - 1 Fajardo 19'
2 - 1 Vieirinha 35'
2 - 2 Fajardo 77'
Foi o jogo de abertura da 3ª jornada e, porventura, o melhor. Fruto da recente rivalidade criada na Liga de Honra e dos problemas havidos entre adeptos no jogo de apresentação da equipa leixonense, este encontro encerrava alguma preocupação, mas tudo acabou por correr pelo melhor. No relvado o espectáculo foi fantástico, com um ritmo elevado, jogadas perigosas e ambas as formações à procura da vitória. Os vimaranenses deram muito boa conta de si, mesmo tendo jogado largos minutos em inferioridade numérica - por expulsão directa de Radanovic -, anulada mais tarde com o duplo-amarelo a Vieirinha. O Leixões foi ligeiramente superior mas o empate acaba por ser o resultado mais justo e o que melhor espelha o desempenho das duas equipas. As cerejas no topo do bolo foram os quatro grandes golos apontados por Paulo Machado, Fajardo (duas vezes) e Vieirinha, com especial destaque para este último, claramente o melhor da jornada. O médio Fajardo foi o melhor em campo e continua a realizar uma temporada de grande nível. A continuar assim dificilmente não estará num grande na próxima época.

BRAGA - E.AMADORA 2 - 1
0 - 1 N'Diaye 8'
1 - 1 Rodriguez 81'
2 - 1 Linz 87'
O Braga vai somando pontos preciosos mas, face às crescentes expectativas, continua sem convencer. Desta feita, sofreu muito para derrotar um E.Amadora muito bem organizado, sempre ameaçador no contra-ataque e muito forte nas bolas paradas. Foi num desses lances que N'Diaye abriu o activo, após livre do lado direito batido por Mateus. O Braga denotou sempre falta de soluções para furar a bem escalonada defensiva estrelista e contam-se pelos dedos as ocasiões em que chegou com perigo junto da baliza de Nélson. Só após a entrada do endiabrado Zé Manel, aos 68 minutos, é que a equipa de Jorge Costa começou a carburar e a colocar em verdadeiro sentido o seu adversário. Desta pressão nasceram os dois golos da vitória bracarense. O primeiro foi da autoria de Rodriguez, após um pontapé de canto. O golo da vitória foi apontado por Linz, na sequência de uma arrancada imparável de Zé Manel, pois claro. O árbitro anulou um golo ao E.Amadora, por fora-de-jogo de Moses, quanto a mim acertadamente, já que, apesar de não tocar no esférico, Moses atrapalha a visão de Dani Mallo, interferindo decisivamente na jogada. Uma vitória arrancada a ferros de um Braga que não deslumbra, mas obtém resultados e segue lá em cima, a par do Sporting.

P.FERREIRA - BOAVISTA 1 - 1
1 - 0 Cristiano 34'
1 - 1 Bangoura 83'
Jogo fraco em que os pacenses fizeram por merecer a vitória, mas um erro inacreditável do árbitro-assistente Serafim Nogueira, que não assinalou um fora-de-jogo de quilómetros a Bangoura, no golo do empate boavisteiro, acabou por definir a divisão de pontos. Na primeira parte, o P.Ferreira foi senhor do jogo, cabendo aos comandados de Jaime Pacheco apenas a tarefa de destruir futebol. Além do golo de Cristiano, realce para uma bola no poste enviada por Furtado. Após o descanso, o Boavista procurou equilibrar, mas sem nunca criar jogadas de verdadeiro perigo. Aliás, a turma de José Mota esteve sempre mais perto de fazer o segundo do que sofrer o empate. Quem não marca sofre, diz o senso comum e é bem verdade, ainda que desta vez o impulso tenha sido dado por um erro absolutamente escandaloso. Mesmo ao cair do pano, o miúdo Ivan teve nos pés o golo da vitória do Boavista que, a bem da justiça, acabou por não acontecer. Duas equipas com um futebol medíocre, que têm muito para melhorar.

NAVAL - SETÚBAL 0 - 0
Um nulo no marcador, num mau espectáculo, onde as equipas jogaram ora devagar, ora devagarinho, ora paradas. Na bancada, pouco mais de um milhar de espectadores. Em suma, um daqueles jogos que não deixam saudades, que contribuem para a fraca imagem da liga portuguesa além-fronteiras. No relvado, a Naval, a jogar em casa, deteve algum ascendente, mas foi ao Setúbal que coube as melhores oportunidades, através de contra golpes rápidos e objectivos. A melhor chance da partida, igualmente sadina, foi na sequência de um livre, em que Adalto fez embater a bola no poste, aparecendo Leandro a recargar por cima. Resultado justo, com ambas as equipas a merecerem terminar o jogo sem golos. Que dizer mais?

MARÍTIMO - ACADÉMICA 2 - 0
1 - 0 Makukula 3'
2 - 0 Bruno 70'
Boa casa nos Barreiros para apoiar um surpreendente Marítimo, que se mostrou forte de mais para uma Académica que parece querer seguir pelo mesmo caminho tumultuoso da época passada. Nem mesmo o facto de terem jogado desde os 7 (!) minutos em superioridade numérica valeu aos 'estudantes'. Manuel Machado terá muito que corrigir daqui em diante, a começar por ele próprio. O jogo começou praticamente com o golo de Makukula, que se isolou após um passe longo e bateu Pedro Roma, perante a passividade da defesa academista. Com o excesso dos festejos e uma entrada dura pouco depois, o goleador-mor maritimista acabou por receber ordem de expulsão, deixando a equipa de Lazaroni a jogar com dez homens. Contra aquilo que seria de esperar, a Académica não aproveitou esse facto, continuando a pertencer aos locais o melhor futebol e as melhores oportunidades de golo, toada mantida ao longo dos 90 minutos. De livre directo, Bruno ainda teve tempo para mostrar o seu talento neste tipo de lances e fixar o resultado num 2 - 0 merecido e incontestável, coroando uma exibição pessoal de alto gabarito. Fábio Felício também esteve em evidência, exibindo um pé esquerdo de largos recursos e sendo um dos principais motores de arranque do Marítimo.

SPORTING - BELENENSES 1 - 0
1 - 0 Liedson 80'

Grande jogo de futebol, com duas equipas à procura do triunfo, embora com natural proeminência do Sporting, vindo de uma derrota no Dragão e com necessidade imperativa de conquistar os três pontos. Os 'leões' tiveram mais oportunidades na primeira parte, mas o remate ao poste de Rubém Amorim - grande exibição do jovem português - foi mesmo o momento mais perigoso a que se assitiu. A segunda metade praticamente começou com o caso do jogo: Liedson surge isolado na cara de Costinha e este derruba-o, o árbitro assinala penalty e expulsa o guardião azul. Decisão inteiramente correcta, na minha opinião, tanto técnica como disciplinarmente; o árbitro fez o que se impunha numa jogada clara de golo travada em falta. Todavia, chamado a marcar o castigo máximo, João Moutinho, sem convicção, permitiu a defesa do recém-entrado Marco. Com um homem a mais, Paulo Bento arriscou e passou a jogar com apenas três defesas, mas o Sporting intranquilizou-se e os problemas para chegar à baliza belenense aumentaram. Só uma bela iniciativa de Vukcevic pela esquerda, que cruzou para Liedson facturar de cabeça, permitiu aos sportinguistas respirarem de alívio. Um jogo muito sofrido, que o '31' do costume resolveu e em que Vukcevic começou a justificar o investimento feito na sua contratação.

U.LEIRIA - FC PORTO 0 - 3
0 - 1 Tarik 37'
0 - 2 Lisandro 49'
0 - 3 João Paulo 65'
Deste jogo sobram várias bases de análise. O jogo não foi famoso, longe disso; o FC Porto limitou-se a jogar o quanto baste para conseguir golear um U.Leiria débil e sem capacidade para acompanhar as mudanças de ritmo esporádicas impostas pelos bi-campeões nacionais. Logo aos 3 minutos, Bruno Alves abriu o activo, mas o árbitro-assistente, de forma errada, assinalou um fora-de-jogo inexistente. Com efeito, coube a Tarik inaugurar o marcador, fruto de um belo trabalho na área leiriense. Já na segunda parte, Lisandro aumentou o 'score' num lance que deveria ter sido invalidado, já que o cruzamento de Bruno Alves para a cabeça do argentino partiu já fora da linha de fundo. Sem forçar mas a dominar por completo, o FC Porto chegou ao terceiro, por intermédio de João Paulo, que respondeu de cabeça a mais um cruzamento açucarado de Quaresma (já o havia feito no primeiro golo). Tudo normal em Leiria: assistência ridícula para o jogo em questão, triunfo do FC Porto sem precisar de se empregar a fundo e posteriores lamúrias dos habituais Velhos do Restelo porque os portistas foram beneficiados, como sempre, dizem eles! Nem sequer me vou dar ao trabalho de rebater estas considerações sobre a arbitragem, as pessoas inteligentes sabem que não houve qualquer influência no resultado, aliás só a supremacia azul e branca sobre os leirienses impediu que o FC Porto pudesse ter sido prejudicado nesta contenda.

