domingo, 15 de Novembro de 2009

HOW TO SAVE A LIFE


A Carmen tem 4 anos e precisa da nossa ajuda. Em Agosto passado descobriu que tem leucemia mieloblástica aguda. A sua vida depende do aparecimento de um dador compatível de medula óssea. Apelo a todos os que se disponibilizarem a ajudar, que visitem o blog da pequenina Carmenzita e descubram como podem salvar uma vida!

terça-feira, 26 de Maio de 2009

SONDAGENS (2)


Está encerrada a segunda sondagem aqui do blog. Depois de conhecidos os finalistas da competição, a pergunta impunha-se: 'Quem ganhará a Liga dos Campeões 2008-09?'. Foram registados 16 votos, cuja distribuição foi: 10 votos (62,5%) para o Manchester United, 6 (37,5%) para o Barcelona. A final de Roma será talvez o jogo mais aguardado desta década. Estamos em presença das duas melhores equipas europeias da actualidade, cada qual com a sua forma de jogar, mas ambas vocacionadas para o futebol de ataque e com os olhos postos na baliza adversária. Além disso, há também o duelo particular entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, os dois melhores jogadores do mundo nesta altura. Quem ganhar, poderá marcar pontos decisivos para a conquista do próximo FIFA World Player. Votei no Manchester United, estou a torcer pelos 'red devils' nesta final e penso que têm todas as condições para ganhar. Amanhã se saberá.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

TETRACAMPEÃO


O FC Porto continua a sua caminhada triunfante no domínio hegemónico do futebol português, demonstrando cada vez mais que é demasiado forte para a realidade em que está inserido. O Tetra é o corolário lógico da organização de excelência, da competência, da estrutura sólida e, como disse Pinto da Costa recentemente, do saber escolher os melhores para servirem o clube. Um deles foi Jesualdo Ferreira. Dos quatro títulos ganhos, os três mais recentes foram conquistados pelo treinador transmontano, que reclama assim, para si, um lugar na história do FC Porto. É, juntamente com Artur Jorge, o único técnico que logrou alcançar três campeonatos para os 'dragões', sendo que no seu caso foram alçançados de forma consecutiva, facto inédito em todo e qualquer treinador português, no FC Porto ou noutro clube.

Após três épocas de trabalho no Dragão, cujos resultados foram sempre positivos, Jesualdo Ferreira experimenta, finalmente, algum reconhecimento por parte dos portistas e da crítica em geral. Mais vale tarde do que nunca! Como é sabido, 2008-09 não começou propriamente bem para a equipa azul e branca. O epicentro dessas dificuldades deu-se em Londres, diante do Arsenal, em que os portistas sofreram uma copiosa derrota por 4-0 para a Liga dos Campeões. O timoneiro portista, que até essa altura sempre teve mais detractores que admiradores, mesmo com dois campeonatos ganhos e duas carreiras europeias meritórias, foi autenticamente linchado na praça pública e quase toda a gente pediu o seu despedimento. Se na hora dos triunfos, nunca teve grande apoio popular e o seu contributo sempre foi desvalorizado (ou era a organização do FC Porto que fazia de qualquer treinador campeão, ou era o facto de ter herdado uma equipa já concebida por Co Adriaanse, ou era porque tinha melhor plantel que os rivais, etc), não era num momento de crise desportiva que iria ter opiniões favoráveis. Mas Jesualdo resistiu, a equipa melhorou, os resultados começaram a aparecer e o seu trabalho ao longo desta temporada foi demasiado evidente para não ser unanimemente reconhecido.

Até a equipa entrar numa espiral de vitórias, o trajecto foi sinuoso e difícil. O clube perdera no defeso Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma, três peças nucleares nas temporadas anteriores. Alguns jogadores de qualidade duvidosa foram contratados e, na sequência de alguns maus resultados e exibições, o cepticismo quanto à qualidade do plantel começava a subir exponencialmente. Na realidade, considero o plantel portista desta temporada mais fraco que o da anterior. Acho também que se compararmos jogador a jogador isoladamente, o Benfica, por exemplo, dispôs de mais e melhores recursos. É certo que hoje é mais fácil destacar algumas unidades portistas, fruto do crescimento colectivo e da dinâmica ganhadora que se gerou. Mas não nos esqueçamos da maneira como eram vistas algumas dessas unidades numa fase inicial. Sapunaru era medíocre, fraco a atacar e pouco fiável a defender. Cissokho era muito verde e denotava claras lacunas defensivas. Rolando e Fernando não passavam de jovens promessas. Rodríguez demorava a encontrar-se e a repetir o nível evidenciado no Benfica. Hulk era excessivamente individualista.

Assim ao acaso, acabo de mencionar seis nomes chegados ao FC Porto apenas nesta temporada e que fizeram parte do seu onze-base. Qualquer um deles bastante jovem e sem experiência ao mais alto nível - nenhum se tinha ainda estreado na Champions. O grande mérito de Jesualdo Ferreira foi precisamente esse: capacidade para pegar em meia-dúzia de novatos, mesclá-los com os mais experimentados e já 'residentes' no clube, fazê-los crescer no meio de uma pressão de ganhar asfixiante e sair campeão nacional. Desta vez não há forma de desvalorizar a sua prestação, a sua quota-parte de responsabilidade no título nacional. Muita gente foi obrigada a meter a viola no saco e render-se à evidência, da qual nunca duvidei: Jesualdo Ferreira pertence à elite dos treinadores portugueses e não recebe lições de muita gente.

Hoje em dia, depois de participarem num colectivo forte, com um modelo consolidado e uma forma de jogar aprimorada, Sapunaru apresenta-se muito mais seguro, Cissokho já é falado para a selecção francesa, Rolando já chegou à selecção portuguesa, Fernando é o pêndulo do meio-campo e o elemento que garante os equilíbrios da equipa, 'Cebola' Rodríguez pôs os benfiquistas a chorar e Hulk cotou-se como a grande sensação desta temporada no futebol português. Além disso, Mariano resolveu o seu problema de ansiedade e apareceu em grande sempre que a equipa precisou dele; Raúl Meireles confirmou que se trata de um médio fantástico, de categoria internacional mesmo; Farías mostrou que é felino dentro da área, tendo apontado uma excelente cifra de golos para o escasso tempo de utilização; Tomás Costa mostrou-se útil em certas ocasiões, apesar de algumas limitações. Tudo isto, note-se, numa época em que o duo Lucho-Lisandro esteve abaixo do seu rendimento normal (no caso de 'Licha', refiro-me apenas à fraca veia goleadora face ao ano transacto, visto que em termos de inteligência de jogo, participação no processo colectivo e espírito de sacrifício, manteve-se igual a si próprio: soberbo).

Este êxito foi obra de muita gente. Dos jogadores, destaco, fundamentalmente, Bruno Alves, Raúl Meireles e Hulk, e num segundo plano, Cissokho, Fernando, Rodríguez, Lisandro e Mariano. Mas um homem sobressai naturalmente e esse só pode ser Jesualdo Ferreira. A confirmação da sua continuidade para 2009-10 é apenas uma questão de tempo, só se estranhando a demora da SAD portista em torná-la pública, resolvendo fazer dessa questão um tabú quando não havia necessidade. Era escusado que Jesualdo tivesse estado sujeito a tanto falatório e a perguntas insistentes acerca do seu futuro em todas as conferências de imprensa. Julgo que merecia uma tomada de decisão mais determinada e, sobretudo, atempada por parte dos responsáveis portistas. Seria um prémio justo para o magnífico trabalho que vem desenvolvendo no Dragão.

Enquanto portista, gostaria de dedicar este Tetra a todos os infelizes que passaram a temporada a arranjar as mais variadas formas de depreciar os méritos de dirigentes, treinadores, jogadores, funcionários e adeptos do FC Porto. É também por vocês que cada vez me dá mais gozo festejar estas sucessivas vitórias. Que tal aprenderem com quem sabe, em vez de continuarem incompetentes toda a vida?

quinta-feira, 30 de Abril de 2009

O IMPROVÁVEL O'SHEA


Um golo apenas foi marcado na primeira-mão dos jogos das meias-finais da Champions. Em 180 minutos de futebol, protagonizados por quatro das melhores equipas do mundo, só por uma vez se sentiu a alegria do golo. O defesa irlandês O'Shea foi o autor da proeza! Ironicamente, com uma infinidade de estrelas cintilantes sobre os míticos relvados de Camp Nou e Old Trafford, acabou por ser o pior jogador de todos os que actuaram (sim, estive a ver um a um e não há pior que O'Shea...) a alcançar o objectivo supremo de um jogo de futebol. Cristiano Ronaldo, Messi, Lampard, Henry, Xavi, Rooney, Iniesta, Eto'o, Fabregas, Drogba ou Adebayor estiveram em campo? Deixem lá isso, o O'Shea resolve!

Estas 'meias' eram aguardadas com enorme expectativa por toda a gente que gosta de futebol. Quatro equipas fortíssimas, apologistas do futebol de ataque, faziam antever duelos emocionantes e de grande espectáculo. Jogada a primeira metade da eliminatória, tal expectativa saiu completamente defraudada, não só pelo mísero golo marcado, mas também porque os encontros não se desenrolaram com o equilíbrio e a competitividade desejáveis. Em Barcelona, só os catalães, embora sem muito engenho, procuraram atacar e ganhar o jogo. O Chelsea foi para defender e estacionou o 'autocarro' no seu meio-campo defensivo, acreditando que conseguirá resolver a questão em sua casa. Em Manchester, o Arsenal praticamente não existiu ofensivamente. O 1-0 é demasiado curto para o domínio avassalador do United e para as inúmeras oportunidades que desperdiçou.

O Barcelona tem exibido ao longo desta temporada o melhor futebol da Europa. Arrisco mesmo a dizer que desde que acompanho este fenómeno com consciência - 1992, 1993, por aí... -, este Barça de Guardiola é o conjunto que melhor futebol vi praticar. Interpreta quase na perfeição os diferentes momentos do jogo. É uma equipa que tem uma obcessão incessante pela posse de bola, procurando passar o maior tempo possível em organização ofensiva e o menor tempo possível em organização defensiva. A atacar, privilegia o jogo de passes e apoios constantes, a dinâmica de todos os jogadores e a procura da melhor decisão em cada lance. A defender, pressiona o adversário em zonas altas e de forma intensa, tentando recuperar a bola o mais rápido possível, além de raramente se desequilibrar ou desposicionar. Consegue igualmente ser muito eficaz nas transições ofensivas rápidas, bem como na transposição para a defesa quando perde o esférico. É um verdadeiro harmónio. Depois, a qualidade individual dos jogadores encarrega-se de dar corpo à ideia de jogo de Guardiola - tenho uma camisola do Barcelona com o seu nome, porque o admirava profundamente enquanto jogador, admiração essa que tem vindo a aumentar ainda mais, por ter sabido transportar a sua filosofia como jogador para a forma de pensar enquanto treinador.

