domingo, 14 de outubro de 2007

RENOVAÇÃO DA SELECÇÃO NACIONAL


Em plena caminhada para o Campeonato da Europa de 2008, a realizar na Áustria e Suíça, a Selecção Nacional é sempre um dos principais motivos de discussão dos adeptos de futebol. Na ordem do dia, e desde há vários anos a esta parte, continua a palavra 'renovação'. A denominada Geração de Ouro composta pelos pesos-pesados Figo, Rui Costa, Vítor Baía, Paulo Sousa, João Vieira Pinto e Fernando Couto, entre outros, foi-se eclipsando progressivamente. A idade não perdoa e Luís Figo, considerado o melhor jogador do mundo em 2001 pela FIFA, foi mesmo o último resistente dessa geração que, embora recheada de talento e mentalidade inovadora para a realidade nacional então vigente, não conseguiu alcançar qualquer título relevante ao nível sénior.

Após a frustrante participação no Mundial'2002, coube a Luís Felipe Scolari assumir o comando da selecção de todos nós. Desde aí, foi notório o corte com o passado e um rejuvenescimento dos nomes presentes em cada convocatória elaborada. Não obstante algumas decisões arrojadas e polémicas, como por exemplo os afastamentos de Vítor Baía e João Vieira Pinto, Felipão não abanou e manteve firmeza nas suas ideias renovadoras. Já no Euro'2004, magnificamente organizado por Portugal, a derrota inaugural com a Grécia serviu para o seleccionador nacional arrepiar caminho e apostar, definitivamente, nas caras novas que se vinham impondo. Com efeito, as prestações no Euro'2004 e no Mundial'2006, cujos resultados foram do melhor que Portugal alguma vez alcançou (embora a final da Luz tenha sido uma derrota difícil de digerir), deram o crédito suficiente a Scolari para levar o seu processo regenerativo por diante.

Nos dias que correm, a tal Geração de Ouro é apenas passado e é com os novos talentos emergentes - alguns mais consolidados que outros - que Portugal é olhado como uma das maiores potências futebolísticas do Velho Continente. A pequenez que outrora existia e o complexo de inferioridade que nos levava a ficar contentes apenas com vitórias morais faz parte da história e Portugal é, hoje por hoje, um dos principais candidatos à vitória no Europeu, juntamente com colossos como a Itália (campeã mundial), a França, a Alemanha, a Inglaterra ou a Holanda.


Quem são então os novos justiceiros que nos fazem sonhar?

Já não é novidade para ninguém que Cristiano Ronaldo é o líder dos novos tempos. Com apenas 22 anos e no Manchester United desde os 18, o prodígio madeirense é já considerado por muitos o melhor futebolista do mundo. Graças ao seu talento brilhante, poderio físico e mentalidade vencedora, o sucessor de Eric Cantona nos corações dos 'red devils' é, portanto, o principal ícone da Selecção Nacional e promete manter esse estatuto por muitos e bons anos. De tal forma que o seu técnico Alex Ferguson já afirmou que só daqui a três anos Ronaldo atingirá a maturidade e a plenitude das suas capacidades. Se já hoje é aquilo que é...

Na peugada do astro português surge um conjunto de jogadores de que poucas selecções se podem orgulhar. Mesclando elementos mais experientes, mas com vários anos ainda pela frente, como Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Miguel, Deco e Simão, com jovens - já autênticas certezas - da estirpe de Quaresma, João Moutinho, Miguel Veloso, Nani e Manuel Fernandes, o produto final só pode ser uma equipa temível, capaz de se bater com galhardia e coragem pelo título continental. Existe depois uma fornada de pequenos talentos, ávidos de uma oportunidade para demonstrarem que podem também, mais cedo ou mais tarde, fazer parte da lenda: Fábio Coentrão, Hélder Barbosa, Bruno Gama, Adrien Silva, entre muitos outros, ou não fosse o nosso país um verdadeiro viveiro de qualidade futebolística.