NACIONAL - BENFICA 0 - 3
0 - 1 Cardozo 18'
0 - 2 Rui Costa 69'
0 - 3 Cardozo 77' gp
Excelente e volumosa vitória benfiquista num terreno tradicionalmente complicado, perante uma equipa que continua a desiludir na presente temporada. O Benfica foi dono e senhor da partida e o dedo de Camacho começa a fazer-se sentir paulatinamente, sobretudo nos aspectos anímicos e de atitude. O primeiro golo apontado por Cardozo nasceu de um erro clamoroso de Diego Benaglio. Já na etapa complementar, Rui Costa elevou a contagem, na sequência de uma espectacular iniciativa individual, culminada com um remate seco e rasteiro na direcção das redes. Mais tarde, Diego Benaglio derrubou o estreante Maxi Pereira na área e Cardozo aproveitou para bisar e fixar o resultado em 3 - 0. No Benfica, Cardozo começou finalmente a justificar o elevado investimento feito nos seus serviços e fez dois golos. Em destaque estiveram também Petit, Rui Costa e Di Maria (este vai dar que falar). Do lado nacionalista, foi a desilusão total, a começar pelo seu guardião, que com dois erros comprometedores, acabou por facilitar a vida aos encarnados. Apenas o brasileiro Fellype Gabriel se salvou do naufrágio colectivo, com alguns bons apontamentos de ordem técnica e organizativa. Sem deslumbrar, o Benfica venceu tranquilamente e promete melhorias para o futuro.


Equipa da jornada:

Marco (Belenenses): é um guarda-redes interessante e tive pena do azar que sofreu no jogo com o Real Madrid, dando um 'frango' monumental no último minuto e penalizando a sua equipa com a derrota. Chamado ao relvado para substituir o expulso Costinha, mostrou que não se deixou afectar, defendendo o penalty de João Moutinho e a recarga seguinte de Liedson. Em grande.

Abel (Sporting): atravessa um momento favorável de forma e isso notou-se na partida com o Belenenses. Susteve o jogo adversário pelo seu flanco e aventurou-se inúmeras vezes no ataque com clarividência. Tentou o golo, sem sucesso.

Polga (Sporting): mais um jogo de altíssimo nível, especialmente no período em que Paulo Bento apostou numa defesa a três. Sou um admirador confesso da classe deste central brasileiro, o mesmo parece não suceder com o seleccionador brasileiro Dunga, que recentemente convocou para o 'escrete' o sportinguista... Gladstone!

Ediglê (Marítimo): segunda nomeação para a equipa da jornada deste central brasileiro. Imperial e sereno na defesa, teve ainda engenho para isolar Makukula no primeiro golo maritimista, com um passe de longa distância. Estrangeiros desta qualidade são sempre bem-vindos ao futebol português.

Fábio Felício (Marítimo): à falta de um lateral-esquerdo de raíz em particular evidência, optei por adaptar este médio/extremo canhoto ao sector mais recuado. A quantidade de jogo que sai daquele pé esquerdo e a precisão dos seus cruzamentos são impressionantes.

Rúben Amorin (Belenenses): grande exibição do jovem português em Alvalade. Assume-se cada vez mais como o patrão do meio-campo belenense com o seu futebol adulto, personalizado e objectivo. Além de pautar o ritmo da sua equipa, teve tempo ainda para protagonizar o lance de maior perigo para Stojkovic, rematando de fora da área ao poste. Petit e Raúl Meireles também estiveram em excelente plano.

Fajardo (Guimarães): ou muito me engano, ou Fajardo não vai permanecer muito tempo na Cidade-Berço. Mais uma espectacular actuação do médio, coroada com dois golos frente ao Leixões, o segundo dos quais soberbo. É um típico '8', aquele médio que dá intensidade ao jogo, defendendo e atacando com igual eficácia. Um pequeno Maniche.

Rui Costa (Benfica): a sua genialidade continua intacta e o golo que marcou ao Nacional é a prova disso mesmo. Jogando mais recuado que o normal, procurou auxiliar Petit na luta do meio-campo e foi o estratega de todo o futebol ofensivo com a habitual excelência do seu pé direito, não sendo visíveis limitações físicas relevantes. É de saudar este ressurgimento do verdadeiro '10' lusitano, depois das lesões que insistentemente o apoquentaram em 2006-07.

Liedson (Sporting): desempenho ao seu estilo. Sempre muito incómodo para a defensiva contrária, correu quilómetros e exibiu a habitual qualidade na posse da bola. Sofreu a falta que originou a grande penalidade e marcou o golo que decidiu a contenda, num magnífico cabeceamento como vem nos livros, somando dois no campeonato em curso.

Cardozo (Benfica): o 'Tacuara' começou enfim a fazer aquilo para que foi contratado a peso de ouro. Não é jogador para progredir com a bola no pé, antes decidir em um/dois toques. Foi o que sucedeu na Choupana: marcou dois golos de pé esquerdo e falhou outro praticamente feito. Veremos se mantém a performance futuramente.

Di Maria (Benfica): o internacional sub-20 argentino parece mesmo ser jogador. Efectuou uma exibição de encher o olho na Madeira, estando muito activo no flanco esquerdo, onde patenteou velocidade, criatividade, visão de jogo e capacidade de drible. Pode vir a ser uma das grandes revelações da prova.


O facto:

A liderança do Marítimo ao fim de três jornadas, fruto de três vitórias e nove pontos conquistados merece ser amplamente aplaudida. Nem nos melhores sonhos os adeptos verde-rubros esperavam um desempenho tão auspicioso neste começo de temporada. O principal obreiro é forçosamente o treinador brasileiro Sebastião Lazaroni, que incutindo um modelo de jogo virado para o ataque, além das vitórias, tem levado o Marítimo a produzir do melhor futebol que se tem visto neste campeonato. Costuma dizer-se que quando chega um técnico novo, leva algum tempo até conhecer os jogadores e acentar ideias quanto a modelos, sistemas e opções. A verdade é que Lazaroni tem já ideias muito concretas sobre aquilo que pretende para a sua equipa. O 4-3-3 é o sistema incontestado e as opções revelam já uma definição assinalável de convicções, de tal forma que o onze inicial foi o mesmo nas três jornadas até agora disputadas, e mesmo os que saltaram do banco foram no mesmo sentido. Marcos tem sido o guarda-redes escolhido. Ricardo Esteves, Van der Linden, Ediglê e Evaldo formaram o quarteto defensivo. Na linha média, as opções recaíram em Bruno, Olberdam e Marcinho. Na frente de ataque, o trio constituído por Kanu, Makukula e Fábio Felício. As alternativas vindas do banco, resumiram-se a Márcio Mossoró, Luís Olim e Wénio. Com a liderança do velho Lazaroni, que, recorde-se, já foi seleccionador do Brasil, o comportamento dos jogadores tem sido notável. As minhas escolhas para a equipa da jornada mostram isso mesmo: o Marítimo é o líder nessa contabilização com sete presenças - Ediglê (2), Ricardo Esteves, Makukula, Olberdam, Kanu e Fábio Felício. Acresce o facto de Makukula ser, juntamente com o vimaranense Fajardo, o líder dos melhores goleadores da liga com 3 golos. Esta formação está pois de parabéns e, perante tão boa campanha, é impossível não nos lembrarmos do fantástico Marítimo de Paulo Autuori que encantou todos os portugueses em meados da década de 90. Que continue assim.


Assistências:

Leixões - Guimarães: 4.476
Braga - E.Amadora: 9.781
P.Ferreira - Boavista: 1.679
Naval - Setúbal: 1.077
Marítimo - Académica: 5.001
Sporting - Belenenses: 32.266
U.Leiria - FC Porto: 4.450
Nacional - Benfica: 4.711
Total: 63.441
Média: 7.930

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

MARÍTIMO E FC PORTO ISOLADOS


1ª Liga - 2ª Jornada


Numa jornada pouco produtiva em número de golos, Marítimo e FC Porto somaram a segunda vitória consecutiva e isolaram-se no topo da classificação com 6 pontos, derrotando de forma justa, respectivamente, Boavista e Sporting. Os outros vencedores da jornada foram o E.Amadora, que bateu, na Reboleira, a Naval e está isolado na terceira posição, e o Braga, que saiu do Restelo com um precioso triunfo sobre o Belenenses. O Benfica continua a marcar passo e cedeu novo empate, desta feita, em casa, defronte do Guimarães. Nem a chegada de Camacho resultou em melhorias palpáveis, bem pelo contrário, embora seja de salientar que em menos de uma semana de trabalho e implementação de novos métodos é impossível haver qualquer progresso colectivo, por muito que a componente psicológica seja relevante. Os encarnados amealharam somente 2 pontos, menos 1 que o Sporting, mas já menos 4 que o FC Porto, algo que, sem ser dramático, começa a ser preocupante. Os restantes desafios saldaram-se por empates a uma bola entre Académica e U.Leiria, P.Ferreira e Leixões e, já esta segunda-feira, Setúbal e Nacional.