Por estas razões, não sou dos que censuram a postura ultra-defensiva do Chelsea na Cidade Condal. Guus Hiddink percebeu que dificilmente não perderia o jogo se tentasse jogar taco-a-taco e limitou-se a apostar numa estratégia que, à partida, lhe garantia maiores probabilidades de obter um resultado positivo. Não critico. O nulo observado veio ainda mostrar que, apesar da excelência do futebol 'blaugrana', contra equipas muito compactas defensivamente, que sabem ocupar os espaços racionalmente e pressionam fortemente (ainda que em terrenos recuados) no sentido de contrariar o seu jogo fluído habitual, este Barça também sente dificuldades. Muitos dirão que unidades como Messi, Henry, Eto'o ou Xavi não estiveram particularmente inspirados. Nada disso. O colectivo londrino, muito defensivo, é certo, mas organizado, é que não os deixou produzir aquilo que produziram na maioria dos jogos desta época. Há uma velha máxima do futebol que também se aplica a este fantástico Barcelona: uma equipa joga aquilo que a outra deixa jogar. E a verdade é que o Chelsea conseguiu parar o futebol envolvente do Barça, merecendo crédito por isso. Aceitam-se críticas à estratégia escolhida, mas não à forma competente como foi interpretado o que Hiddink delineou. Ainda assim, a postura dos 'blues' em Stamford Bridge terá de ser diferente, mais acutilante e ambiciosa, o que poderá favorecer Messi e companhia. Acredito que o Barcelona passará à final de Roma.

No Man.United-Arsenal, a vantagem mínima é, como disse, muito escassa para a diferença de produção entre as duas equipas. Tendo em conta as oportunidades de golo que os 'red devils' criaram, uma das quais numa 'bomba' de Ronaldo à trave, o mais justo seria uma vitória por uma margem bem mais folgada. Não esperava uma estratégia tão cautelosa por parte de Wenger e nem se pode dizer que os seus pupilos foram competentes na sua execução, pois foram inúmeras as ocasiões que concederam ao United e houve períodos em que foram autenticamente massacrados junto da sua área (coisa que o Chelsea não foi em Barcelona). No entanto, acabaram por ser felizes e conseguiram manter esperanças na qualificação para a segunda-mão.

O Manchester United deu, mais uma vez, uma demonstração de grande poderio e fez jús à sua condição de campeão europeu e mundial. Julgo que passará à final, com maior ou menor dificuldade; a sua superioridade face ao Arsenal é evidente. Até por isso o recente desempenho do FC Porto diante da turma de Alex Ferguson, em que quase repetiu a 'gracinha' de 2004, merece ser realçado na medida apropriada, principalmente pelos muitos anti-portistas primários existentes neste país, bem como por aqueles que sempre acharam Jesualdo Ferreira fraquinho. De facto, o FC Porto é grande demais para este futebol português e, realmente, o técnico portista, nestes três anos que leva no Dragão, tem demonstrado que é fraquinho, muito fraquinho...

Que venha uma final Barcelona-Manchester United e, aí, que seja Ronaldo a confortar Messi...

terça-feira, 3 de Março de 2009

BRAGA: À IMAGEM DE JESUS


Sporting Clube de Braga. Há muito que este clube iniciou um trajecto de crescimento sustentado. Na última década, graças a excelentes classificações internas e algumas carreiras europeias de relevo, transformou-se num dos emblemas mais importantes do futebol português. Numa realidade que ainda gira em torno de FC Porto, Benfica e Sporting, são bem-vindos clubes como o Braga, que ousam sonhar, empreender e realizar. Sente-se que, mais cedo ou mais tarde, este clube lutará pelo título nacional, o que só trará benefícios a um futebol demasiado concentrado nas amarras dos três colossos.

Para esta temporada foi contratado o treinador Jorge Jesus, vindo de uma magnífica campanha no Belenenses. Analisando o trajecto da equipa até agora, pode dizer-se que não podia ter sido mais certeira a aposta do presidente António Salvador para a liderança técnica da formação arsenalista. A classificação actual na Liga Sagres pode até ser considerada modesta face à qualidade do plantel. Nacional e Leixões detêm o mesmo número de pontos com menores recursos. O que faz deste Braga um caso merecedor de maior destaque é a ambição com que entra em qualquer estádio e a qualidade do futebol que apresenta. Há equipas que conseguem algum sucesso esporádico, baseando o seu modelo de jogo em premissas como defender atrás e explorar o contra-ataque, apostando na qualidade das suas melhores individualidades e tentando jogar no erro do adversário. Ao contrário, a formação bracarense interpreta um modelo de equipa grande. Assume normalmente o jogo diante de qualquer adversário, jogando olhos nos olhos, procurando ter a bola e dominar o mais possível. A forma como o Braga encarou os jogos com os três grandes, bem como o percurso notável que vem realizando na Taça UEFA, não se deve a uma fortuna casual. É antes fruto de uma aposta arrojada por um futebol positivo e com espírito ganhador.

Jorge Jesus, reconhecido como um excelente estratega e muito competente no plano motivacional, procurou dar corpo à ambição dos responsáveis bracarenses e montou um plantel que lhe desse garantias de poder praticar o futebol desejado. Rico em qualidade e quantidade, é talvez o conjunto de jogadores mais equilibrado da nossa liga, sendo que algumas individualidades são de fazer inveja à grande maioria das equipas portuguesas. Sem surpresa, o Braga tem sido aquela que melhor futebol tem praticado, já que, à categoria do seu elenco, se junta um líder técnico apologista do futebol de ataque, que cultiva o futebol apoiado e a beleza estética do jogo.

O sistema táctico adoptado desde o começo foi o 4-4-2 losango, o predilecto de Jesus. Na baliza, o facto de o Braga contar com Eduardo, actual titular da Selecção Nacional, dispensa mais considerações acerca da sua qualidade. Com uma estampa física assinalável, o guardião natural de Mirandela, revela segurança e bons reflexos dentro dos postes, tendo apenas que melhorar, na minha opinião, na hora de sair aos cruzamentos. Os laterais, João Pereira pela direita e Evaldo pela esquerda, constituem uma das principais forças desta equipa. Bons a nível de posicionamento e intensos na marcação (sobretudo o ex-benfiquista), revelam também grande apetência ofensiva, constituindo uma importante fonte de desequilíbrio na organização defensiva adversária. No centro da defesa, abundam igualmente elementos de grande valor, embora o sector venha sofrendo algumas contrariedades a nível de lesões, nomeadamente Paulo Jorge, Rodríguez e, mais recentemente, Moisés. André Leone e os adaptados Frechaut e Stélvio Cruz são outras opções para o lugar. Sem impedimentos, a dupla mais forte será, porventura, composta pelo brasileiro Moisés e pelo peruano Rodríguez. Feliz do treinador que conta com centrais deste calibre e, adicionalmente, com jogadores polivalentes capazes de fazer a posição com tranquilidade.

No sector intermediário, o panorama continua magnífico. Vandinho é o pivot-defensivo incontestado, conferindo ao colectivo intensidade nos diferentes momentos do jogo. A simplicidade de processos e a qualidade de passe são dois atributos que estão sempre presentes no desempenho do 'trinco' brasileiro. É um dos melhores da equipa. Como médios interiores, os titulares por princípio, são Alan, na meia-direita, e César Peixoto, no lado oposto. Este duo é uma das chaves do futebol do Braga, pela facilidade com que jogam, ora mais por dentro, ora encostados à linha. Esta flexibilidade, consoante a equipa está a defender ou a atacar, tornam a equipa mais imprevisível e, por conseguinte, de mais difícil anulação. De realçar ainda, o diferente perfil de ambos: Alan mais veloz e explosivo, Peixoto mais inteligente e seguro. Que melhor combinação para poder gerir os ritmos ao longo dos 90 minutos conforme o adequado em cada momento? Na posição '10', aparece o uruguaio Luís Aguiar, um médio-ofensivo talentoso e tecnicista, que constrói, cria, inventa, e ainda tem tempo para chegar à área e ameaçar a baliza contrária. O recente golo que apontou em Liége é disso um bom exemplo. Jesualdo Ferreira não o quis, agradeceu Jorge Jesus. Mossoró, Jorginho e Matheus, que já brilharam noutros clubes e são valores firmados no nosso país, são as alternativas mais credíveis para entrar no losango em substituição dos habituais titulares.

Na frente de ataque, a dupla mais frequente é formada por Meyong e Rentería. O camaronês é mais experiente, fruto de algumas temporadas já vividas ao mais alto nível nacional, fazendo da sua capacidade goleadora e mobilidade criteriosa trunfos significativos. Já o colombiano que o FC Porto um dia foi buscar ao Internacional, é um avançado mais 'selvagem', muito rápido, meio desengonçado, mas com muita habilidade. É capaz de falhar as ocasiões mais inacreditáveis, mas também de assinar golos de antologia. Dois atacantes que, não sendo extraordinários isoladamente, funcionam muito bem em conjunto. Prontos a saltar do banco estão o tarimbado Paulo César e a jovem-promessa Orlando Sá, uma das últimas apostas de Carlos Queiroz para a Selecção Nacional.

Esta equipa joga à imagem de Jorge Jesus. Olha qualquer adversário de frente - o Milan que o diga - e pratica um futebol atraente, positivo e virado para o ataque. Sente-se sempre confortável com a bola em seu poder e, por isso, aposta na subida da sua linha defensiva e na concessão de pouco espaço entre sectores, como forma de roubar a bola ao adversário o mais rápido possível. Isto só é possível com uma boa organização colectiva, tanto mais que, dos quatro centrocampistas, três deles são, em si mesmos, de características mais ofensivas. Jorge Jesus criou na cidade dos Arcebispos uma equipa moderna, que actua como um harmónio, em bloco, onde todos defendem, todos atacam, todos pressionam o portador da bola com intensidade, todos revelam qualidade com a bola no pé, todos oferecem algo palpável e sabem qual o seu papel em campo. O resto é o trajecto bonito que temos presenciado.


A ESTRELA:

Luís Aguiar
Médio-ofensivo
17-11-1985, Mercedes (Uruguai)
1,83 m
Titular indiscutível desta equipa como 'playmaker', é um médio de grandes recursos técnicos e excelente visão de jogo. Alia magníficas capacidades, quer ao nível da decisão, quer ao nível da execução. É apologista da beleza das coisas simples e bem feitas, nunca adornando os lances em demasia. Esquecido no FC Porto, 'estagiou' no E.Amadora e na Académica, chegando a Braga para se exibir como a autêntica estrela da companhia.


OUTROS DESTAQUES:

Vandinho
Médio-defensivo
15-01-1978, Cuiabá (Brasil)
1,83 m
Um dos principais responsáveis pela boa campanha da equipa e pelo bom futebol praticado. É um pivot-defensivo que se adequa na perfeição ao futebol actual, ocupando o espaço de forma inteligente, pressionando com veemência o adversário que aparece na sua zona de acção e lançando os ataques com simplicidade, mercê do seu bom toque de bola. Na minha equipa, atendendo ao contexto que estou a considerar, era um médio-defensivo assim que jogava.

César Peixoto
Médio-interior-esquerdo
12-05-1980, Guimarães (Portugal)
1,82 m
É um dos toques de classe da equipa. Sempre elegante, actua com serenidade e inteligência na meia-esquerda. Dono de um pé esquerdo de eleição, é bom no passe, nos cruzamentos e nas bolas paradas, tornando-se muito importante para o seu treinador. Não é especialmente rápido, mas compensa com a sua faculdade para tomar quase sempre a opção correcta e, com isso, ajudar o conjunto a ganhar jogos.

Alan
Médio-interior-direito
19-09-1979, Rio de Janeiro (Brasil)
1,80 m
Extremo de raíz, foi adaptado por Jesus a interior, por imposição do losango utilizado no miolo. Ainda assim, é o jogador que maior largura empresta a este Braga, pois sempre que ataca, tem tendência a encostar à linha e explorar a faixa lateral direita. É um malabarista, com muita velocidade e habilidade, constituindo-se como um desequilibrador nato. No FC Porto não foi feliz e tenho dúvidas se servirá para uma equipa mais exigente, mas parece feito à medida deste Braga.