Analisemos então a Selecção Nacional pelas diferentes posições do seu sistema habitual 4-3-3, sob dois planos distintos - presente e futuro (não muito distante):

GUARDA-REDES
- Presente: Ricardo e Quim.
- Futuro: Moreira, Daniel Fernandes e Ventura.

LATERAL-DIREITO
- Presente: Miguel e Bosingwa.
- Futuro: Nélson.

LATERAL-ESQUERDO
- Presente: Paulo Ferreira e Caneira.
- Futuro: Antunes.

DEFESA-CENTRAL
- Presente: Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Bruno Alves, Fernando Meira, Ricardo Rocha e Pepe.
- Futuro: Manuel da Costa, Zé Castro, Rolando.

MÉDIO-DEFENSIVO/MÉDIO TRANSPORTADOR
- Presente: Petit, Tiago, Raúl Meireles, Miguel Veloso, João Moutinho, Maniche e Pedro Mendes.
- Futuro: Manuel Fernandes, Adrien Silva, Paulo Machado, Tiago Gomes e Ruben Amorim.

MÉDIO-OFENSIVO
- Presente: Deco, Hugo Viana e Duda.
- Futuro: Carlos Martins e Danny.

EXTREMO
- Presente: Cristiano Ronaldo, Quaresma, Simão e Nani.
- Futuro: Hélder Barbosa, Fábio Coentrão, Vieirinha e Bruno Gama.

AVANÇADO/PONTA-DE-LANÇA
- Presente: Nuno Gomes, Postiga, Hugo Almeida e João Tomás.
- Futuro: Vaz Tê e Yannick Djaló.

Vejo o panorama bastante animador, com jogadores de indubitável categoria nos mais variados sectores do terreno, prontinhos a usar ou em fase de progressão. Scolari não se pode queixar da sua sorte e deve sentir-se um privilegiado por ter tanta e tão boa matéria-prima. Apenas no lugar de ponta-de-lança há alguma escassez de opções de primeiro nível, mas esse é já um problema crónico do futebol luso. Há que contar com o que existe e tentar sempre melhorar as performances de cada um, no sentido de encurtar distâncias para os rivais que, nesse aspecto particular, estão bem mais avançados.
Certo é que, e voltando um pouco atrás, Cristiano Ronaldo é o líder incontestável desta nova vaga que garantirá a plena renovação do nosso seleccionado. E quem dispõe de um jogador assim, não tem que temer nenhuma batalha. É ir à luta e... ganhar!

14 comentários:

Pedro Barata disse...

Excelente texto, Bruno (mais uma vez!). Não concordo com alguns nomes que apontas e acho que outros ficaram esquecidos, mas é tudo uma questão de opinião.
Concordo plenamente com a escassez de opções para a posição de ponta-de-lança e não so há escassez de nomes como escassez de qualidade. Falta-nos um verdadeiro 'homem-golo'.
Mas pior para mim é a posição de lateral-esquerdo. Os dois nomes que apontas no presente espelham a dificuldade em preencher o lugar, pois nenhum deles é lateral-esquerdo por natureza. A aposta no Antunes tem que começar rapidamente. O pior é que o rapaz não joga na Roma... Só espero que a precoce mudança para um grande europeu não prejudique a afirmação deste jovem valoroso canhoto. Defesas-esquerdos em Portugal não se encontram facilmente!
Um abraço

Anónimo disse...

Legal o texto Bruno. Pena que a revista não foi à frente. Portugal precisa de continuidade na formação de novos jogadores para firmar-se como força do futebol europeu. Com uma geração só não dá, como provou a geração de 66.
Abraço
Gerson Sicca

Filipe Soares disse...