Jogos:

BENFICA - GUIMARÃES 0 - 0
A substituição de Fernando Santos por José António Camacho provocou uma onda de euforia no universo encarnado, que acorreu em grande número ao Estádio da Luz. Fruto de uma exibição sofrível e da oposição decidida dos vimaranenses, o jogo acabou com um nulo no marcador, redundando em nova desilusão para as 'águias' e atraso maior para o FC Porto . Camacho apresentou um novo 4-4-2 clássico, com Coentrão e Nuno Assis nas alas, Cajuda manteve-se fiel ao seu habitual 4-3-3. O Benfica teve um certo ascendente, mas nunca conseguiu ser dominador ao ponto de assustar os bem organizados vitorianos, daí que o resultado espelhe o que se passou no relvado. Pela positiva, ênfase para a magnífica estreia do jovem Miguel Vítor no centro da defesa encarnada e para as boas prestações do benfiquista Petit (sempre ele) e dos vimaranenses Nilson, Geromel e Flávio Meireles. Por outro lado, de bradar aos céus as substituições feitas por Camacho, que fez entrar Romeu Ribeiro, Luís Filipe e Bergessio para os lugares de Nuno Gomes, Coentrão e Cardozo. No mínimo, estranho... Se fosse o Fernando Santos teria saído vivo da Luz?

BELENENSES - BRAGA 0 - 2
0 - 1 César Peixoto 24' gp, 0 - 2 Vandinho 52'

Espectáculo fraco e sonolento - é verdade, adormeci na segunda parte! - em que, apesar de tudo, o Braga foi superior, aparecendo em Belém com a lição bem estudada. O meio-campo azul esteve muito preso de movimentos, especialmente Hugo Leal, que tarda em confirmar o futebol que mostrou no início da carreira. Do lado bracarense, Madrid, Vandinho e João Pinto foram chegando e sobrando para as encomendas, fazendo chegar jogo às alas, onde Peixoto, Wender e Hussain estiveram particularmente activos. Foi, aliás, o ex-portista que fez o primeiro, na conversão de um penalty, a castigar uma pretensa falta sobre o mais recente reforço Linz, entretanto entrado para o lugar do lesionado João Tomás. Para a segunda parte, Jesus lançou Roncatto e Mendonça, que ajudaram a dar maior vivacidade à sua equipa e fizeram os belenenses acreditarem na igualdade. Só que perante o adiantamento azul, os arsenalistas nunca deixaram de desferir alguns contra-ataques, tendo num deles chegado ao 2 - 0, por Vandinho, e matado o jogo. Vitória justa e tranquila dos homens de Jorge Costa, que assim recuperaram da derrota contra o FC Porto.

E.AMADORA - NAVAL 3 - 1
0 - 1 Marcelinho 29', 1 - 1 Cardoso 42', 2 - 1 Wagnão 54', 3 - 1 Mateus

Primeira parte muito fraca, sem futebol, sem jogadas bem desenhadas, com poucos motivos de interesse. Curiosamente, foi a Naval que abriu o activo, por intermédio de Marcelinho, após cruzamento de Davide. O jogo continuou péssimo, mas o Estrela conseguiu chegar ao empate ainda antes do descanso e já depois de Daúto Faquirá ter mexido na equipa, trocando Marco Paulo e Mossoró por Viveiros e N'Diaye. O golo foi apontado por Cardoso, na sequência de um canto. Na segunda metade, novo golo de canto, desta vez do imponente Wagnão. O Estrela controlou por completo até final, tendo ainda tempo para fechar a contagem por Mateus e enviar uma bola ao ferro por Tiago Gomes. Triunfo incontestável dos estrelistas, com Daúto a prosseguir o bom trabalho e Chaló a ter que arrepiar (muito) caminho. Já agora, alguém me explica como é possível um jogo da 1ª Liga ser presenciado por 812 (!) espectadores?

ACADÉMICA - U.LEIRIA 1 - 1
0 - 1 João Paulo 47', 1 - 1 Joeano 61' gp

Antes de mais, quero manifestar o meu desagrado pelo facto de Manuel Machado deixar o seu melhor jogador - Hélder Barbosa - no banco. Numa liga de fracos espectáculos e alguns jogadores medíocres, deixar este jovem talento de fora é um atentado ao futebol e um hino à pequenez e falta de ambição. Diria o mesmo em relação a Sougou, mas este teve uma lesão prolongada e o ritmo competitivo ainda não é o melhor, daí se aceitar a sua suplência. Os leirienses ficaram a dever a si próprios não terem conquistado os três pontos. Dominaram em absoluto a primeira parte e causaram diversos problemas à intranquila turma academista, situação agravada pela expulsão de Litos, por conduta violenta. O golo só apareceu, no entanto, no segundo tempo e foi da autoria de João Paulo. Só um erro primário de Hugo Costa, metendo a mão à bola dentro da área e sendo expulso por acumulação de amarelos, permitiu o empate da Briosa, por Joeano. Novamente em igualdade no resultado e no número de jogadores, a Académica tentou então forçar a vitória, mas foi sol de pouca dura, já que a U.Leiria voltou a reconquistar o domínio de jogo até ao apito final.

P.FERREIRA - LEIXÕES 1 - 1
1 - 0 Edson 50', 1 - 1 Marco Cadete 76'

Um bom jogo dos leixonenses fora de casa, que conseguiram chamar a si o domínio do jogo durante largos períodos da partida, perante um P.Ferreira nervoso e sem grande discernimento. Ainda assim, foram os pacenses a adiantar-se no resultado, através de um contra-ataque rapidíssimo de Cristiano, que proporcionou o golo a Edson logo após o intervalo. Os pupilos de Carlos Brito nunca baixaram os braços e viram a sua persistência recompensada aos 76 minutos, quando Marco Cadete restabeleceu o empate, num lance em que Peçanha não ficou muito bem na fotografia. A nível individual, destaco as boas prestações do pacense Edson e dos leixonenses Marco Cadete e Jorge Gonçalves, bem secundados por Pedro Cervantes e Bruno China. A haver um vencedor, seria o Leixões.

BOAVISTA - MARÍTIMO 0 - 2
0 - 1 Kanu 3', 0 - 2 Kanu 20'

O árbitro João Ferreira teve influência directa no resultado ao escamotear duas grandes penalidades ao Boavista. A verdade é que o Marítimo controlou o jogo com toda a tranquilidade e ganhou de uma forma naturalíssima. Começa a ser gritante a falta de qualidade do jogo boavisteiro e, ou muito me engano, ou isto não vai acabar bem para Jaime Pacheco. Os dois golos de Kanu, melhor jogador em campo, foram o corolário lógico da superioridade dos madeirenses, que seguem agora no topo da tabela classificativa. Muito há a destacar pela positiva nos insulares, desde Bruno a Olberdam, passando por Fábio Felício, Marcinho ou Makukula. No Boavista, só Olufemi e o guardião Carlos (podia ter feito mais no segundo golo, mas efectuou algumas defesas providenciais) se salvaram do naufrágio. Mais um jogo um tanto ou quanto sonolento.

FC PORTO - SPORTING 1 - 0
1 - 0 Raúl Meireles 53'
Jogo marcado pelo lance muito discutido do passe/corte de Polga para o seu guarda-redes Stojkovic, que motivou a marcação de um livre indirecto transformado em golo por Raúl Meireles e que acabou por decidir o desfecho do clássico. Perante uma atmosfera espectacular, o FC Porto foi, no cômputo geral, ligeiramente superior e conquistou um triunfo justo e moralizador para o futuro. Domínio total dos 'dragões' no primeiro tempo, ao que o Sporting respondeu nos segundos 45 minutos com maior agressividade ofensiva, mas sem que os portistas se deixassem subjugar. Embora com ascendente portista, as oportunidades foram repartidas, mas a eficácia, desta vez, pendeu para o lado azul e branco. O FC Porto respondeu assim da melhor forma à derrota sofrida, em Leiria, para a Supertaça. Raúl Meireles foi, na minha perspectiva, o melhor elemento do jogo. A propósito, ó Jesualdo, por que é que retiraste o Meireles?! O árbitro esteve mal disciplinarmente ao não expulsar Quaresma e Derlei, bem como ao poupar alguns amarelos (Tonel e Pedro Emanuel, por exemplo).