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

A GOLEADA PERDIDA


ATLÉTICO MADRID - FC PORTO 2 - 2
Liga dos Campeões 2008-09 (1/8 Final)
24 de Fevereiro de 2009
Estádio Vicente Calderón (Madrid)
Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Atlético Madrid: Léo Franco; Seitaridis, Pablo, Ujfalusi, António Lopez; Maxi Rodríguez (Miguel 80'), Paulo Assunção, Raúl Garcia (Maniche 67'), Simão; Aguero (Sinama-Pongolle 56'), Forlán. Tr: Abel Resino
FC Porto: Helton; Sapunaru (Pedro Emanuel 79'), Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Tomás Costa 90'), Lucho González; Lisandro (Tarik 90'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Ao intervalo: 2 - 1
Marcadores: 1 - 0 Maxi Rodríguez 3', 1 - 1 Lisandro 22', 2 - 1 Forlán 45', 2 - 2 Lisandro 72'
CA: Raúl Garcia 24', Sapunaru 27', Lisandro 60', Paulo Assunção 74'


Empate amargo para o FC Porto. Mesmo sabendo que empatar fora, com golos, numa eliminatória da Champions é um resultado positivo, o FC Porto fica a dever a si próprio e a alguns azares, uma vitória na capital espanhola, por números bem expressivos até. Os portistas vulgarizaram o Atlético Madrid e só a falta de eficácia na finalização e a arbitragem caseira impediram o sentenciar, desde já, da eliminatória. Ficou demonstrado que, ao contrário do que havia declarado Paulo Assunção antes do encontro, o FC Porto é, nesta altura, uma equipa muito superior ao Atlético. A forma personalizada e inteligente como se exibiu no Vicente Calderón não foi por acaso.

O FC Porto controlou a quase totalidade do jogo, criou imensas oportunidades claras de golo (muito mais que o adversário) e denotou maior agressividade, objectividade e lucidez. Soube sempre o que tinha de fazer para levar o perigo à baliza madrilena. Tivesse existido maior frieza na hora de definir as jogadas e poderíamos estar perante um desfecho humilhante para o Atlético, tantas foram as vezes em que o trio ofensivo azul e branco lançou o pânico na defensiva caseira. Este FC Porto está efectivamente talhado para os jogos mais difíceis, onde não tem de assumir o jogo abertamente e em que o adversário lhe concede os espaços necessários para que o futebol explosivo de transições fortes possa surtir o efeito pretendido. Rodríguez e Hulk estiveram particularmente inspirados e foram duas setas apontadas à baliza de Léo Franco. Lucho foi o patrão do meio-campo, com a sua habitual mestria na hora de decidir o caminho a seguir, especialmente durante a primeira parte.

O plano de jogo definido por Jesualdo Ferreira apontava claramente para o triunfo e o desempenho da equipa justificava amplamente tal desiderato. No entanto, estava escrito que este seria um jogo marcado por inúmeras adversidades e que só com muita cabeça e um espírito de grupo muito forte se conseguiria evitar uma injusta derrota. Há muito tempo que não sentia tanto nervosismo a ver um jogo de futebol. A Champions é um mundo à parte, estes jogos têm uma carga completamente diferente dos compromissos internos e ver a equipa a jogar melhor, a merecer golear e a perder, contra uma equipa inferior, com golos falhados em catadupa, uma arbitragem tendenciosa e o 'frango' de Helton em cima do intervalo, estava a deixar-me fora de mim.

Logo aos 2 minutos, o FC Porto mostrou ao que ía: arrancada demolidora de Hulk (é um fenómeno este brasileiro, mas ainda há gente que acha que ele é tudo menos jogador de futebol!), passe para Rodríguez que, já dentro da pequena área, em vez de assistir Meireles para um golo fácil, rematou contra um defesa espanhol. Estava dado o sinal. Só que na primeira vez que chegam à baliza, os 'colchoneros' inauguram o marcador por Maxi Rodríguez, num lance em que Cissokho não efectuou a cobertura ao argentino como devia. Sem nada ter feito por isso, o Atlético colocava-se em vantagem.

O FC Porto, porém, não se ressentiu e a reacção foi enérgica. Hulk foi a principal ameaça nesta fase para os espanhóis que não tinham antídoto para travar alguns piques avassaladores do '12' portista. Forlán ainda teve nos pés o segundo golo (boa defesa de Helton), mas o FC Porto estava a carregar e deliberadamente à procura do empate. Empate esse que foi alcançado aos 18 minutos de forma legal, por Lisandro, mas o árbitro anulou o lance por fora-de-jogo inexistente. Sobre isto, queria manifestar o meu repúdio pelo facto de o narrador da RTP não saber sequer o que é um fora-de-jogo, pois dizer que o lance é bem anulado, por Lisandro estar adiantado em relação ao penúltimo homem do Atlético, mas esquecendo-se que estava em linha com a bola, é surreal para um jornalista desportivo. Sim, depois lá lhe disseram as regras e emendou a mão, mas a incompetência (ou será outra coisa?) estava demonstrada. É este o serviço público que temos.

Mas o golo não tardaria. Após uma falha de Raúl Garcia, Lisandro surge isolado face a Léo Franco e atira a contar, minorando a injustiça que o resultado continha. O FC Porto continuou a dominar as operações e pressentia-se que a qualquer momento poderia passar para a frente. Lisandro teve uma oportunidade flagrante, após excelente jogada de Rodríguez, mas não conseguiu manter o acerto na finalização, permitindo a defesa do guarda-redes. A seguir, foi Hulk que, isolado por uma assistência primorosa de Meireles, permitiu nova intervenção providencial de Léo Franco. O FC Porto já ía justificando a reviravolta, numa partida que mantinha um ritmo elevado. Hulk e Rodríguez continuavam a deixar os adeptos madrilenos apreensivos com as suas 'explosões'. Aos 42 minutos, novamente o 'Incrível' a passar pelo opositor com facilidade e a disparar para a baliza, mas a bola sai a rasar o poste, sem que Lisandro e Rodríguez conseguissem desviar.

A felicidade não quis mesmo nada com os portistas. Neste contexto, o golo de Fórlan, num 'frango' ridículo de Helton (Fernando também não está isento de culpas, pela passividade que mostrou perante a incursão do avançado uruguaio), foi o culminar de uns primeiros 45 minutos do mais inglórios que já vi. Este tipo de erros acontece a todos os guardiões, mesmo aos melhores, mas foi a segunda vez que o brasileiro comprometeu seriamente a equipa num jogo da Champions e tenho dúvidas se terá estaleca para jogar a um nível tão alto. Não escondo que tive um ataque de fúria assim que vi aquela bola a entrar por entre as suas mãos. Ir a perder para o descanso, quando o resultado mais ajustado seria à vontade uns 3 golos de vantagem, era difícil de aceitar.

Na segunda parte, embora o FC Porto não tenha exibido uma supremacia tão evidente, mais do mesmo: FC Porto à procura da igualdade e a falhar oportunidades. Lisandro esteve perto do golo por duas vezes, numa das quais falhando de forma escandalosa, após assistência de Rodríguez que o deixou na cara de Léo Franco. O FC Porto exercia forte pressão e a defesa caseira tremia por todos os lados. Um remate do meio da rua de Raúl Garcia mostrou que o Atlético ainda poderia ser perigoso, mas era ponto assente que os portistas só descansariam quando conseguissem empatar. E conseguiu-o, aos 72 minutos, numa finalização oportuna do inevitável Lisandro, respondendo a um cruzamento bem medido de Cissokho. Gostei de ver os abraços a Helton nos festejos feste golo. É também deste companheirismo que se fazem os campeões.

O jogo tornou-se mais previsível a partir desta altura e com mais incidência sobre o miolo do terreno, com um natural e ligeiro ascendente do Atlético. Simão, Fórlan e Sinama-Pongolle - entretanto entrado - ainda causaram algum perigo, mas a verdade é que nunca houve muito engenho dos comandados de Abel Resino para ultrapassar a equipa portista. O apito final era uma questão de tempo.

O FC Porto deu uma demonstração de força e personalidade. Pode causar alguns estragos nesta competição, com a sua forma de jogar directa e explosiva. É um regalo ver a excelência de algumas transições ofensivas, ainda que neste jogo os erros defensivos primários do Atlético e a rigidez do seu 4-4-2 clássico, que proporciona muitos espaços sempre que o bloco não se posiciona atrás, também tenham ajudado o FC Porto a superiorizar-se em jogo jogado. A exploração das costas dos defesas contrários foi uma constante. No entanto, acho o FC Porto muito passivo quando perde a bola, concede demasiado espaço, não pressiona convenientemente o portador da bola, deixando a equipa adversária avançar no terreno sem grande oposição. Penso que este deveria ser um aspecto a corrigir. De resto, em organização ofensiva, até gostei do jogo de posse de bola que os portistas conseguiram praticar, algo que não é, como se sabe, um dos seus maiores predicados.

Individualmente, acho que Rodríguez foi o melhor jogador em campo. Colocou a cabeça em àgua a Seitaridis com as suas infindáveis arrancadas e foi sempre um dos mais inconformados. Grande jogo do 'Cebola'. Helton esteve sempre seguro, mas aquela falha patética, a fazer lembrar o jogo com o Chelsea há duas temporadas, manchou a sua exibição. Sapunaru fez um jogo medíocre, é fraco e não tem lugar na equipa - foi pena Fucile ter tido problemas físicos que o impossibilitaram de actuar. Cissokho esteve intermitente, tendo feito coisas boas e outras menos boas. Os centrais estiveram em bom plano, dominando o espaço aéreo e revelando sempre concentração máxima. Fernando, à excepção da abordagem ao lance do segundo golo do Atlético, teve um bom desempenho. Meireles fez um jogo fantástico, defendeu e atacou com igual eficácia, valendo-se da sua cultura táctica e capacidade de passe. Lucho foi o cérebro da equipa, na primeira parte esteve soberbo, tendo caído um pouco na segunda, mas ainda a tempo de fazer uma maldade a Ujfalusi. Lisandro falhou golos que não se podem falhar, mas marcou por duas vezes e movimentou-se muito e bem, participando quase sempre assertivamente nos lances de ataque e ajudando a defender com a sua habitual abnegação. Hulk foi enorme! Quando embala torna-se quase imparável. Desequilibrou por diversas vezes a defesa 'colchonera', servindo-se da sua velocidade e potência para deixar adversários por terra. Foi dos melhores, esteve sempre em jogo e foi dos que mais contribuíram para colocar o Atlético em permanente sobressalto. Mas já li nessa blogosfera que passou ao lado do jogo... Deve ser ainda o efeito do álcool da noite carnavalesca!

O FC Porto tem tudo para passar aos quartos-de-final. É superior, está em vantagem e joga a segunda mão no Dragão perante os seus adeptos, além de que Howard Webb não será o árbitro... Será que à terceira será de vez?