Portugal tem uma boa selecção, mas penso que não de primeiro nível mundial. Faltam-nos mais opções de qualidade para determinadas posições. Para guarda-redes, desde o afastamento de Vítor Baía, que estamos orfãos de categoria na baliza e não vejo o panorama futuro muito animador. Para lateral-esquerdo nem vale a pena falar, é uma das lacunas do futebol português há vários anos. Centrais, laterais-direitos, médios e extremos estamos bem servidos, mas no lugar de ponta-de-lança, é a pobreza do costume. Pode ser que o Hugo Almeida cresça até chegar ao nível que a Selecção necessita, é o único capaz de responder a esse desafio. Por outro lado, no posto específico de número 10, se nos falta o Deco, não há alternativas credíveis do mesmo nível. Bom texto.

Paulo Pereira disse...

Partilho a opinião do Pedro Barata. Excelente texto, Bruno!

Quanto ao futuro da equipa de todos nós, espero que ele continue a ser risonho, de preferência sem o Scolari:)

Podemos nós estar descansados quanto à renovação? Pergunta difícil e resposta ambígua. Diria que sim, k a renovação tem sido feita calmamente, sem grandes sobressaltos, mas o futebol português continua com os mesmos problemas de sempre, alías já apontados por ti: avançado e defesa-esquerdo.
Será aí k reside o busílis da questão, isto pese o facto de finalmente Hugo Almeida ter tido uma oportunidade na equipa principal. Falta à Selecção o mesmo k ao Porto, um avançado mortífero, capaz de por si só decidir jogos. Sim, temos os de agora mais as promessas Vaz Tê, Makukula e Djaló, mas parece-me claramente pouco.

Na outra deficitária posição, resta-nos apenas Antunes, com um aparente futuro promissor pela frente. Actualmente, tem sido Paulo Ferreira a fazer a posição, k não é a dele, e Caneira, k pese a excelente temporada de leão ao peito, não é um lateral de raiz.

Outro lugar k careceria de mais gente de qualidade é o de médio-ofensivo, pois já se viu k na ausência de Deco a equipa fica sem a magia trazida pelo luso-brasileiro. Hugo Viana é um flop, até à data. Carlos Martins uma eterna promessa, sucessivamente adiada, Danny joga no obscuro campeonato russo, restando Duda, k parece finalmente explodir no Sevilha. A ver vamos...

Abraço,

quintarantino disse...

Excelente. Sem dúvida. E com essa fornada, só se inventarem!
Aquele abraço.

Nuno disse...

Pá, o futuro de que falas é a muito curto prazo. Tipo, o Nélson não é o futuro do Bosingwa, uma vez que têm mais ou menos a mesma idade. Dizia-te um que é bom, mas está esquecido no Esmoriz e não sei se voltará a ser repescado. Esqueces nomes importantes e adiantas alguns muito questionáveis. Duda é presente? Danny é futuro? Pedro Mendes é presente, se nunca foi convocado?

Futuro grande central: Daniel Carriço. Futuro médio de ataque: Bruno Pereirinha. Destes dois não tenho dúvidas que se irão tornar certezas. Avançados que ainda podem vir a ter um bom futuro, se aproveitados: Saleiro e Diogo Tavares. Defesa-esquerdo que ainda precisa de crescer: Tiago Pinto. Extremos em ascensão: Hélder Barbosa sim, Vieirinha e Bruno Gama não. Médios-defensivos: o Adrien sim, e não sei se o Castro, se evoluir, não pode ser útil também.

Bruno Pinto disse...

Nuno, ora vamos lá ver. Isto é tudo de acordo com a minha forma de pensar e com o que seriam as minhas opções, não as de Scolari.

- Bosingwa e Nélson: o do FC Porto já é indiscutível na Selecção, é presente, inquestionável! O Nélson nunca foi internacional A mas se jogar no Benfica como espero, apesar da concorrência fortíssima, pode fazer um dia parte das convocatórias. A idade pouco importa para o caso. Um é presente, o outro deve, na minha óptica, ser futuro.

- Duda. Não é presente? Então é o quê? Ainda há bem pouco tempo foi convocado. Se ele não te agrada como jogador, já é outra questão. A mim agrada-me e muito e tem a intensidade do futebol espanhol e, em particular, do Sevilha, embora os andaluzes venham perdendo gás ultimamente. E pés esquerdos daqueles temos poucos, para não dizer nenhum!