SETÚBAL - NACIONAL 1 - 1
0 - 1 Lipatin 8', 1 - 1 Paulinho 20'

Bom jogo de futebol, em que o Setúbal teve claro sinal mais, tendo porventura merecido um resultado mais favorável. À tentativa sadina de dar velocidade ao encontro, responderam os nacionalistas com um futebol mais pausado, por forma a esfriar os ímpetos do adversário. Contra a corrente do jogo, marcou o Nacional, com um belo cabeceamento de Lipatin (obrigado Marítimo!), após cruzamento açucarado de Juliano Spadacio. O Setúbal não se desuniu e chegou ao empate pouco tempo depois pelo irrequieto Paulinho. Os homens da casa fizeram por merecer a vitória, mas o empate também se aceita face ao decorrido. Matheus, Paulinho e Adalto pelo Setúbal, Juliano Spadacio e Fellype Gabriel pelo Nacional protagonizaram excelentes exibições.


Equipa da jornada:

Nilson (Guimarães): excelente exibição do guardião brasileiro, transmitindo sempre segurança aos seus companheiros. Também foi por ele que os vimaranenses lograram trazer um precioso ponto da Luz. O seu ponto alto foi a magnífica defesa, em esforço, ao petardo traiçoeiro de Cardozo.

Marco Cadete (Leixões): realizou uma bela partida na Mata Real, exibindo sempre grande propensão ofensiva e apontando o tento do empate, num cruzamento que saiu remate direitinho às redes de Peçanha. Se continuar assim, poderá vir a evidenciar-se neste campeonato.

Geromel (Guimarães): autêntico líder da defesa vitoriana, foi outro dos obreiros do nulo alcançado na Luz. Classe, segurança, capacidade de corte e antecipação foram os predicados exibidos na casa benfiquista. Maiores voos se poderão seguir.

Miguel Vítor (Benfica): estreia auspiciosa do puto de 18 anos com a camisola do Benfica. Aparentando uma surpreendente calma para a situação em causa, o produto das escolas encarnadas patenteou o seu desempenho por segurança defensiva, capacidade de corte e lucidez na saída de bola. Está ganho um jogador.

César Peixoto (Braga): no Restelo, foi um dos principais impulsionadores do jogo ofensivo bracarense. Combinou bem com Wender, subiu muito pelo seu flanco, cruzou para Linz sofrer o penalty e encarregou-se, ele próprio, de o concretizar. Decisivo.

Raúl Meireles (FC Porto): foi o principal artífice da vitória do FC Porto sobre o Sporting. Além do golo marcado com categoria, foi o que mais trabalhou naquele meio-campo, pressionando o adversário e iniciando as transições ofensivas com rapidez e clareza. Quando inexplicavelmente Jesualdo resolveu substituí-lo, a equipa ressentiu-se e muito. Bruno ou Petit seriam igualmente escolhas válidas.

Olberdam (Marítimo): num meio-campo que esteve em grande no Estádio do Bessa, o brasileiro foi mesmo o que mais sobressaiu, fazendo tudo aquilo que se pede a um médio moderno. Esteve em todo lado e foi um dos elos mais fortes da excelente vitória colectiva.

Mateus (E.Amadora): jogador de boa técnica, muita bola no pé e pouca corrida, respondeu a alguns assobios de que foi alvo com números esclarecedores: um golo e duas assistências. Que mais se pode pedir a um número '10' que ainda agora chegou ao futebol português? Marcinho ou Vandinho seriam boas alternativas.

Kanu (Marítimo): a frieza e capacidade concretizadora demonstradas na obtenção dos dois golos, seriam suficientes, por si só, para justificar a presença na equipa da jornada. No entanto, continuou sempre muito activo na faixa direita até aos 72 minutos, altura em que foi substituído. É um dos melhores goleadores da liga, a par de Quaresma e do seu colega Makukula.

Paulinho (Setúbal): a um avançado-centro pedem-se golos, independentemente de estar muito ou pouco em jogo. Nesse sentido poderia ter escolhido também Lipatin ou João Paulo, mas optei por Paulinho. Marcou um golo, enviou uma bola à trave e sempre que apareceu foi com perigo.

Matheus (Setúbal): actuação endiabrada do extremo-esquerdo sadino. Foi o melhor homem do jogo com o Nacional, fruto da sua velocidade, capacidade de drible e assunção da responsabilidade de ser o grande desequilibrador às ordens de Carlos Carvalhal. Cruzou para o golo de Paulinho e ainda esteve perto de fazer o gosto ao pé.


O facto:

Incontornavelmente, o passe/corte de Polga que Stojkovic resolveu recolher com as mãos e que acabou por decidir o clássico a favor do FC Porto. As interpretações do lance são díspares, não só dos adeptos em geral, mas também dos entendidos na matéria. Eu mantenho a minha opinião inabalável: Polga, que não é maluco nenhum, cortou a bola com o claro e deliberado intuito de a colocar num colega, portanto Stojkovic nunca poderia ter agarrado a bola. Ainda ontem, ao ver o 'Trio d'Ataque', vi aquela imagem do toque inteligente de Polga na bola e fiquei com a certeza quase absoluta que ele quis colocá-la num companheiro, por forma a manter a posse da mesma na sua equipa. Será que se o brasileiro não soubesse que tinha Tonel e Stojkovic atrás de si teria igualmente feito o corte daquela maneira e enviado a bola para aquela zona? É CLARO QUE NÂO!! Rui Oliveira e Costa, o sportinguista de serviço, veio com o argumento patético de que, nesta hipótese de haver intenção de Polga de passar atrás, o destinatário pensado foi Tonel e não Stojkovic, logo o guardião poderia sempre agarrar a bola! Mas será que nós somos todos burros? Então se, por hipótese, o Bosingwa atrasar a bola com força desde o meio-campo para o Pedro Emanuel e este a deixar rolar na direcção do Helton, que decide agarrá-la, não existe aqui nenhuma infracção??! Estão a querer reduzir ao mínimo a letra da lei para justificar um pretenso erro que, de facto, não existiu. Sem mais comentários... Pedro Proença fez o que lhe competia e a imagem de Paulo Bento no preciso instante em que Stojkovic agarrou a bola é suficientemente esclarecedora.


Assistências:

Benfica - Guimarães: 52.464
Belenenses - Braga: 1.840
E.Amadora - Naval: 812
Académica - U.Leiria: 3.583
P.Ferreira - Leixões: 2.643
Boavista - Marítimo: 3.841
FC Porto - Sporting: 49.709
Setúbal - Nacional: 3.236
Total: 118.128
Média: 14.766

domingo, 26 de agosto de 2007

BURRICE E INTELIGÊNCIA


FC PORTO - SPORTING 1 - 0
1ª Liga Portuguesa 2007-08
26 de Agosto de 2007
Estádio do Dragão (Porto)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
FC Porto: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel, Fucile; Paulo Assunção, Raúl Meireles (Mariano González 67'), Lucho González; Tarik (Postiga 46'), Lisandro (Bolatti 85'), Quaresma. Tr: Jesualdo Ferreira
Sporting: Stojkovic; Abel (Yannick Djaló 76'), Tonel, Anderson Polga, Ronny (Pereirinha 76'); Miguel Veloso, João Moutinho, Izmailov (Vukcevic 62'), Romagnoli; Derlei, Liedson. Tr: Paulo Bento
Ao intervalo: 0 - 0
Marcador: 1 - 0 Raúl Meireles 53'
CA: Quaresma 33', Derlei 53', Tonel 54', Anderson Polga 73', Bosingwa 86', Helton 90'+4'


Um golo de pura inteligência, resultante de um lance de pura burrice, definiu o resultado do clássico. Com exactamente 49.709 pessoas nas bancadas do Dragão e o ambiente ao rubro, o FC Porto de Jesualdo Ferreira derrotou, enfim, o Sporting de Paulo Bento, depois de nas três anteriores partidas entre ambas as equipas se terem registado um empate e duas vitórias leoninas. O FC Porto está agora na frente do campeonato, conjuntamente com o Marítimo, dispondo já de três e quatro pontos de vantagem sobre Sporting e Benfica, respectivamente.

Ao contrário do que sucedera na Supertaça, o jogo foi bom, dinâmico, emotivo e, embora nem sempre bem jogado, o espectáculo valeu a pena. A vitória assenta bem aos campeões nacionais. Fizeram mais pelos três pontos e mereceram-nos inteiramente. A uma primeira parte de domínio portista, respondeu o Sporting com maior ascendente na etapa complementar. A diferença é que os 'leões' se mostraram passivos e impotentes na fase de assédio portista, coisa que não aconteceu com o FC Porto que, mesmo no período em que sofreu maior pressão, nunca deixou de contra-atacar e mostrar-se ameaçador. No cômputo geral, os 'dragões' foram superiores, tiveram mais oportunidades claras de golo, incluindo a mais flagrante de todas, num livre à Quaresma que embateu na trave.

Jesualdo lançou Tarik para a titularidade, em detrimento do esperado Postiga, naquela que foi a única surpresa dos onzes iniciais. Embora tenha torcido um pouco o nariz quando soube desta escolha, não posso deixar de reconhecer que o marroquino efectuou uma exibição interessante, apesar de intermitente. Foi ele que criou as duas primeiras jogadas de grande perigo, ao arrancar pela esquerda em drible e cruzar para a área: na primeira ninguém acorreu ao cruzamento e na segunda Lucho, bem enquadrado com a baliza, rematou muito ao lado. Foi este o mote para a superioridade portista nos primeiros 45 minutos. Servindo-se de um meio-campo incansável na recuperação da bola e esclarecido na hora de construir, o FC Porto exerceu forte pressão sobre a defensiva sportinguista, chegando inúmeras vezes com perigo junto da baliza de Stojkovic.