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

SONDAGENS (1)


Na primeira sondagem levada a cabo por este blog, fiz a seguinte pergunta aos leitores: 'Quem é, actualmente, o melhor avançado-centro do mundo?'. Obtive 74 respostas, com os seguintes resultados: Ibrahimovic (23 votos), Fernando Torres (11), Drogba (8), Henry e David Villa (6), Rooney (5), Aguero (4), Van Nistelrooy e Adebayor (3), Eto'o e Berbatov (2), Luca Toni (1) e Benzema e outro (0). Cada um tem a sua opinião e é de salientar a diversidade de respostas. Mas os resultados indiciam que, hoje em dia, o sueco Ibrahimovic e o espanhol Fernando Torres talvez estejam uns furos acima dos outros, e, entre estes, o pupilo de José Mourinho no Inter, levará também bastante vantagem. Eu votei em Ibrahimovic...

domingo, 8 de Fevereiro de 2009

EMPATE JUSTO


FC PORTO - BENFICA 1 - 1
1ª Liga Portuguesa 2008-09
8 de Fevereiro de 2009
Estádio do Dragão (Porto)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
FC Porto: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Mariano González 65'), Lucho González; Lisandro (Farías 88'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Benfica: Moreira; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luíz; Ruben Amorim, Yebda, Katsouranis, Reyes (Nuno Gomes 86'); Aimar (Carlos Martins 90'+1'), Suazo (Di Maria 62'). Tr: Quique Flores
Ao intervalo: 0 - 1
Marcadores: 0 - 1 Yebda 45'+1', 1 - 1 Lucho González 71' gp
CA: Fernando 50', Maxi Pereira 52', Katsouranis 64', Yebda 70'


Para muitos este era o desafio mais importante da temporada interna até ao momento. A expectativa era grande, a semana que antecedeu a contenda foi intensa e a infíma diferença pontual entre ambas as equipas fazia antever um jogo de nervos. A arbitragem tem feito parte da agenda quotidiana do futebol português. Todos se queixam, todos se acham prejudicados, os erros grosseiros acontecem a uma velocidade assustadora, a suspeição é atirada para o ar diariamente e, portanto, o árbitro Pedro Proença não dispunha do ambiente propício para fazer uma boa arbitragem no Dragão. É por aí que começo.

Pedro Proença fez uma má arbitragem. Cometeu três erros graves e, ainda que no resto da partida tenha estado bem (exceptuando o facto de ter permitido que metade dos 3 minutos de compensação fossem passados sem jogar), a verdade é que influenciou o normal curso do jogo e o desfecho do mesmo. Aos 18 minutos, não assinalou uma grande penalidade, por falta clara de Reyes sobre Lucho. Como se sabe, na área não há lei da vantagem e não é pelo facto de o argentino se ter levantado após o desequilíbrio provocado pelo toque de Reyes que deixa de existir falta. Aos 26 minutos, Sidnei pisa ostensiva e maldosamente Lucho, justificando-se a exibição do vermelho directo, por conduta violenta. Proença não mostrou qualquer cartão. Aos 70 minutos, assinalou uma grande penalidade inexistente, já que Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro, que se limitou a atirar para a piscina. Conclusão: o penalty que permitiu ao FC Porto restabelecer a igualdade não existiu. Mas o certo é que se o árbitro tivesse agido em conformidade anteriormente, o FC Porto poderia ter chegado aos 26 minutos a ganhar por 1-0 e a jogar contra dez unidades.

Se olharmos para a imprensa e para a generalidade da blogosfera, ficamos convencidos que o FC Porto foi beneficiado, mas analisando os lances capitais da partida com objectividade, vemos que não foi isso que sucedeu. Tem sido desta forma, parcial e tendenciosa, que o FC Porto tem sido tratado nesta temporada. É triste verificar que a comunicação social, que deveria agir com isenção, na procura da informação credível e objectiva, esteja, cada vez mais, a imbecilizar-se e a comportar-se como um verdadeiro adepto. Felizmente deixei de comprar jornais de há uns tempos a esta parte e ligo muito pouco às análises que se vão fazendo nas rádios e televisões. Anda a querer vender-se uma mentira, só porque ela é dita muitas vezes. Quem gostar de ser enganado, que acredite.

Os treinadores não apresentaram qualquer surpresa nos seus onzes. Os sistemas tácticos foram também os esperados. O FC Porto chegou a este jogo na sua máxima força, após ter feito descansar todos os habituais titulares, a meio da semana, em Alvalade. O Benfica não procedeu a tão grande poupança no desafio da Taça da Liga, diante do Guimarães, mas uma potencial maior frescura portista não se fez notar ao longo do encontro.

A primeira meia-hora foi de domínio do FC Porto e só por manifesta falta de eficácia na hora de finalizar, não se adiantou no marcador neste período. Jogando subido e pressionando alto, os pupilos de Jesualdo Ferreira empurraram os encarnados para a sua defensiva. Rodríguez foi dos mais audazes nesta fase inicial e fez várias vezes a cabeça em água ao compatriota Maxi Pereira. Lucho e Lisandro estiveram também muito activos, tanto a construir, como em zonas de finalização. O '8' portista teve mesmo na cabeça a melhor oportunidade da primeira parte, mas atirou por cima quando estava completamente isolado. O perigo rondou a baliza de Moreira em diversas ocasiões, mas os portistas revelaram-se perdulários, como já vem sendo costume nos jogos caseiros.

Apesar desta fase de algum assédio, o Benfica esteve sempre traquilo, concentrado e nunca se desuniu. Manteve sempre o bloco baixo, não permitindo ao adversário dispôr da sua melhor arma atacante - as transições rápidas - e nunca deixou de procurar contra-atacar quando havia possibilidades para isso. Reyes chegou a estar na cara do golo, mas Helton respondeu com uma grande defesa. O FC Porto foi superior na primeira parte, teve mais ocasiões para marcar e exerceu um maior domínio territorial, mas a forma adulta e personalizada como as 'águias' conviveram com essa situação, acabou por ser premiada, mesmo em cima do intervalo, com um belo golo de Yebda, de cabeça, na sequência de um canto executado por Reyes. Sem o justificar, o Benfica saiu para o intervalo em vantagem.

Na segunda parte o FC Porto continuou a ser mais dominador, mas jogou sempre com muito coração e pouca cabeça. Com o Benfica em vantagem e cada vez mais fechado, faltaram os espaços para os portistas aplicarem o seu futebol. O jogo de posse de bola nunca foi um dos pontos fortes deste FC Porto, que vivia de algumas arrancadas de Hulk (bom duelo com Moreira) e pouco mais. Os benfiquistas foram ganhando confiança e estiveram mesmo próximos de aumentar a contagem em alguns ataques rápidos, numa altura em que Aimar ía mostrando algum do perfume do seu futebol.

Di Maria já estava em campo, por troca com o esgotado Suazo. Jesualdo abriu a frente de ataque, colocando Mariano no lugar de Raúl Meireles. O jogo manteve a mesma toada de ataque contínuo e desorganizado do FC Porto, alternado com algumas investidas perigosas do Benfica. O golo do empate azul e branco haveria de surgir a 20 minutos do fim, através de Lucho González, na já descrita grande penalidade, num lance que veio repôr justiça no marcador. Após este golo, o jogo abrandou, parecendo claro que ambas as equipas, a partir de determinada altura, começaram a preocupar-se mais em não sofrer o segundo golo que em tentar chegar à vitória. Até ao apito final de Pedro Proença, poucos motivos de interesse mais há a realçar.

O FC Porto chegou a este clássico como favorito, mas a sua exibição acabou por defraudar as expectativas, tanto mais que a preparação para este jogo foi feita com especial cuidado, implicando mesmo a eliminação quase premeditada da Taça da Liga. Do lado oposto, o Benfica também não foi brilhante, mas a forma personalizada como se exibiu na casa dos tricampeões nacionais, foi uma agradável surpresa, a justificar amplamente o ponto conseguido.

Resultado justo, num clássico que não deixará saudades. Um estádio repleto com 50 110 espectadores merecia mais e melhor. O FC Porto mantém-se na liderança desta Liga Sagres, mas com a certeza de que terá de melhorar substancialmente as suas performances caseiras. A incapacidade que revela em ultrapassar defesas fechadas e bem organizadas, não augura facilidades até ao final do campeonato. O Benfica cumpriu o plano traçado para o jogo e segue na luta pelo título, mas a sua irregularidade exibicional faz-me pensar que a tarefa que se lhe depara é árdua. Aguardemos pelas próximas jornadas.

terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

2008 EM REVISTA... de A a Z


Alex Ferguson: Foi o treinador mais bem sucedido do ano, dando continuidade a uma carreira de sonho e demonstrando que continua na elite dos técnicos mundiais. Conquistou a Liga dos Campeões, a Premier League e o Mundial de Clubes, além da Supertaça Inglesa. Coisa pouca!

Beto: Realizou um magnífico trabalho no ano que agora finda, defendendo a baliza do Leixões. Na minha opinião, é o melhor guarda-redes português da actualidade, revelando qualidades mais que suficientes para poder chegar bem longe na carreira. Mais tarde ou mais cedo, chegará à Selecção Nacional e a um grande do nosso futebol. Veremos qual terá a inteligência de o agarrar.

Cristiano Ronaldo: Melhor jogador do mundo de 2008. Vencedor e melhor marcador da Liga dos Campeões, vencedor e melhor marcador da Premier League, ganhou também o Mundial de Clubes e a Supertaça Inglesa. Arrebatou a Bota de Ouro e a Bola de Ouro e o FIFA World Player vem a caminho. Sendo um extremo, atingiu a impressionante soma de 42 golos. Todas as distinções individuais possíveis e imaginárias, Ronaldo logrou alcançá-las. Só o fraco Euro'2008 ao serviço de Portugal manchou um ano simplesmente arrebatador. Sem palavras. Melhor do mundo!

David Villa: Maravilhoso avançado, sagrou-se campeão europeu de selecções e efectuou uma temporada notável com a camisola do Valência. Os colossos europeus andam todos na sua peugada. Capacidade técnica, velocidade de execução e apetência goleadora fazem de Villa um dos melhores do planeta.

Espanha: Finalmente sagrou-se campeã europeia, 44 anos após o seu primeiro e, até então, único título sénior. Com o velho Luís Aragonés aos comandos, a selecção espanhola foi a equipa mais forte presente nos relvados da Áustria e Suíça, não dando grandes hipóteses à concorrência e arrebatando o ceptro de forma inteiramente merecida. O futebol que praticou chegou a ser soberbo.

FC Porto: Foi novamente e sem grande surpresa a melhor equipa portuguesa do ano. Campeão em 2007-08, qualificou-se ainda para os 'oitavos' da Champions e na liga portuguesa desta temporada segue a apenas dois pontos do líder. Ganhar é o único verbo que o FC Porto de Jesualdo Ferreira parece saber conjugar, não obstante alguns momentos difíceis que atravessou.

Guardiola: Iniciou na presente temporada a sua carreira de treinador principal de alto nível ao serviço do Barcelona e tem feito um trajecto fulgurante. Lidera a liga espanhola de modo folgado e passeou na Champions, colocando a sua equipa a praticar o melhor futebol da Europa. Foi um '6' de excepção e, enquanto treinador, não traiu a concepção de futebol que sempre exibiu como jogador. Grande Pep.

Hulk: Chegou ao FC Porto envolto em interrogações, mas já as dissipou. Mesmo ainda imaturo, tem revelado qualidades extraordinárias e raras, tendo-se já constituído como uma das principais revelações da presente época doméstica. Promete continuar a dinamitar as defesas contrárias, servindo-se da sua capacidade de explosão, velocidade, técnica e poder de fogo.