- Danny. Não sei se algum dia chegará à selecção principal mas, lá está, isto é uma opinião pessoal e, a meu ver, deveria chegar. Sair do Dínamo Moscovo poderia ajudar...

- Pedro Mendes. Nunca foi convocado porque o Scolari não convoca aqueles que estão em melhor forma em dado momento, por vezes, não escolhe aqueles que merecem ser chamados. O Pedro Mendes é um dos melhores médios portugueses, nada fica a dever, por exemplo, ao Tiago, da Juventus. Sair do FC Porto foi prejudicial para a sua afirmação como opção válida. Tivesse continuado no Dragão e seria uma escolha habitual, estou seguro.

- Futuro. Carriço conheço apenas de nome, nunca o vi jogar. Pereirinha não acredito minimamente. Saleiro já o vi nas camadas jovens e tem muito potencial, mas para avançado de Selecção A... O Postiga nas camadas jovens era um portento, hoje continua uma incógnita. Diogo Tavares e Tiago Pinto não conheço mas acredito nas tuas informações. Dos extremos, reafirmo todos os que enumerei. O Adrien Silva não vai tardar, porque é um médio de categoria superior. O Castro pode lá chegar mas vai precisar de mais tempo...

Nuno disse...

Digo que o Duda não é presente porque, embora tenha sido chamado, é só para tapar buracos. Eu gosto dele. Na altura em que o Scolari chamava o Boa Morte, sempre disse que o Duda estava a ser muito injustiçado. Mas hoje, com Ronaldo, Simão, Quaresma e Nani, não há lugar para o Duda. O Pedro Mendes é dos jogadores portugueses mais injustiçados. Ele, o Ricardo Rocha, o Zé Castro e o Nuno Assis. Já há muito que devia de ter sido chamado. Mas não foi. Não pode ser presente. Quanto ao Danny, nunca mais o vi jogar desde que saiu do Sporting. Gostava dele e achava que tinha potencial, mas não sei se evoluiu. E já começa a ter pouco tempo para aparecer.

"Pereirinha não acredito minimamente." Pá, não és só tu que vais ficar surpreendido quando o puto explodir. Tive a sorte de o ver nas camadas jovens e no Olivais e Moscavide. Era muito mais desinibido. No Sporting, por ser muito inteligente, tenta ser o mais responsável possível. Raramente aposta no um para um, em que é fortíssimo. Do pouco que se pode ver dele, se de facto não assume grandes riscos, faz as coisas sempre de forma correcta. É raro tomar uma má opção. Isso, aliado às qualidades técnicas que possui, é sintoma suficiente para me garantir que, daqui a uns tempos, vai ser dos melhores jogadores portugueses. O problema é que, por não ser vistoso, vai passando despercebido.

Ruben disse...

Parece que te esqueceste aí do Makukula... Com o Scolari na bancada as coisas correm bem melhor! Porque será?

PJS disse...

Com a responsabilidade da boa união do grupo a pertencer por inteiro ao seleccionador nacional, está visto que o ‘Grande Irmão’ Murtosa seria a pessoa indicada para orientar os patrícios na hora da verdade.

altobola.blogspot.com

lucho disse...

Ler o q escreve o Bruno dá-me um prazer enorme. Ele sabe mesmo de bola. Parabéns.

leonel disse...

http://www.corridasdecavalo.blogspot.com/

Felipe Leonardo disse...

Todos já conhecemos Ronaldo e Nani.
Mas Yannick e Hugo Almeida vem apresentando um futebol bastante promissor.

Abraço

John disse...

O helder barbosa tem lugar no circo mariano e pouco mais, não e jogador para o Portoe muito menos para a selecçao...Ou muda muito e tem uma carreira esquisita tipo Duda ou Boa-Morte ou nao tem hipoteses nenhumas, o rapaz e mesmo inconsequente e acreditem nisto porque vejo-o jogar todas as semanas