O único ponto menos positivo nesta fase foi mesmo a falta de alguém na área leonina, facto normal se tivermos em conta que Lisandro desceu diversas vezes para importunar Miguel Veloso e não deixar repetir a superioridade numérica do Sporting a meio-campo acontecida na temporada passada. A verdade é que Assunção, Meireles e Lucho 'engoliram' autenticamente Moutinho, Izmailov e Romagnoli, proporcionando algumas jogadas de ruptura aos seus extremos e mantendo os seus defensores num mar de tranquilidade. O único apontamento que se viu ao Sporting foi um remate venenoso de João Moutinho de longa distância ao lado do poste, isto já depois de Quaresma ter, como disse, apontado superiormente um livre contra a trave, mais ou menos da zona onde havia marcado o portentoso golo da vitória em Braga. Onde será que acaba o talento do '7' azul e branco? Esta toada só abrandou nos últimos dez minutos, altura em que o Sporting conseguiu sacudir o aperto e subir um pouco no terreno, até ao descanso. Intervalo, 0 - 0, com o FC Porto a justificar a vantagem mas sem o conseguir.

Para o segundo tempo, Jesualdo fez entrar Postiga - bom jogo do mal-amado - para o lugar de Tarik, derivando Lisandro para uma das alas. Paulo Bento optou por não mexer na equipa, mas deve tê-lo feito com a cabeça dos jogadores, pois o Sporting surgiu transformado e entrou a todo o gás, com três boas situações em três minutos, apesar de não muito flagrantes: cabeceamento de Derlei para defesa de Helton, remate de Abel para nova intervenção do internacional brasileiro e novo remate de Derlei por cima, este do meio da rua. Mas o FC Porto, tal como referi, nunca se deixou encostar demasiado às cordas e respondeu à letra com um grande remate de Postiga para defesa de Stojkovic, seguido de recarga de Quaresma por cima. O jogo estava mais vivo e atractivo e sentia-se agora que qualquer equipa podia marcar.

Aos 52 minutos, o lance que decidiu o jogo: Postiga e Polga atacam uma bola morta, o central chega primeiro e, retirando a bola da frente do avançado com um simples esticar da perna, atrasa a bola na direcção de Tonel, que abre as pernas e a deixa seguir até Stojkovic. Inocente e incompetente (burro?), o guardião sérvio, com todo o tempo do mundo para pensar o que fazer, agarra a bola (!), para desespero de Paulo Bento, bem documentado nas imagens televisivas. O árbitro fez o que lhe competia e o que está determinado nas regras, marcando livre indirecto contra o Sporting sobre a linha de pequena área. Lucho 'El Comandante' González assume a marcação do lance e, quando toda a gente esperava um passe na frente para Quaresma, o argentino surpreende e toca atrás para Raúl Meireles, que fulmina a baliza do Sporting com um tiro indefensável. 1 - 0, o Dragão em apoteose e a justiça no marcador estabelecida.

O FC Porto continuou por cima durante mais alguns minutos, até que Bento trocou Izmailov por Vukcevic, respondendo Jesualdo com a entrada de Mariano por Meireles. E foi aqui que o decurso do jogo se alterou. Sem Meireles, o meio-campo portista ressentiu-se, perdeu capacidade de pressing, deixou de fazer a transição para o ataque de forma adequada e o Sporting aproveitou para subir as suas linhas e colocar a defensiva portista em sobressalto. Foi um erro trocar um trabalhador refinado por um médio tão ofensivo e sem espírito lutador, ainda mais a ganhar. Esta é a prova de que nem sempre a atitude mais ousada é a mais inteligente (esta é para os que apelidam Jesualdo de medroso). A luta do meio-campo ficou irremediavelmente perdida. Claro que, face à subida esperada do Sporting, até poderia ser bem pensado colocar um homem mais rápido e afoito, na tentativa de apanhar os 'leões' em contrapé e aumentar a vantagem. Só que o próprio andamento do jogo originou um efeito contrário e logicamente que depois de tudo acontecer é mais fácil falar!

A baliza de Helton estava agora ameaçada e Paulo Bento jogou mais uma cartada, retirando os laterais, fazendo entrar Pereirinha e Djaló e recuando Veloso, passando assim a jogar em algo parecido com um 3-5-2. Foi uma aposta arrojada e que possibilitou um domínio territorial ainda maior, embora as ocasiões claras de golo se resumam a um remate cruzado de Moutinho ao lado e uma bola que Helton deixou escapar das mãos perigosamente. Veio o final do jogo e estava consumado o fim da série de 26 jogos sem perder da turma sportinguista, perante um adversário superior e que fez por merecer o triunfo.

Quanto ao trabalho do árbitro, ao contrário do que se tem ouvido e lido em alguma comunicação social e também por aqui na blogosfera, não teve influência no resultado. No lance capital, decidiu como se impunha, já que Polga teve clara intenção de, cortando a bola, a direccionar a um companheiro e manter a posse da mesma na sua equipa. Os únicos equívocos foram a não amostragem de alguns cartões amarelos a jogadores de ambas as equipas e as não expulsões de Quaresma (ainda assim, viu o amarelo), primeiro, e Derlei, já perto do fim. Apesar de tudo, num jogo bastante difícil de dirigir, nota positiva para Pedro Proença.

No FC Porto, destaque maior para o trio de centrocampistas, Tarik nos primeiros minutos e para o talento de Quaresma, a espaços. Bosingwa alternou boas iniciativas com alguns 'rodriguinhos' na defesa (já vistos na Supertaça) perfeitamente escusados. No Sporting, após uma primeira parte de apagamento colectivo, emergiram Veloso, Moutinho, Derlei e Liedson. Vukcevic esteve bem no tempo em que jogou e Tonel foi o melhor do sector mais recuado. FC Porto na frente da liga, ou seja, como diz Bosingwa, "regresso à normalidade", porque isto de ter "os adversários a olhar para cima" é como lavar os dentes!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

QUARESMA SUBLIME


1ª Liga - 1ª Jornada


Em virtude do pouco tempo disponível para me dedicar ao blog, esta análise surge com alguns dias de atraso. No entanto, vendo as coisas pelo lado positivo, sempre me livrei de opinar acerca da péssima exibição de Portugal na Arménia! Sobre o arranque da 1ª Liga, a 1ª jornada foi farta em acontecimentos. Desde logo, o empate do Benfica com o Leixões, que acabou por precipitar a talvez já esperada saída de Fernando Santos do comando técnico encarnado. José António Camacho foi o homem escolhido por Luís Filipe Vieira para dirigir a equipa de futebol. FC Porto e Sporting entraram com o pé direito nesta edição do campeonato e adiantaram-se já ao rival benfiquista, triunfando, respectivamente, sobre Braga e Académica. O Marítimo confirmou as boas expectativas criadas, debutando com uma excelente vitória caseira sobre o P.Ferreira. Os restantes encontros resultaram em igualdades: E.Amadora na Choupana, Setúbal em Guimarães, Boavista em Leiria e Belenenses na Figueira da Foz.




Jogos:


SPORTING - ACADÉMICA 4 - 1
1 - 0 Derlei 26', 2 - 0 Liedson 44', 3 - 0 Tonel 68', 3 - 1 Gyano 82', 4 - 1 João Moutinho 89' gp
Jogo relativamente fácil do Sporting, que contou com uma oposição algo débil, como já é apanágio das equipas montadas por Manuel Machado no reduto dos grandes. Excelentes exibições de alguns elementos leoninos. Derlei facturou e parece querer confirmar as minhas suspeitas de que fará bem melhor em Alvalade que o que produziu na Luz. Liedson também picou o ponto e revelou-se o trabalhador incansável do costume. Moutinho foi igual a si próprio e Vukcevic substituiu na perfeição o indisponível Izmailov. A Académica foi pouco ambiciosa, de tal forma que a sua principal estrela ficou no banco e apenas entrou aos 61 minutos, tendo merecido a derrota, quiçá até mais expressiva.


MARÍTIMO - P.FERREIRA 3 - 1
1 - 0 Makukula 14', 2 - 0 Ediglê 24', 3 - 0 Makukula 40', 3 - 1 Dedé 49'
Ao dizer que o primeiro tempo foram os seus piores 45 minutos de sempre enquanto técnico, José Mota praticamente explica o que se passou. Um vendaval de futebol ofensivo assolou a defensiva pacense e o resultado foram três tentos sem resposta. O luso-congolês Makukula, de regresso ao futebol português, foi o grande destaque da partida ao apontar dois golos. O reforço Ediglê, proveniente do Internacional, também assinou o seu nome na lista de marcadores, mostrando que pode pegar de estaca no centro da defesa maritimista. Apenas na segunda parte os 'castores' reagiram, mas o máximo que conseguiram foi o golo de honra, da autoria de Dedé. Este Marítimo de Sebastião Lazaroni promete.