Ibrahimovic: É o melhor avançado-centro do mundo e fez um ano admirável ao serviço do Inter. A sua capacidade técnica é algo fora do normal e o futebol nos seus pés ganha outra dimensão. Marca golos em catadupa, alguns deles de primorosa execução. Mourinho disse recentemente que era melhor que Cristiano Ronaldo. Não é. Mas não fica muito longe.

José Mourinho: O futebol já sentia falta do melhor treinador do mundo. É um mestre do banco, do treino, da liderança e da gestão de recursos humanos. Voltou ao activo pela porta grande do poderoso Inter e, em Itália, tem sido igual a si próprio: frontal, polémico, vencedor. Lidera a liga italiana confortavelmente e defrontará o Manchester United nos oitavos-de-final da Champions. O futebol agradece a sua presença.

Kun Aguero: O seu talento é incomensurável e caminha a passos largos para o topo mundial. Foi o jogador que mais brilhou na carreira sustentada do Atlético Madrid, tanto na liga espanhola como na Champions. Confesso-me um fã incondiconal da qualidade e do estilo deste avançado argentino, genro do inigualável Diego Armando Maradona.

Lisandro: Foi o melhor jogador do ano no futebol português. Melhor marcador da liga de 2007-08 com 24 golos, o avançado do FC Porto alia a qualidade insuspeita ao espírito de sacrifício e fúria de vencer. É de jogadores desta categoria que o nosso futebol precisa. É um dos ídolos dos adeptos portistas e em 2008 reforçou esse estatuto.

Messi: Jogador de talento ímpar, o argentino andou praticamente com o Barcelona às costas. Foi o jogador que mais brilhou em 2008 a seguir a Cristiano Ronaldo, mas faltaram-lhe os títulos colectivos. No entanto, ninguém duvida da sua capacidade e, tarde ou cedo, chegará também a melhor do mundo.

Nou Camp: Estádio mítico e imponente, assitiu, desde o início desta época, aos melhores espectáculos futebolísticos desde há alguns anos. Xavi, Iniesta, Henry, Eto'o e Messi são apenas alguns dos que têm passeado a sua classe pelo relvado de Nou Camp, para gáudio dos adeptos catalães. 2008 foi um bom ano para um dos lugares de culto do futebol mundial.

Old Trafford: Continuando nos estádios, o 'Teatro dos Sonhos' também não poderia ser esquecido. É a casa do campeão europeu e melhor clube de 2008 e foi lá, maioritariamente, que os adeptos do Manchester United puderam contemplar as obras de arte de Cristiano Ronaldo e as qualidades de outras estrelas como Rooney, Berbatov, Rio Ferdinand, Anderson ou Carrick.

Pablo Aimar: Foi indiscutivelmente um dos nomes mais falados do ano no futebol português. Jogador de grande valor, chegou ao Benfica sob enorme expectativa, mas ainda não conseguiu justificá-la por completo. Teve algumas acções esporádicas de refinado talento, mas a sua débil condição física e a desadequação do sistema de Quique Flores às suas características, não o deixaram afirmar-se. Esperemos por 2009.

Queiroz: Chegou à Selecção Nacional para substituir Luíz Felipe Scolari após o Euro'2008, numa escolha da FPF que me pareceu em cheio. No entanto, as coisas não estão a correr nada bem e Portugal, já habituado aos grandes palcos, está em sérias dificuldades na qualificação para o Mundial'2010. As críticas ao seu trabalho têm sido ferozes, mas continuo a acreditar que é o homem certo para liderar a selecção portuguesa. Não esquecer as grandes conquistas de 2008 enquanto adjunto do Manchester United.

Reyes: Grande promessa do futebol espanhol, foi contratado pelo Benfica, após um certo declínio na carreira. É um extremo de óptimos recursos e o futebol nacional agradece a presença de executantes deste calibre. É um dos melhores da liga e foi um dos que mais contribuiu para o actual primeiro lugar benfiquista.

Scolari: Nem sempre pelas melhores razões, foi uma das grandes figuras do ano, não só do futebol cá do burgo, como também lá fora. Na Selecção Nacional, ficou bastante aquém do esperado no Euro'2008 e a forma pouco digna como decidiu sair não abonou nada a seu favor. Rumou ao Chelsea e está na luta pelo título, mas a sua vida em Inglaterra não tem sido nada fácil. 2009 irá esclarecer posições e situações.

Torres: Um ano em grande para o atacante espanhol. Campeão europeu pela Espanha e grande destaque do Liverpool pelo número de golos apontados, confirmou-se como um dos melhores avançados da actualidade.

United: A turma de Manchester, como já referi, foi a melhor de 2008, conquistando os troféus mais importantes. Com Ronaldo a liderar, foi a principal força futebolística de 2008, com o seu habitual poderio ofensivo e estilo espectacular. Campeão inglês, europeu e mundial. E basta!

Vukcevic: Outra das grandes figuras do futebol tuga em 2008, embora nem sempre pelas melhores razões. É um dos melhores jogadores da liga portuguesa, tem talento para dar e vender e potencial para ser uma vedeta à escala internacional. Porém, a sua personalidade complicada e os problemas que teve com Paulo Bento, prejudicaram largamente a sua evolução e afirmação. Espera-se que em 2009 se concentre no trabalho e que o deixem fazê-lo.

Wesley: O brasileiro foi a cara mais visível do Leixões, grande sensação do presente campeonato. Dotado de excelente compleição física e grandes atributos técnicos, o vagabuando do ataque leixonense apontou, até agora, 7 golos na liga e já se fala em voos mais altos para a sua carreira. Um dos bons valores do nosso futebol, que 2008 projectou para a ribalta.

Xavi: Campeão europeu pela Espanha, o médio catalão foi eleito o melhor jogador do Euro. Dono de infinitas qualidades técnicas, coloca-as invariavelmente ao serviço do colectivo, o que faz dele um dos melhores médios do mundo. É um jogador na linha do seu técnico Guardiola e o ano que agora acaba foi o da sua coroação.

Yebda: O 'trinco' francês aparece aqui porque não encontrei melhor a começar pela letra 'y' e porque foi dos melhores elementos benfiquistas nos primeiros meses da época. Chegou a Portugal completamente desconhecido e surpreendeu muita gente pela positiva. É um jogador que aprecio.

Zenit: Uma das melhores equipas de 2008. Ganhou brilhantemente a Taça UEFA, derrotando o Glasgow Rangers na final, assim como a Supertaça Europeia, impondo-se ao fortíssimo Manchester United. Na Champions não foi tão bem sucedido, mas foi das equipas que melhor futebol praticou no Velho Continente, servindo-se de grandes jogadores como Arshavin, Danny, Pogrebnyak, Denisov ou Zyrianov.

terça-feira, 7 de Outubro de 2008

QUESTIONÁRIOS (3)


Estou sem internet em casa desde há alguns dias e, consequentemente, não tenho podido aceder ao blog como desejaria. É nestas alturas que faz todo o sentido avançar com mais um questionário, parecendo-me este muito interessante. Inglaterra, Espanha e Itália são, unanimemente, considerados os países detentores das três melhores ligas do mundo, onde pontificam as grandes vedetas do futebol internacional. Assim, pergunto a todos os leitores:

1 - QUAL O MELHOR ONZE ACTUAL DA LIGA INGLESA?

2 - QUAL O MELHOR ONZE ACTUAL DA LIGA ESPANHOLA?

3 - QUAL O MELHOR ONZE ACTUAL DA LIGA ITALIANA?

domingo, 28 de Setembro de 2008

ENSAIO PARA LONDRES


O FC Porto voltou à normalidade e venceu o Paços de Ferreira, no Dragão, por 2 - 0. O momento não era o melhor. Depois do empate em Vila do Conde, o FC Porto passou uma semana algo intranquila, sobretudo ao nível dos seus adeptos, que, por estarem habituados a ganhar compulsivamente, tornam-se demasiado exigentes e, por vezes, até irracionais. Não percebem que o FC Porto perdeu três jogadores cruciais em relação à época passada e é uma equipa em fase de remodelação e consolidação de processos colectivos, com vários jogadores novos e muitos deles já titulares, necessitando, portanto, de algum tempo para que atinjam o nível exibicional que Jesualdo Ferreira pretende.

Quando se ganha 3 - 1 ao Fenerbahçe, num jogo da Champions e, mesmo assim, se recebem assobios no próprio estádio, está tudo dito quanto ao elevadíssimo grau de exigência dos adeptos portistas. Por isso, depois do nulo e do desempenho cinzento defronte do Rio Ave, era expectável que as críticas destrutivas subissem de tom e se começasse, por um lado, a pedir a cabeça do treinador e, por outro, a depreciar o valor dos jogadores. O adepto de futebol é, por norma, uma pessoa pouco inteligente, que quer sempre bom futebol e que tende a analisar os jogos isoladamente, sem cuidar de os inserir no contexto vigente. Quando a vitória faz parte do seu quotidiano, essa pouca inteligência transforma-se em irracionalidade pura, que é aquilo de que padece uma grande parte dos adeptos do FC Porto. Querem sempre vitórias e grandes exibições, em casa e fora; o facto de muitos elementos serem jovens e estarem na primeira temporada no clube é para eles irrelevante. Enquanto portista, sou apologista da exigência, mas também da racionalidade, pelo que se deve exigir à equipa aquilo que ela pode dar em cada momento. O FC Porto não se tem exibido em grande nível, nem outra coisa era de esperar, mas tem conseguido bons resultados (a excepção foi a igualdade em Vila do Conde) e esse factor é o mais importante nesta fase.


FC PORTO - P.FERREIRA

Sobre o jogo, foi uma vitória justa, sem grande brilhantismo e com alguns períodos de futebol algo cinzento, que valeu essencialmente pela excelente entrada portista no encontro. Até ao belo golo apontado por Raúl Meireles, o caudal ofensivo azul e branco foi intenso e as jogadas nas imediações da área pacense sucederam-se. O FC Porto teve posteriormente novas oportunidades para dilatar a vantagem, das quais se destaca um falhanço de Lisandro, que continua muito perdulário neste início de época. Neste período de maior fulgor, Meireles foi o melhor elemento, comandando, na falta de Lucho, toda a organização ofensiva caseira, chegando perto da área adversária inúmeras vezes e assegurando a circulação da bola com sabedoria. Igualmente em bom plano estiveram Tomás Costa, Lisandro, Rodríguez e Lino.

A partir de determinada altura o FC Porto desacelerou e o jogo tornou-se monótono, lento e mal jogado. Esta quebra de qualidade prolongou-se pela segunda parte, razão pela qual o Paços conseguiu subir as suas linhas e ser mais incomadativo e pressionante, levando os portistas a falharem alguns passes nas transições e a jogar mais devagar. Helton sofreu então alguns calafrios, embora sem significado de maior. Os assobios fizeram-se ouvir nas bancadas do Dragão.

Sem nunca alterar o 4-3-3, Jesualdo Ferreira mexeu e bem na equipa, operando duas substituições em simultâneo que me pareceram totalmente acertadas. Candeias entrou para o lugar do inerte Farías - andou a dormir no relvado e, mais uma vez, não aproveitou uma oportunidade que lhe foi concedida -, o que fez Lisandro ocupar o centro do ataque. Sapunaru, displicente em alguns lances, justificou a saída, entrando Guarín para o miolo e gerando o recuo de Tomás Costa para lateral-direito. Por mim, nada a dizer, até porque Candeias se mostrou bastante activo (apesar de algumas perdas de bola) e Tomás Costa mostrou que pode ser uma alternativa bastante credível para jogar na lateral direita defensiva. Posiciona-se bem, é seguro em posse de bola e, não sendo muito rápido, tem bons pés e boa leitura, o que lhe pode permitir dar uma profundidade interessante ao flanco.

