
Acabada de se qualificar, pela primeira vez na sua história, para a segunda fase de uma fase final de um Campeonato da Europa, a selecção da Rússia está, por estes dias, nas bocas do mundo e prepara-se para um interessante confronto com a poderosa Holanda. O futebol é, por vezes, irónico e quis o destino que o seleccionador russo, o holandês Guus Hiddink, aparecesse no caminho dos seus compatriotas.
Este feito inédito russo não acontece por acaso. A competência e conhecimento futebolístico de Hiddink são por demais reconhecidos, quer ao nível de clubes, quer no que concerne a selecções. A mestria com que monta as suas equipas, dotando-as de inteligência táctica e fazendo com que o valor colectivo seja superior à soma das individualidades, é a principal razão para o seu currículo invejável e que tende a aumentar.
Para este Euro'2008, Hiddink adoptou um sistema de 4-1-4-1, embora se possa também chamar de 4-1-3-2, conforme a perspectiva e o conceito de cada um (pormenor irrelevante, uma vez que mais importante que o desenho no papel é a dinâmica no relvado). Os princípos de jogo assentam basicamente em: posse de bola, assegurada pela excelente capacidade técnica da maioria dos jogadores; mobilidade colectiva permanente, com destaque para a subida dos laterais e liberdade dada ao 'playmaker' Arshavin para deambular por toda a frente de ataque; transição ofensiva rápida sempre que para tal houver possibilidade, aproveitando o momentâneo adiantamento adversário; correcto jogo de compensações sempre que alguém sobe no terreno e futebol sempre apoiado e em progressão.
O jovem Akinfeev, titular do CSKA Moscovo desde os 17 anos e internacional A desde os 18, é o guarda-redes titular, relegando Malafeev e Gabulov para o banco de suplentes. Bom entre os postes ou fora deles, Akinfeev promete ser uma garantia de segurança na baliza russa durante largos anos.
No sector defensivo, dois laterais extremamente ofensivos, Anyukov (Zenit) à direita e Zhirkov (CSKA) à esquerda, ambos com elevada resistência para percorrer todo o respectivo flanco à medida das necessidades. No centro, o experiente Ignashevich (CSKA) e o surpreendente Kolodin (Dínamo) formam uma dupla de respeito. Este quarteto tem dado boa conta de si, de tal forma que os conhecidos gémeos Berezutski perderam a condição de titulares. Yanbayev (Lokomotiv) e Shirokov (Zenit) poucas hipóteses têm de jogar.
No meio-campo, Semak (Rubin Kazan) joga à frente da defesa, garantindo rigor posicional, capacidade de luta e simplicidade na primeira fase de construção. Sobe pouco no terreno mas dá um equilíbrio defensivo deveras importante. À frente do pivot-defensivo, aparecem 3 homens mais ou menos em linha, com ordem para atacar, mas também para defender: Zyrianov (CSKA) à direita, Semshov (Dínamo) ao centro e Bilyaletdinov (Lokomotiv) à esquerda. Este trio, escusado será dizer, é forte tecnicamente, inteligente tacticamente e disponível fisicamente. Arshavin (Zenit) actua um pouco mais à frente, ali entre a zona 10 e a de segundo ponta-de-lança, com liberdade para vaguear pelas zonas do terreno onde houver jogo, quer seja ao centro, quer seja nas faixas laterais. Como opções credíveis há Bystrov (Spartak), Torbinsky (Lokomotiv) e Saenko (Nuremberga), este o único dos 23 seleccionados a jogar fora da Rússia.
Na frente, aparece Pavlyuchenko (Spartak) que, apesar de ser bastante alto, tem bons pés e não se mantém estático no meio dos centrais contrários, participando com propriedade no processo ofensivo. Tem também uma boa capacidade finalizadora, tendo surgido até rumores de que o Real Madrid estaria interessado nos seus serviços. Pogrebnyak (Zenit), melhor marcador da última edição da Taça UEFA, Sychev (Lokomotiv) e Adamov (FC Moscovo) estão no banco, à espreita de uma oportunidade.
A ESTRELA:
Andrei Arshavin (Zenit)
Médio-ofensivo/Avançado
29-05-1981, São Petersburgo
1,73 m
Titular do Zenit há oito temporadas e internacional A desde 2002, é um jogador de uma capacidade técnica impressionante e visão de jogo ímpar, o que lhe permite ser mortífero no último passe. O facto de ser um óptimo assistente, não o impede de possuir igualmente uma assinalável veia goleadora, que fazem dele um elemento com qualidades ofensivas fora do vulgar. É a verdadeira estrela da companhia.
OUTROS DESTAQUES:
Yuri Zhirkov (CSKA Moscovo)
Lateral-esquerdo
20-08-1983, Tambov
1,78 m
Lateral com uma vocação ofensiva tremenda, pode também actuar como médio e tem um pé esquerdo de fazer inveja a qualquer médio-centro, daí ser conhecido como o 'Ronaldinho Russo'. Percorre a faixa esquerda durante o jogo todo e a uma velocidade estonteante, constituíndo uma das principais fontes de alimentação do ataque russo. É imprescindível tanto na selecção como no seu clube e não é exagero afirmar que é um dos melhores laterais-esquerdos do futebol mundial.
Diniyar Bilyaletdinov (Lokomotiv Moscovo)
Médio
27-02-1985, Moscovo
1,86 m
Médio de excelente qualidade técnica, joga preferencialmente descaído sobre a esquerda, embora possa jogar em zonas mais centrais. Não obstante a sua elevada estatura, faz do drible uma das suas principais armas. Um dos mais talentosos jogadores surgidos na Rússia nos últimos anos. É já, aos 23 anos, uma autêntica certeza, não espantando que tenha sido dos mais utilizados na fase de qualificação.
Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo)
Defesa-central
14-07-1979, Moscovo
1,86 m
É um central maduro e já com larga experiência internacional, que o Sporting conhece bem, pois era o capitão da equipa que venceu a Taça UEFA em pleno Estádio de Alvalade, em 2005. Agressivo e com bom sentido posicional, é o patrão da defesa russa e uma das vozes de comando do conjunto.