NACIONAL - E.AMADORA 0 - 0
Quando o resultado de um jogo de futebol é um nulo, fica sempre um sabor a pouco futebol e à primazia das desfesas sobre os ataques, embora obviamente haja excepções. Neste caso, a regra foi confirmada. A jogar em casa, o Nacional tinha, à partida, maiores responsabilidades. O certo é que nunca teve um rendimento satisfatório e poderia até ter sofrido um defecho mais desfavorável, não fossem as defesas providenciais de Diego Benaglio. Os estrelistas exibiram sempre uma boa organização colectiva e este ponto alcançado, apesar de positivo, acaba até por saber a pouco.


BRAGA - FC PORTO 1 - 2
0 - 1 Quaresma 32', 1 - 1 João Pinto 49', 1 - 2 Quaresma 83'
No jogo grande da jornada, um excelente resultado para os portistas, num terreno complicado e perante um adversário de respeito. Quaresma foi a figura indiscutível ao apontar dois golos de livre directo, tendo o segundo sido um hino ao talento. É o grande candidato, sem discussão, a ser a grande estrela deste campeonato. O 'velhinho' João Vieira Pinto foi um dos bracarenses mais inconformados, tendo coroado a sua boa exibição com um belo golo. Lucho González regressou ao onze azul e branco e a sua categoria fez a diferença. Em evidência esteve também Postiga, que continua a demonstrar ter lugar no plantel de caras e a responder às inúmeras e sistemáticas críticas de que é alvo. Se os golos começarem a aparecer... Apimentado pelo muito público presente, o jogo propriamente dito foi de grande qualidade, com as duas equipas em busca da vitória e diversos lances bem desenhados, ou não estivessem no relvado alguns dos melhores intérpretes do nosso país. Face ao ligeiro ascendente portista, o resultado foi justo, embora Jorge Costa não o tenha reconhecido.


LEIXÕES - BENFICA 1 - 1
0 - 1 Petit 90', 1 - 1 Nwoko 90'+4'
Foi o jogo da despedida de Fernando Santos das 'águias'. Como havia acontecido na época passada, o Estádio do Bessa voltou a ser palco de um arranque negativo para o Benfica na liga. O Leixões nunca se atemorizou perante o nome do adversário e realizou uma prestação descomplexada e segura, tendo mesmo posto Quim à prova por diversas vezes. Homens como Vieirinha, Pedro Cervantes , Bruno China ou Nwoko - autor do golo do empate - deixaram água na boca dos adeptos para o resto do campeonato. No Benfica, apenas Rui Costa e Petit - abriu o activo - se exibiram em plano superior de qualidade, numa equipa que patenteou a intranquilidade em que foi mergulhada pela sua direcção. Em condições normais um golo solitário aos 90 minutos vale a vitória, mas o Benfica mais uma vez não foi capaz de revelar maturidade e deixou-se empatar aos 94!. Um prémio justíssimo para a abnegação e crença dos comandados de Carlos Brito. Este Leixões não engana e prepara-se para boas surpresas. O árbitro Jorge Sousa esteve mal ao 'esquecer-se' de marcar uma grande penalidade a favor do Benfica, por falta de Ezequias sobre Nuno Assis.


GUIMARÃES - SETÚBAL 1 - 1
1 - 0 Fajardo 5', 1 - 1 Matheus 25'
Perante uma bela moldura humana, o Guimarães desiludiu e não foi capaz de se superiorizar ao rival sadino. Foi um jogo de fases, com um domínio alternado, daí considerar o resultado justo. Os vimaranenses entraram a todo o gás e Fajardo cedo abruiu o marcador. A partir da igualdade restabelecida por Matheus, o Setúbal assumiu o controlo da partida, que se manteve até meados da segunda parte, com excelentes oportunidades de golo pelo meio. Só nos derradeiros 15/20 minutos, a turma da casa voltou à carga, tendo disposto de algumas boas chances de chegar ao triunfo. Fajardo e Elias foram os destaques fundamentais de ambos os conjuntos. Um resultado decepcionante para o Guimarães que, a jogar em casa diante da sua massa apoiante, talvez esperasse uma vitória neste seu regresso ao futebol de primeira.


U.LEIRIA - BOAVISTA 0 - 0
Mais um nulo, esse resultado tão odiado por quem gosta de futebol. Na primeira parte, o espectáculo foi pobre, com o futebol destrutivo característico dos boavisteiros, sem que os leirienses conseguissem encontrar soluções para perfurar a defensiva axadrezada. Após o intervalo, aí sim, os pupilos de Paulo Duarte encostaram o Boavista às cordas. Com as entradas de N'Gal e Toñito, os caseiros ganharam outra vivacidade e só o seu desacerto na finalização permitiu a repertição de pontos. Jogo fraco, diante de uma assistência desoladora, nada a que a cidade de Leiria não esteja habituada.


NAVAL - BELENENSES 1 - 1
0 - 1 Fernando 79', 1 - 1 Paulão 89'
Repartição justa de pontos, já que o domínio do jogo pertenceu a uma das equipas em cada parte: a Naval esteve melhor na primeira, respondeu o Belenenses na segunda. Todavia, foram os homens de Jorge Jesus que inauguraram o marcador, através de um livre de longa distância de Fernando. Quando a derrota já pairava sobre os figueirenses, Paulão foi à área contrária cabecear para o empate, na sequência de um pontapé de canto. Fernando Chaló estreou-se assim com uma igualdade no escalão maior, resultado que, embora não seja magnífico por ter acontecido em casa, também não deslustra, face ao maior poderio belenense. Num encontro sem grandes destaques individuais, o capitão navalense Gilmar talvez tenha sido o melhorzinho.




Equipa da jornada:


- Diego Benaglio (Nacional): grande exibição do internacional suíço, que salvou o Nacional de uma possível derrota caseira diante do E.Amadora. Na minha opinião, o guardião é a mais categorizada unidade da equipa, portanto este tipo de desempenhos não me surpreende.


- Ricardo Esteves (Marítimo): que mais pode querer um lateral que dois passes para golo? Sempre gostei do futebol deste jogador e a experiência acumulada em Itália parece ter-lhe dado franca evolução. Neste jogo, aliou a profundidade ofensiva à consistência defensiva. Excelente.

- Ediglê (Marítimo): numa ronda sem exibições excepcionais dos centrais, é justo destacar um que contribuiu com um golo para a vitória colectiva. Este brasileiro vem com vontade de se impôr no eixo defensivo dos verde-rubros. Para acompanhar com mais pormenor.


- Paulão (Naval): na sequência do acima referido, o central navalense entra para a equipa da jornada, pelo golo magnífico que marcou, de cabeça, e que valeu um ponto à sua equipa. Teve tempo para desperdiçar uma outra oportunidade. Na defesa, uma exibição sem falhas.


- Ezequias (Leixões): esquecido no FC Porto, rumou a Matosinhos e, a avaliar pela amostra, está com vontade de recuperar o seu crédito. Secou completamente Luís Filipe e ainda se aventurou algumas vezes na manobra atacante.


- Petit (Benfica): sempre inconformado, o médio encarnado procurou sempre ganhar os duelos na sua zona de acção e empurrar a equipa para a frente. Apontou, de cabeça, um golo que poderia ter sido bem mais importante, mas os seus colegas deixaram-no ficar mal pouco depois.


- Pedro Cervantes (Leixões): exibição de encher o olho deste médio de transição leixonense. A defender e a atacar, revelou sempre grande qualidade e lucidez. Alia uma assinalável capacidade combativa, a uma personalidade vincada para sair a jogar e servir os colegas do ataque. Magnífico.


- Fajardo (Guimarães): tivesse mantido a regularidade ao longo dos 90 minutos e teria protagonizado uma exibição perfeita. Nos períodos de maior assédio vimaranense, foi sempre o organizador de jogo e aquele que exibiu maior dose de criatividade. Marcou um golo de execução soberba. João Moutinho seria igualmente uma escolha ajustada.


- Quaresma (FC Porto): o homem da jornada, o verdadeiro artista, aquele que deu o triunfo aos 'dragões' em Braga. Os golos de livre que valeram três pontos, mostraram que é daqueles jogadores talhados para decidirem as partidas. Um génio. Temos Quaresma novamente...


- Makukula (Marítimo): um homem de área que marca dois golos plenos de sentido de oportunidade tem de se sentir feliz e convicto de dever cumprido. Além disso, participou ainda na jogada do golo de Ediglê, revelendo-se sempre bastante activo na luta com os centrias pacences. Fantástica estreia do luso-congolês.