Mais tarde, a entrada de Hulk para o seu lugar de origem revitalizou a equipa, ao mesmo tempo que preservou Lisandro para o jogo com o Arsenal. O FC Porto partiu então para uma parte final um pouco melhor, com mais algumas oportunidades de golo e controlando mais calmamente os movimentos do Paços. Excelente golo do 'Incrível', a culminar uma magnífica combinação com Meireles.


O DESAFIO LONDRINO

Para o jogo de Londres, estou em crer que o sistema portista será o 4-1-4-1 utilizado na Luz, com Fernando a pivot-defensivo, Tomás Costa a médio-ala direito, Rodríguez no flanco oposto, Lucho e Meireles na faixa central e Lisandro na frente. Dependendo da dinâmica que os jogadores conseguirem imprimir a esta configuração táctica, à partida mais conservadora, parece-me ser uma excelente aposta para conseguir um bom resultado no Emirates Stadium. Como se sabe, o FC Porto controlou grande parte do jogo com o Benfica e o Arsenal joga, tal como os encarnados, em 4-4-2 clássico.

O Arsenal é uma grande equipa, tem jogadores de indubitável qualidade (Fabregas, Walcott, Van Persie, Adebayor...) mas não chegam para assustar, como demonstrou o Hull City no último jogo da Premier League. O segredo passará por conseguir fazer uma pressão efectiva ao portador da bola, que impossibilite de algum modo o futebol curto e de trocas de bola constantes tão característico dos 'gunners'. Se isto não acontecer, o FC Porto pode vir a passar um mau bocado. Deve haver muita atenção aos corredores laterais dos londrinos, sendo uma das principais preocupações não dar espaço de embalo ao supersónico Walcott, que previsivelmente actuará no lado direito (nunca colocaria Lino como lateral-esquerdo). Ao mesmo tempo, Tomás Costa e Rodríguez devem vigiar bem de perto as constantes subidas de Sagna e Clichy. Se tudo for como espero, o FC Porto poderá conseguir ter superioridade numérica no miolo, com Fernando, Meireles e Lucho para Fabregas e Denilson, algo que significará uma crucial vantagem, especialmente se Lucho se conseguir libertar para o espaço vazio entre-linhas concedido pelo Arsenal. Lisandro, se mantiver a capacidade de luta habitual, será importante para fixar os dois centrais em terrenos recuados, não deixando que nenhum suba com a bola dominada e pronto a criar desequilíbrios, fundamentalmente Gallas, que é perito nessas situações.

Isto no papel é tudo muito simples, algo que, por vezes, a prática vem desmentir. O factor de maior importância será, quanto a mim, a dinâmica que o FC Porto conseguir impor e a mentalidade com que entrar no imponente Emirates. Será fundamental, numa primeira fase, contrariar o jogo de posse de bola e constante movimentação dos londrinos, para que, numa fase posterior, se possa começar a pensar em chegar com perigo à baliza de Almunia, algo perfeitamente possível, se Lucho, Meireles, Rodríguez e Lisandro estiverem na plenitude das suas faculdades e mentalizados para vencer. Para que isto se verifique, será vital que o FC Porto se estenda bem no campo e consiga pressionar longe da sua baliza, porque senão pode ser a morte do artista. Colocar um 'autocarro' cá atrás e esperar passivamente pelo Arsenal, deixando-se envolver na sua teia atacante, será como dar um tiro na própria cabeça. Estou convencido que, desta vez, o FC Porto não vai perder no Emirates. Terça-feira se verá.

terça-feira, 2 de Setembro de 2008

PASSES CURTOS (4)


1. O escaldante Benfica-FC Porto terminou empatado a um golo. O resultado aceita-se, embora o FC Porto tenha sido superior em grande parte do tempo e tenha perdido uma boa oportunidade para ganhar na Luz. À priori, não gostei das alterações feitas por Jesualdo Ferreira, sobretudo ao nível do sistema táctico, nem de algum conservadorismo aparente, mas tenho de reconhecer que o jogo veio dar-lhe razão. O 4-1-4-1 utilizado possibilitou aos 'dragões' o controlo do jogo durante a maioria do tempo, domínio em muitos períodos, supremacia do seu meio-campo, liberdade entre linhas face ao 4-4-2 clássico de Quique Flores e mais oportunidades claras de golo. Lisandro salvou um golo encarnado e poderia também ter marcado por duas vezes (remate ao poste e falhanço clamoroso). O FC Porto foi sempre muito mais equipa, revelou maior maturidade e organização, mas a verdade é que a partir da expulsão de Katsouranis, baixou de rendimento e não conseguiu aproveitar a superioridade numérica, algo que em futebol sucede frequentemente. Nos portistas, destaque para a grande exibição de Rolando e excelentes prestações de Rodríguez (apesar da 'bela' recepção que lhe dispensaram) e Lucho. Hélton esteve em evidência mas pela negativa, ao dar um 'frango' e permitir o empate aos da casa. O Benfica chegou aos 90 minutos de rastos, com lesões e outras dificuldades físicas. Ainda assim, são de enaltecer os desempenhos de Quim e Yebda e alguns fogachos individuais do medalhado Di Maria. Aimar e Reyes estiveram muito apagados, sendo que o '10' argentino começou cedo a contrair lesões... O árbitro fez um bom trabalho, apenas pecando por não ter dado ordem de expulsão a Luisão logo no início, por agressão do brasileiro a Sapunaru. Nas outras decisões duvidosas, acertou. Foi um clássico empolgante e emotivo, com um grande ambiente; o futebol português precisa de mais jogos destes.

2. A 2ª jornada da 1ª Liga está concluída, com Sporting e Nacional no topo da classificação com 6 pontos. Os sportinguistas foram a Braga arrebatar uma excelente vitória por 1 - 0, mercê de um tento de Postiga, enquanto o Nacional bateu em casa a Naval por 2 -1. Guimarães, Setúbal e Académica bateram, respectivamente, Marítimo, E.Amadora e Rio Ave, todas pelo mesmo resultado (1 - 0). O Leixões alcançou um importante triunfo na Trofa, com Zé Manel a marcar um golo sensacional. Belenenses e P.Ferreira empataram a duas bolas, sendo de realçar também o golo de belo efeito do talentoso Zé Pedro. A média de espectadores desta 2ª ronda foi de 11.035, ligeiramente inferior à da jornada inaugural.

3. Acabou finalmente o folhetim Quaresma, cujo desfecho foi o mais previsível: transferência para o Inter de Milão. O valor do negócio foi de 24,6 milhões de euros (18,6 milhões em dinheiro + Pelé, avaliado em 6 milhões), aquém daquilo que eu achava o preço justo que era de 30 milhões. Acabou por se confirmar que o arrastar da novela até ao limite não favoreceu em nada o FC Porto. No entanto, face a todas as condicionantes, nas quais se incluem a recessão no mercado futebolístico e as declarações do jogador a forçar a saída - colocaram o FC Porto numa posição negocial bem mais desfavorável -, considero ter sido o negócio possível e a melhor saída para todas as partes envolvidas. Era notório que o ciclo do jogador no Dragão havia chegado ao fim e a sua continuidade forçada poderia ser prejudicial ao próprio clube. Enquanto portista, considerei-o o melhor jogador da equipa durante muito tempo, mas a conduta que teve em muitos períodos da época passada, em que não teve um rendimento condizente com o seu talento e mostrou que mentalmente é ainda um miúdo, aliada à forma ingrata como saiu, fez com que baixasse bastante na minha consideração. Agradeço-lhe todas as alegrias e momentos geniais que me proporcionou, desejo-lhe toda a sorte do mundo no futebol italiano, espero que possa crescer com José Mourinho e ser peça importante na Selecção Nacional, mas não vai ter um lugar ímpar no meu coração como têm Vítor Baía, Deco ou Ricardo Carvalho.

4. O Benfica contratou Suazo, emprestado pelo Inter de Milão. Não conheço o jogador a fundo, mas pelas referências parece tratar-se de um excelente avançado, forte, rápido, tecnicista e com apreciável capacidade finalizadora. Não triunfou no Inter devido à feroz concorrência, mas em princípio deve vingar na Luz. Com o 4-4-2 em linha de Quique, vejo o Benfica da seguinte forma do meio-campo para a frente: Di Maria, Katsouranis (Yebda), Carlos Martins, Reyes; Cardozo, Suazo. Será que Aimar veio para ficar no banco? Ou o Quique vai mudar o sistema só para agradar a Rui Costa? É que sinceramente não vejo o argentino a render sem ser na posição '10'. Outra coisa: como é que o Benfica não tem um único lateral-direito de raíz no plantel?

5. Jorge Gonçalves, do Leixões, foi contratado pelo Racing Santander. É um passo importante na carreira do jovem extremo português, embora tenha pena porque enfraquece a nossa liga. É um excelente jogador que passou pelas camadas jovens do FC Porto, que tem vindo a construir uma carreira sustentada e ascencional e espero que um dia possa voltar ao nosso campeonato para jogar num clube de topo. No Leixões, foi sempre primeira opção, à frente de internacionais jovens como Vieirinha ou Diogo Valente. Cheguei a frequentar a mesma escola dele e, portanto, é com interesse que sigo o seu trajecto.

6. Convocatória de Carlos Queiroz para os jogos com Malta e Dinamarca: Quim, Eduardo, Daniel Fernandes, Bosingwa, Miguel, Paulo Ferreira, Antunes, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Pepe, Fernando Meira, Raúl Meireles, Pedro Mendes, Maniche, João Moutinho, Deco, Carlos Martins, Danny, Simão, Nani, Yannick Djaló, Nuno Gomes, Hugo Almeida. Já para o amigável com as Ilhas Faroé, a lista não fugira muito desta, tendo nessa altura sido chamados Duda e Manuel Fernandes. As novidades principais são as convocações de Pedro Mendes e Yannick Djaló e os regressos de Maniche e Carlos Martins, todas opções que me agradam sobremaneira. Além disso, desde há muito que defendo que Danny e Antunes mereciam uma oportunidade. Finalmente temos um seleccionador que escolhe os que lhe dão mais garantias em dado momento, de acordo com o seu momento actual. Por isso, não se estranham as ausências de Quaresma, Miguel Veloso ou Tiago, nomes que deverão ser chamados no futuro. Ricardo e Petit parece terem saído definitivamente das contas, o que é de saudar, pois já nada acrescentariam de positivo. As minhas ideias, felizmente para mim, convergem em muito com as escolhas de Queiroz, como se pode constatar neste e neste textos.

7. Ainda sobre a Selecção Nacional, é com particular entusiasmo que vejo três jogadores de quem gosto muito serem apostas do seleccionador, são eles Pedro Mendes, Danny e Maniche. No primeiro já tinha perdido a esperança, até porque o seu rendimento no Portsmouth na última época sofreu um abaixamento, mas a sua transferência para o Glasgow Rangers deu-lhe uma alma nova e espero que possa demonstrar na selecção o magnífico médio que sempre foi. Do Danny já há muito que me tinha lembrado, mas o facto de jogar na pouco visível liga russa poderia dificultar-lhe a vida. Felizmente Queiroz é um homem atento e com a recente mudança para o Zenit (já coroada com um golo ao Manchester United e conquista da Supertaça Europeia), é possível que se torne presença assídua. Quanto a Maniche, é um médio maravilhoso, que parecia entrar na curva descendente nesta temporada, de tal forma que o seu treinador Javier Aguirre não contava com ele inicialmente. Continuou a lutar por um lugar no Atlético Madrid e o resultado está à vista: titularidade e boas exibições nos últimos jogos dos 'colchoneros' e chamada à selecção. Sobre a sua prestação na vitória contra o Málaga, na 1ª jornada da liga espanhola, a Marca escreveu: "Maniche realizó un partido excepcional, peleando cada balón, dirigiendo al equipo, asistiendo a sus compañeros y llegando con peligro al área rival". Chega?

8. Nos últimos dias, realce para duas transferências sonantes no mercado europeu: Robinho, do Real Madrid para o Manchester City, por 42 milhões; e Berbatov, do Tottenham para o Manchester United, por 37. Duas excelentes contratações para os clubes compradores. O United ganha um avançado soberbo, de estilo de jogo diferente de Rooney e Tévez. O City fica com um jogador de talento maior que o próprio tamanho do clube, embora eu até nem seja grande apreciador do brasileiro. O Real Madrid acaba por não se sair muito mal deste imbróglio. Arrecada uma soma espectacular, não vende o jogador ao Chelsea e vê o jogador mudar-se para um clube infinitamente mais pequeno. Eu diria que, apesar de aumentar a sua conta bancária, a coisa não correu lá muito bem a Robinho. Muito menos ao Chelsea e a Scolari. Já agora, alguém já viu a última? Isto é o fim do mundo!

9. O sorteio das competições europeias realizou-se recentemente. Na Champions, o Sporting ficou inserido no grupo C, juntamente com Barcelona, Shakhtar Donetsk e Basileia; já o FC Porto calhou no grupo G, com Arsenal, Fenerbahçe e Dínamo Kiev. Acho que ambos têm a obrigação de passar aos oitavos-de-final. Na Taça UEFA, o sorteio não foi nada simpático para as cores portuguesas. O Benfica defrontará o Nápoles e penso que deverá seguir em frente, embora os italianos sejam sempre muito perigosos. O Braga medirá forças com o eslovaco Artmédia, bem conhecido dos portistas, devendo passar à eliminatória seguinte. O Guimarães, depois de ter ficado de fora da Champions, encontrará agora o Portsmouth, um adversário muito complicado mas ao alcance de um Vitória ao melhor nível. Ao Setúbal aparecerá novamente o Heerenveen, sendo o resultado desta eliminatória uma incógnita para mim, pois desconheço completamente o valor dos holandeses. Ao Marítimo, saiu a 'fava' Valência, pelo que não terá quaisquer chances de seguir em frente, a menos que aconteça um milagre. Aguardemos para ver.

10. Agora, algo que não tem nada a ver e completamente fora de tempo. Como ainda não tive oportunidade de o fazer, deixo aqui, com dois meses de atraso (!), o meu onze ideal do Euro'2008, apenas para ficar registado. Claro que fica péssimo no alinhamento, mas como o blog é meu e eu faço o que quiser, cá vai, em 4-4-2 losango: Casillas; Lahm, Pepe, Marchena, Zhirkov; Xavi, Sneijder, Iniesta, Deco; Arshavin, David Villa. Treinador: Guus Hiddink. Assim já me sinto melhor!

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

PASSES CURTOS (3)


1. Finalmente, aí está o campeonato! Sporting, FC Porto e Braga venceram com relativa tranquilidade, ao contrário do Benfica, que já marcou passo em Vila do Conde. Nada que surpreenda, tendo em conta a pré-temporada a que se assistiu. Guimarães e Setúbal empataram no jogo inaugural desta Liga Sagres, enquanto Naval e E.Amadora triunfaram, em casa, defronte de Marítimo e Académica, respectivamente. A grande sensação foi mesmo a excelente vitória (3 - 1) do Nacional no terreno do Leixões, com dois magníficos golos do 'bombardeiro' Bruno Amaro. Na minha opinião, foi uma jornada bastante interessante, com alguns grandes golos e uma média de 12.741 espectadores por jogo.

2. Fui ao Dragão ver o FC Porto-Belenenses e, apesar de a exibição portista ter sido apenas q.b., deu para vir satisfeito para casa. Do jogo, uma das coisas que mais gostei foi ver o Mariano González a calar pessoal, com um golo e uma óptima exibição. Jesualdo Ferreira lá resolveu colocar Raúl Meireles como pivot-defensivo, apostando em Tomás Costa - bom desempenho - para fazer companhia a Lucho mais à frente. A equipa melhorou com isso. Rodríguez esteve algo apagado e Lisandro muito perdulário. No entanto, pela forma como lutam e se entregam ao jogo, estão desculpados! Hulk marcou o melhor golo da jornada e começa a demonstrar um potencial enorme. Se for bem lapidado, de forma a perceber que o drible nem sempre é para ser usado, este jovem brasileiro vai dar que falar. A técnica, a velocidade, a potência e a capacidade finalizadora estão lá.

3. O Sporting bateu tranquilamente o Trofense. Não há dúvida que os 'leões' são o 'grande' que aparece em melhor condição neste início de temporada. O 4-4-2 losango está há muito enraízado, mas o maior número de opções e a evolução das próprias dinâmicas colectivas, faz deste Sporting um sério candidato ao título. Izmailov e Yannick Djaló estão num momento de forma espectacular. Rochemback, João Moutinho e Romagnoli aparecem igualmente em bom plano. E ainda faltam Miguel Veloso, Vukcevic e Liedson. Com a manutenção da estrutura vinda da época passada e a maior profundidade do plantel, seria um escândalo que Soares Franco não assumisse a candidatura ao ceptro nacional.

4. Do Rio Ave-Benfica apenas vi o resumo. O maior problema do Benfica é compatibilizar o sistema adoptado por Quique Flores e a utilização de Aimar, a mais sonante contratação do defeso, a par de Reyes. Como Quique parece não abdicar do 4-4-2 clássico, prevejo problemas no futebol encarnado, uma vez que Aimar desaparece quando colocado na frente de ataque. Por outro lado, é um '10' puro, sem intensidade para jogar como um dos dois médios centrais no actual esquema. A solução, dizem alguns, passa por colocá-lo numa ala, mas nesse caso, quando todos estiverem operacionais, quem sairá da equipa: Reyes ou Di Maria? Só se um destes jogar na frente, com Cardozo. Atentando no plantel benfiquista e nas características dos melhores jogadores, não tenho dúvida que o sistema mais adequado é o 4-3-3, mas é quase certo que não será usado pelo técnico espanhol.

5. José Mourinho já começou a ganhar em Itália. Arrebatou a Supertaça italiana frente à Roma, nas grandes penalidades. Há hábitos que não se perdem e quando se tem extrema competência e se sabe o que se anda a fazer tudo se torna mais simples. Figo foi titular e Pelé não saiu do banco. O miolo interista foi constituído pelo trio Stankovic-Zanetti-Muntari. Na Roma, Luciano Spalletti teve uma paragem cerebral e deixou Totti no banco. Só por isto já mereceu perder.

6. Quaresma continua na ordem do dia em Itália, por ser muito pretendido precisamente pelo Inter. O fecho das transferências aproxima-se e o braço de ferro entre Inter e FC Porto conhece novos capítulos a cada dia. A sensação que dá é que o jogador vai mesmo rumar ao Calcio, mas a dúvida mantém-se, até porque as divergências entre o que Moratti quer pagar e o que Pinto da Costa quer receber continuam substanciais. Continuo na minha: no mínimo 30 milhões ou não faria qualquer negócio. No caso de Pelé ser incluído (sempre em definitivo e nunca por empréstimo), a verba poderia baixar até aos 23/24 milhões, atendendo ao valor do médio luso. Num cenário destes, convém não querer inflaccionar o valor de Pelé, para se dizer que se vendeu por mais que o real. Por outro lado, quando leio notícias de que o Inter só oferece 18/20 milhões, só me apetece rir, mas às gargalhadas!

7. Deco continua a encantar em Inglaterra, com golos e grandes exibições. E o Chelsea soma e segue, com duas vitórias em dois jogos na Premier League. Luíz Felipe Scolari não me convence enquanto treinador, mas a qualidade do plantel dos 'blues' pode resolver muitos problemas. Não tenho visto os jogos, mas Scolari tem jogado em 4-3-3, com Joe Cole e Ballack nas alas, penso eu. Aquela equipa tem tudo para jogar em 4-4-2 losango: Cech; Bosingwa, Ricardo Carvalho, Terry, Ashley Cole; Essien, Lampard, Ballack, Deco; Drogba, Anelka. Com Joe Cole, Malouda ou Kalou sempre à espreita. Não tem nada que saber. Por seu lado, o Manchester United segue dois pontos atrás e com inúmeros problemas, o maior dos quais se prende com a ausência de Cristiano Ronaldo. A luta promete, mas o Chelsea talvez tenha alguma vantagem na disputa do título. Digo ainda que não acredito em Liverpool e Arsenal para esta luta.

8. Estou a gostar bastante de ver o Real Madrid a provar a outra face da moeda. Depois de ter aliciado Cristiano Ronaldo de forma eticamente reprovável, enfrenta agora o assédio do Chelsea ao craque Robinho, além da vontade deste de se mudar para Londres. Quem com ferros mata, com ferros morre! Ao contrário do United, que se mostrou intransigente, os 'merengues' não querem jogadores contrariados e preparam-se para transferir o jogador brasileiro. Seria, aliás, ridículo que tivessem outra atitude que não esta, depois do que andaram a fazer e dizer no caso de Ronaldo.

9. Danny foi vendido pelo Dínamo Moscovo ao Zenit por 30 milhões de euros (!), a cláusula de rescisão que constava no seu contrato. Obviamente que a verba é exagerada e o seu pagamento se deve a um endinheirado magnata russo. Porém, só vem provar a qualidade que sempre vi neste luso-venezuelano e que não foi por acaso que já defendia a sua convocação para a Selecção Nacional há algum tempo. Carlos Queiroz concedeu-lhe essa oportunidade e ele respondeu com um golo.

10. O Sporting perdeu há poucas horas com o Real Madrid por 5 - 3, no Troféu Santiago Bernabéu. Realizou uma segunda parte de grande nível, tendo nesse período ganho 2 - 0, mas chegaram ao intervalo a perder por 5 - 1! É o que dá ir para o Chamartin jogar com Pedro Silva, Ronny e Tiuí e denotar uma passividade defensiva patética. Ainda assim, valeu pela organização ofensiva dos segundos 45 minutos e pelos desempenhos individuais sobretudo de Yannick Djaló, João Moutinho, Izmailov e Romagnoli, que pouparam os 'leões' a uma vergonha inaceitável. Ó Postiga, e passares a bola, não?

segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

TESTES

FC Porto, Benfica e Sporting continuam a sua preparação tendo em vista a época 2008-09. Este fim-de-semana todos entraram em campo, precisamente em casa, vencendo os seus jogos e protagonizando boas exibições, talvez com os 'leões' a estarem uns furos abaixo dos outros dois. Os adversários foram de respeito e os testes, portanto, muito positivos, tendo já começado a definir algumas situações individuais e colectivas, isto numa altura em que os jogos a sério estão aí à porta.