- Derlei (Sporting): estive indeciso entre o 'Ninja' e Vieirinha, também ele com uma óptima exibição, mas o grande golo apontado por Derlei acabou por fazer a diferença. Além de ter facturado, mostrou-se sempre interventivo e disponível para participar em todas as acções da sua equipa, a fazer lembrar o 'velho' Derlei do FC Porto. Assim dá gosto vê-lo jogar.




O facto:


A substituição de Fernando Santos por José António Camacho foi, sem dúvida, o acontecimento mais relevante desta jornada inaugural da 1ª Liga. Que dizer desta decisão de Luís Filipe Vieira? Na minha opinião, Fernando Santos era um técnico a prazo na Luz há já algum tempo. Para esta temporada, resultava claro que a sua margem de erro era zero! As saídas de Simão e Manuel Fernandes (os dois melhores da equipa) originaram um clima de desconfiança e desconforto notórios entre si e o presidente, além de ter desfalcado a equipa de forma drástica, dificultando em muito o seu trabalho. Ora, este clima, conjugado com o descontentamento dos adeptos, agudizado com as fracas exibições diante de Copenhaga e Leixões, acabaram por precipitar a sua saída, talvez numa altura incoerente e de uma forma pouco digna. E digo isto porque uma vitória e um empate não são motivo para despedimento. O que motivou Luís Filipe Vieira a tomar esta atitude foi a necessidade de responder aos anseios da 'multidão' encarnada, numa altura em que ele próprio vem perdendo algum do crédito e simpatia conquistados no passado. Nada como uma medida populista - Camacho sempre foi o preferido da maioria dos benfiquistas - para passar para segundo plano os seus erros suicidas de planificação da época e o seu discurso mentiroso e atabalhoado. Sacudir a água do capote sempre foi o forte do líder encarnado. O engraçado é que, apesar de ser visível que o homem não nasceu para ser dirigente desportivo de topo, continua a ter um apoio popular enorme. Basta para isso afrontar quase diariamente Pinto da Costa e fazer do Apito Dourado o seu cavalo de batalha. E já está, as hostes ficam adormecidas!




Assistências:


Sporting - Académica: 34.272
Marítimo - P.Ferreira: 3.795
Nacional - E.Amadora: 1.950
Braga - FC Porto: 23.698
Leixões - Benfica: 12.710
Guimarães - Setúbal: 16.680
U.Leiria - Boavista: 1.346
Naval - Belenenses: 1.470
Total: 95.921
Média: 11.990

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O ESPECTÁCULO VAI COMEÇAR!


Está quase! Agora que falta pouco para a bola começar a rolar a sério, a ansiedade dos indefectíveis adeptos das 16 equipas da 1ª Liga tende a subir. Após a balbúrdia do defeso, com entradas e saídas em série que baralham a cabeça aos mais conhecedores, o tempo é de maior definição e acalmia. A maioria das equipas tem o respectivo plantel concebido e já sabe com o que pode contar para a época que vai começar. Com os jogos de preparação a serem ultrapassados, os devidos testes efectuados e sentido o pulso aos novos reforços, não existe aficionado que ainda não tenha esboçado o onze-tipo da sua equipa do coração. Há equipas cujo sistema de jogo é claramente conhecido. Outras existe em que o esquema a utilizar não é tão visível ou mediatizado. Neste caso, no exercício que se segue, escolherei o sistema que permita inserir os 'meus' titulares. É evidente que as opções são várias e, muitas vezes, de igual valia, e que há variantes que dependem do adversário, da forma dos jogadores, da gestão do grupo, do local do jogo, etc. Assim de repente, estão aqui as minhas considerações/expectativas acerca dos 16 integrantes da 1ª Liga 2007-08:


FC PORTO

- Principal estrela: Quaresma.
- Onze-tipo (4-3-3): Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Stepanov, Fucile; Paulo Assunção, Lucho González, Leandro Lima; Quaresma, Adriano, Lisandro.
- Principais opções: Kazmierczak, Raúl Meireles, Mariano González, Edgar, Farías.
- Treinador: Jesualdo Ferreira.
- Comentário: perdeu Anderson e Pepe, mas fez algumas contratações de bom nível, principalmente Stepanov, Mariano González e Leandro Lima. Possui um plantel equilibrado e com um vasto leque de opções, de características diferenciadas e complementares. Espera-se inteligência nas escolhas e na gestão por parte de Jesualdo Ferreira. Parte na 'pole position' para revalidar o título e alcançar o tri.


SPORTING

- Principal estrela: João Moutinho.
- Onze-tipo (4-4-2): Stojkovic; Abel, Tonel, Anderson Polga, Had; Miguel Veloso, João Moutinho, Izmailov, Romagnoli; Liedson, Derlei.
- Principais opções: Gladstone, Adrien Silva, Vukcevic, Yannick Djaló, Purovic.
- Treinador: Paulo Bento.
- Comentário: o plano de incrementação da formação prossegue - Adrien Silva é a mais recente pérola e promete dar que falar - mas nesta temporada a margem de erro é menor. Os adeptos estão com a equipa e com o treinador, embora este saiba que um novo segundo lugar pode colocar em risco a sua continuidade. Destaque para as saídas de Nani, Ricardo, Caneira e Tello, e para as entradas de Izmailov, Vukcevic, Derlei e Purovic.


BENFICA

- Principal estrela: Manuel Fernandes.
- Onze-tipo (4-4-2): Quim; Luís Filipe, Luisão, David Luíz, Léo; Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes, Rui Costa; Adu, Cardozo.
- Principais opções: Nuno Assis, Di Maria, Fábio Coentrão, Bergessio, Nuno Gomes.
- Treinador: Fernando Santos.
- Comentário: tolerância zero para Fernando Santos. Depois dos maus resultados da época passada e no seguimento do forte investimento neste defeso, os adeptos exigem o título e a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões. A saída de Simão veio esfriar o optimismo que reinava na Luz e não será fácil o Benfica superiorizar-se aos rivais directos na luta pelo ceptro nacional.




BRAGA


- Principal estrela: João Pinto.
- Onze-tipo (4-3-3): Paulo Santos; João Pereira, Paulo Jorge, Rodriguez, César Peixoto; Andrés Madrid, Roberto Brum, João Pinto; Zé Manel, João Tomás, Wender.
- Principais opções: Anilton Júnior, Frechaut, Yasser Hussain, Vandinho, Lenny.
- Treinador: Jorge Costa.
- Comentário: parte com o objectivo ambicioso de importunar os três grandes e andar nos lugares cimeiros, sendo este o primeiro teste a sério à capacidade do técnico Jorge Costa. O plantel é vasto e equilibrado, embora a meta de subir ao pódio não se afigure fácil. Entre outros, saíram Luís Filipe, Andrade, Bruno Gama e Zé Carlos e entraram Peixoto, Brum, Zé Manel e João Tomás.




BELENENSES


- Principal estrela: José Pedro.
- Onze-tipo (4-4-2): Costinha; Amaral, Rolando, Devic, Rodrigo Alvim; Rúben Amorim, Hugo Leal, José Pedro, Silas; Mendonça, Dady.
- Principais opções: Gonçalo Brandão, Areias, Cândido Costa, Roncatto, Fernando.
- Treinador: Jorge Jesus.
- Comentário: veremos se consegue repetir a excelente temporada passada. Com o experiente Jorge Jesus aos comandos, a ideia é continuar a fazer crescer um clube histórico do futebol português. Jogadores importantes abandonaram o Restelo, casos de Nivaldo, Sandro Gaúcho e Garcés. Para colmatar essas baixas destacam-se as contratações de Devic, Hugo Leal e Mendonça. Aguarda-se uma classificação na parte superior da tabela.




PAÇOS DE FERREIRA


- Principal estrela: Antunes.
- Onze-tipo (4-3-3): Peçanha; Mangualde, Rovérsio, Luíz Carlos, Antunes; Paulo Gomes, Filipe Anunciação, Pedrinha; Edson, Furtado, Cristiano.
- Principais opções: Ferreira, Dedé, Renato Queirós, Márcio Carioca, Edson Di.
- Treinador: José Mota.
- Comentário: as saídas relevantes de Geraldo, Paulo Sousa, Elias e João Paulo foram supridas com as entradas de Rovérsio, Paulo Gomes, Filipe Anunciação e Furtado, esperando-se que todos entrem directamente no onze. O Paços é um caso de regularidade e estabilidade na 1ª Liga e de competência do seu treinador, como comprovam as classificações alcançadas nos últimos anos. Em 2007-08, teremos certamente mais do mesmo.




UNIÃO DE LEIRIA


- Principal estrela: Sougou.
- Onze-tipo (4-3-3): Fernando; Éder, Renato, Éder Gaúcho, Alhandra; Tiago, Faria, Toñito; Maciel, João Paulo, Sougou.
- Principais opções: Laranjeiro, Filipe Machado, Lee, N'Gal, Paulo César.
- Treinador: Paulo Duarte.
- Comentário: em minha opinião, a turma leiriense perdeu qualidade em relação à temporada passada. Jogadores importantes como Rossato, Marcos António, Paulo Gomes, Paulo Machado, Harison, Ivanildo e Slusarski não foram suficientemente substituídos. Apenas Éder Gaúcho (um regresso ao Lis), Tiago, Toñito, Maciel e João Paulo dão algumas garantias de rendimento, todos os restantes reforços são completas incógnitas. Paulo Duarte parace ter saído a perder a a temporada não se antevê um mar de rosas.




NACIONAL


- Principal estrela: Diego Benaglio.
- Onze-tipo (4-4-2): Diego Benaglio; Patacas, Ricardo Fernandes, Ávalos, Bruno Basto; Bruno Amaro, João Coimbra, Juliano Spadacio, Fellype Gabriel; João Moreira, Rodrigo.
- Principais opções: Alonso, Cléber, José Vítor, Pateiro, Cássio.
- Treinador: Pedrag Jokanovic.
- Comentário: a manutenção do suíço Diego na defesa das suas redes, bem como de todo o sector defensivo, é um trunfo do Nacional para a temporada que se segue. Daí para a frente, algumas mexidas, tendo principalmente saído Bruno, Chaínho e Chilikov e entrado João Coimbra, Gabriel e João Moreira. Tenho algumas reticências relativamente a Jokanovic e ao comportamento nacionalista para este campeonato.




ESTRELA DA AMADORA


- Principal estrela: Nélson.
- Onze-tipo (4-3-3): Nélson; Rui Duarte, Maurício, Wagnão, Edu Silva; Marco Paulo, Tiago Gomes, Mateus; Pedro Pereira, Mossoró, N'Diaye.
- Principais opções: Vítor Moreno, Daniel, Elson, Nuno Viveiros, Moses.
- Treinador: Daúto Faquirá.
- Comentário: orientado por um dos técnicos mais competentes do nosso futebol, o Estrela terá talvez uma temporada bastante dura e andará na sempre indesejável luta pela permanência. Parece ter perdido qualidade relativamente à época que passou. Partiram Paulo Lopes, Amoreirinha, José Fonte, Luís Loureiro, Rui Borges e Dário, chegaram Nélson, Vítor Moreno, Wagnão, Mateus e Mossoró, entre outros. Não me inspira confiança a formação da Reboleira.




BOAVISTA


- Principal estrela: Linz.
- Onze-tipo (4-3-3): Jehle; Rissutt, Ricardo Silva, Tambussi, Mário Silva; Diakité, Fleurival, Gajic; Edgar, Linz, Grzelak.
- Principais opções: Carlos, Essame, Bosancic, Laionel, Fary.
- Treinador: Jaime Pacheco.
- Comentário: olhando para o onze teoricamente mais forte, a equipa axadrezada parece ter pernas para andar. No entanto, há outras formações fortes, cuja concorrência exercida será de respeito. Um lugar europeu deveria ser o mais natural para um clube como o Boavista, mas tenho muitas dúvidas se este ano isso sucederá. O clube tem andado à deriva e Jaime Pacheco, o técnico campeão em 2000-01, é o menos culpado. Aguardemos.




MARÍTIMO


- Principal estrela: Marcinho.
- Onze-tipo (4-4-2): Marcos; Ricardo Esteves, Gregory, Van der Linden, Evaldo; Wénio, Bruno, Fábio Felício, Marcinho; Kanu, Bruno Fogaça.
- Principais opções: Ediglê, Olberdam, Márcio Mossoró, Douglas, Lipatin.
- Treinador: Sebastião Lazaroni.
- Comentário: a aposta para 2007-08 foi forte na tentativa de alcançar um lugar que dê acesso às competições europeias. Um técnico com currículo (Lazaroni) e várias caras novas de valor (Ricardo Esteves, Van der Linden, Ediglê, Bruno, Márcio Mossoró, Fábio Felício, Bruno Fogaça, Makukula), aliados à continuidade de outras pedras importantes, auguram um futuro bastante risonho. Saídas relevantes apenas as de Neca e Mbesuma. Prometedor.




NAVAL


- Principal estrela: Mário Sérgio.
- Onze-tipo (4-3-3): Taborda; Mário Sérgio, Paulão, Fabrício Lopes, China; Gilmar, Lazaroni, João Ribeiro; Saulo, Marcelinho, Davide.
- Principais opções: Carlitos, Solimar, Eanes, Wandeir, Elivelton.
- Treinador: Francisco Chaló.
- Comentário: assim à primeira vista é de esperar uma temporada tremendamente difícil para os homens da Figueira da Foz. A maioria dos reforços são de qualidade incerta, mas alguns que saíram como Orestes, Fernando, Fajardo, Lito ou Nei, ninguém duvida que são perdas substanciais. Lutará quase de certeza pela fuga à despromoção.




ACADÉMICA


- Principal estrela: Hélder Barbosa.
- Onze-tipo (4-3-3): Pedro Roma; Sarmento, Litos, Kaká, Vítor Vinha; Paulo Sérgio, N'Doye, Cris; Lito, Joeano, Hélder Barbosa.
- Principais opções: Orlando, Pavlovic, Miguel Pedro, Ivanildo, Gyano.
- Treinador: Manuel Machado.
- Comentário: está na altura de a Académica fazer um campeonato longe das aflições da descida e começar a consolidar-se na 1ª Liga de forma sustentada. Talvez no meio-campo fosse necessário mais 1/2 jogadores, mas na defesa e no ataque sobra qualidade e talento. Lino, Brum, Filipe Teixeira ou Dame vão fazer imensa falta, mas Pablo Castro, Peralta, Cris, Lito ou Ivanildo prometem colmatar o vazio a preceito.




SETÚBAL


- Principal estrela: Bruno Gama.
- Onze-tipo (4-3-3): Milojevic; Janício, Hugo, Auri, Adalto; Elias, Sandro, Ricardo Chaves; Bruno Gama, Leandro, Edinho.
- Principais opções: Eduardo, Robson, Bruno Ribeiro, Filipe Gonçalves, Matheus.
- Treinador: Carlos Carvalhal.
- Comentário: será uma temporada de fuga à despromação. A crise económica permanece, o plantel é limitado tanto em quantidade como em qualidade e Bruno Gama não vai decerto resolver todos os problemas colectivos. As saídas de Varela, Amuneke, Mbamba e Ayew deixaram os sadinos ainda mais debilitados.




LEIXÕES


- Principal estrela: Roberto.
- Onze-tipo (4-3-3): Beto; Marco Cadete, Élvis, Nuno Diogo, Nuno Amaro; Jorge Duarte, Paulo Machado, Pedro Cervantes; Vieirinha, Roberto, Diogo Valente.
- Principais opções: Ezequias, Paulo Vinicius, Hugo Morais, Nandinho, Jorge Gonçalves.
- Treinador: Carlos Brito.
- Comentário: grande clube, histórico do futebol português e com uma massa adepta impressionante, o Leixões volta à 1ª Liga muitos anos depois. Tentará solidificar-se numa liga mais exigente e estou certo que vai conseguir essa tarefa. Tem um plantel de qualidade, facto a que não serão alheias as entradas de homens como Nuno Diogo, Ezequias, Paulo Machado, Vieirinha ou Diogo Valente. Poderá ser uma agradável surpresa.




GUIMARÃES


- Principal estrela: Ghilas.
- Onze-tipo (4-3-3): Nilson; Andrezinho, Geromel, Radanovic, Luciano Amaral; Flávio Meireles, Fajardo, João Alves; Alan, Mrdakovic, Ghilas.
- Principais opções: Moreno, Pelé, Carlitos, Targino, Rabiola.
- Treinador: Manuel Cajuda.
- Comentário: vindo da Liga de Honra, o Guimarães terá como objectivo entrar directamente na disputa pelas provas uefeiras. O plantel é equilibrado e apresenta múltiplas soluções para as diversas posições. Radanovic, Fajardo, João Alves, Carlitos, Alan e Mrdakovic são as aquisições mais sonantes (o portista Jorginho é também uma forte hipótese). Impossível voltar a descer de divisão, até porque antes que isso acontecesse de novo os maravilhosos adeptos vitorianos provocariam um autêntico golpe de estado.




A 1ª Liga 2007-08 promete então ser, senão sempre bem jogada, pelo menos emocionante, com as lutas do costume - título, Europa e manutenção - verdadeiramente ao rubro. Grandes jogadores partiram, outros chegaram para o seu lugar, mas os clubes mantêm-se e são eles que geram a paixão inesgotável de milhões de adeptos. Por falar em adeptos, oxalá o público aumente nos estádios portugueses. A subida de Guimarães e Leixões, detentores de uma massa apoiante magnífica, promete contribuir para o engrandecimento das assistências, do espectáculo e, por conseguinte, da própria qualidade do campeonato nacional. Chega de transferências, de especulações, de encontros particulares. O que a malta quer é jogos a sério e a bola na rede, de preferência, do adversário!