FC PORTO - LÁZIO 2 - 1

Magnífica primeira parte do FC Porto, defronte de uma das mais prestigiadas equipas italianas. Os portistas vulgarizaram autenticamente a Lázio durante os primeiros 45 minutos. Jesualdo Ferreira apostou no seu habitual 4-3-3 e, na realidade, não há qualquer razão para mudar, pois é um sistema que já está completamente enraízado na equipa e que deu os frutos que todos conhecemos. Em termos individuais, destaque para a colocação de Benítez a lateral-esquerdo e de Guarín a pivot-defensivo, as posições onde há mais dúvidas sobre o seu dono. De resto, tudo normal: Helton na baliza, Sapunaru, Bruno Alves e Pedro Emanuel a completarem a defesa, Raúl Meireles e Lucho a manterem-se no meio-campo e o trio Mariano-Lisandro-Rodríguez na frente. Pode até dizer-se que o onze para defrontar o Sporting, sábado no Algarve, está encontrado.

Na primeira metade, o jogo portista foi de alta rotação, com velocidade e fluídez em posse de bola, movimentações constantes dos jogadores, objectividade nos ataques e pressing incessante na recuperação. Resultado: dois golos e um domínio avassalador do FC Porto, pontuado por alguns momentos de marcado brilhantismo. A máquina parece estar já bem oleada, o que entusiasmou o muito público presente no Dragão.

Cristian Rodríguez rubricou uma exibição soberba e caiu definitivamente no goto dos portistas. O extremo uruguaio alia a capacidade ofensiva (ultrapassou várias vezes o seu marcador directo, com velocidade e técnica) à disponibilidade defensiva (impressionante a forma como pressiona e luta pela bola), o que faz as delícias de qualquer treinador e o leva a encaixar às mil maravilhas no esquema azul e branco. Realizou várias arrancadas fenomenais, numa das quais serviu Lucho para o segundo golo. Já antes, Bruno Alves abrira o activo com um portentoso livre do meio da rua.

O entrosamento revelado é de enaltecer, se atendermos a que ainda estamos na pré-época. Todos os jogadores se integraram nos processos colectivos, não vi ninguém deslocado ou sem saber o que fazer. Lucho foi o cérebro de sempre e, além do habitual entendimento com Lisandro, parece querer tê-lo igualmente com Rodríguez. Mariano também esteve bem e, apesar de sempre muito criticado e incompreendido, é um jogador que me agrada. Meireles foi voluntarioso e esclarecido, como de costume. Guarín participou sempre correctamente no processo ofensivo, mostrando bons pés, boa visão e arrojo, tendo subido várias vezes e até tentado o ramate. A verdade é que, para quem joga na posição '6', sai muito do seu espaço e é ainda muito imaturo a nível posicional, o que pode por a equipa em dificuldades defensivas. Por isso, não o acho a melhor opção para substituir Paulo Assunção, pelo menos para já, sendo mais prudente apostar em Meireles para essa função. A defesa esteve geralmente acertada, tanto os centrais como os laterais.

Na segunda parte, com as inúmeras substituições e umas invenções de Jesualdo, como o 'double-pivot' ou o encosto de Lucho à direita, a equipa deixou de jogar como tal e o espectáculo baixou drasticamente de qualidade. Hulk foi mesmo o único que aproveitou para brilhar, com uma fantástica jogada individual - mal concluída - e mais uns apontamentos técnicos interessantes, embora ainda lhe falte perceber o momento certo para largar a bola. Mas pode ser um elemento bastante importante no plantel portista nesta temporada. De referir que o golo dos romanos foi apontado por Ledesma, num lance em que Nuno não está isento de culpas.



BENFICA - FEYENOORD 1 - 0

Boa exibição e vitória justa do Benfica, materializada com um grande golo de Cardozo, após uma assistência primorosa de Aimar. Quique Flores começa a assentar ideias, as indefinições quanto a jogadores vão diminuindo e, com isso, a tendência é de crescimento colectivo. Neste teste com o Feyenoord, houve uma evolução evidente em relação aos jogos anteriores efectuados pelos encarnados. O 4-4-2 clássico é o sistema eleito.

Quique optou por jogar com Katsouranis a central ao lado de Luisão, entregando o meio-campo a Yebda e Carlos Martins, com Ruben Amorim à direita e Urreta à esquerda. Maxi Pereira actuou do lado direito da defesa e Léo do lado contrário. Na frente, Cardozo foi o homem mais adiantado, tendo Aimar um pouco mais atrás.

O destaque da partida vai para o domínio benfiquista em termos de posse de bola, especialmente na primeira parte, graças à dinâmica e entrosamento revelados, mas também à pressão alta feita sobre os holandeses, que levou o Benfica a recuperar várias vezes a bola de forma rápida e em zonas adiantadas. O perigo rondou sempre muito mais a baliza de Timmer que a de Quim. O paraguaio Cardozo foi o principal responsável pelos sobressaltos provocados ao guardião holandês, já que, além do golo, enviou uma bola ao poste e ainda lhe proporcionou duas óptimas paradas. O 'Tacuara' teve uma noite em grande e foi o melhor em campo.

Carlos Martins foi dos jogadores mais activos e o futebol benfiquista passou invariavelmente pelos seus pés. Apesar de ter cometido alguns erros no passe, mostrou ao seu técnico que pode contar com ele para titular. Por seu turno, Yebda é fisicamente imponente, mas não é só isso. É um bom jogador, tem bons pés, sabe os terrenos que pisa e normalmente não complica, além de ter boa capacidade de pressão. Parece-me uma alternativa muito válida para jogar à frente da defesa. No entanto, julgo que Katsouranis continua a ser a melhor escolha para '6' e que é um desperdício colocá-lo no sector mais recuado. Nas alas, Amorim jogou à direita e esteve discreto, embora tenha tido uma oportunidade de golo soberana, tendo Urreta jogado à esquerda. O jovem uruguaio de 18 anos foi um dos melhores do primeiro tempo, fazendo da velocidade a sua principal arma. Revela ainda muita imaturidade, mas pode ser uma bela surpresa ao longo da época e constituir-se como opção constante para uma ala, já que na frente será mais difícil. Cá atrás, Léo e Katsouranis estiveram acima dos seus colegas de sector.

Agora, um apontamento individualizado para Aimar. O internacional argentino foi, a par de Reyes, a contratação mais sonante do clube da Luz até ao presente momento. Ninguém duvida da sua categoria. Mas estou em crer que o sistema instituído por Quique não o favorece nem um pouco. Jogar nas costas de Cardozo, como um dos avançados, retira-o do centro de jogo, faz com que entre em acção reduzidas vezes e não lhe permite ser o 'patrão' do futebol ofensivo da equipa. Seria mais adequado posicioná-lo mais atrás, onde tivesse uma visão maior do campo e dos colegas, distribuisse jogo ao critério do seu talento, pautasse os ritmos colectivos e pudesse também fazer passes a rasgar ou partir embalado de zonas mais recuadas em direcção à área. O problema que aqui se coloca é que Aimar não tem intensidade de jogo nem disponibilidade física suficientes para jogar no miolo apenas com mais um jogador. Conclusão: o 4-4-2 clássico não favorece as características de Aimar (o 4-4-2 losango - se bem que este não privilegiasse os extremos do plantel... - ou mesmo o 4-2-3-1 - embora Cardozo jogue melhor quando acompanhado... - seriam mais ajustados), o que, atendendo ao facto de ele ser um dos melhores jogadores do Benfica, pode vir a constituir um problema bicudo.

O internacional espanhol Reyes fez a sua estreia de águia ao peito e esta foi, quanto a mim, uma magnífica contratação. O jovem vindo do Atlético Madrid será certamente um dos grandes desequilibradores encarnados, servindo-se da sua capacidade técnica apurada e estonteante velocidade com a bola colada ao pé esquerdo. Aliás, neste encontro, já deu para ver um 'cheirinho' de Reyes, concretamente no espectacular remate ao poste e em mais um ou dois excelentes pormenores. Este vai dar cartas.



SPORTING - SAMPDÓRIA 2 - 0

Deste jogo, pouco posso falar, pois apenas o vi a espaços. Ao que se consta, a exibição leonina não foi brilhante, mas convém não esquecer que pela frente estava o 6º classificado da última liga italiana. Marcar dois golos e não sofrer nenhum é sempre positivo, sendo que o tento inaugural, marcado por Derlei, resultou de uma belíssima combinação com Yannick Djaló. Já o segundo nasceu de uma grande penalidade convertida por João Moutinho, que foi aplaudido mais que assobiado, uma novidade após as suas recentes declarações.

No Sporting, o losango é para manter, existindo apenas dúvidas quanto aos seus integrantes, sendo certo que, com os oito centrocampistas disponíveis, as combinações possíveis são imensas. E as discussões em redor desta problemática também. Moutinho e Rochemback são peças indiscutíveis, seja em que posição for, os restantes terão de fazer pela vida. Na minha opinião, a posição ideal para 'Roca' é a '6', mas para aí já existe Miguel Veloso, que por acaso vem de uma temporada muito abaixo do que pode produzir e se continuar na mesma corre o risco de ir para o banco. Moutinho rende mais como interior. Romagnoli é talvez a melhor alternativa para '10'. Vukcevic, em forma, tem de jogar, e aqui devo dizer que, devido às suas características, o acho mais talhado para jogar na frente que propriamente no losango. O 'problema' é que Liedson, quando recuperar, será titular, e Derlei é o avançado perfeito para jogar neste esquema. Moral da história: há homens a mais para os lugares existentes e uma gestão equilibrada e rotativa do plantel é aquilo que se pede a Paulo Bento.

Na defesa, tudo mais claro, com Abel e Grimi nas laterais e Polga incontornável no eixo. Resta saber qual o parceiro para o internacional brasileiro, se Tonel ou Caneira. Note-se que Caneira pode também facilmente ser adaptado a qualquer das laterais, algo que é potencialmente um ponto a seu favor na luta pela titularidade. Rui Patrício continua firme na baliza, embora seja minha convicção de que nesta época não vai dispor de tanta margem de erro, sob pena de poder perder o seu posto.

segunda-feira, 28 de Julho de 2008

QUESTIONÁRIOS (2)


O futebol já nos concedeu o privilégio de contemplar deliciosos momentos, protagonizados por autênticos génios, que ficarão eternamente marcados na História. Enumerar os melhores de sempre não será nunca uma discussão unânime, mas é algo interessante e que me provoca imensa curiosidade. Porque não ando com particular vontade de postar, aqui fica mais um questionário. Quem quiser pode escolher mais que uma resposta para cada pergunta.

1 - QUEM É O MELHOR FUTEBOLISTA MUNDIAL DE TODOS OS TEMPOS? PORQUÊ?

2 - QUEM É O MELHOR FUTEBOLISTA PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS? PORQUÊ?

3 - QUAL O SEU MELHOR ONZE DA HISTÓRIA DO FUTEBOL?

quarta-feira, 16 de Julho de 2008

ESCRAVO OU INGRATO?


A novela em torno da possível transferência de Cristiano Ronaldo, do Manchester United para o Real Madrid, ameaça ainda fazer correr muita tinta. Confesso que a forma como ela se foi desenvolvendo me incomodou desde o início, tendo esse incómodo vindo a aumentar à medida que os novos capítulos se vão sucedendo. A vontade de todos os envolvidos é clara. O Real Madrid quer o jogador português, estando disposto a quebrar todos os recordes de transferências (100 milhões de euros?). Ronaldo pretende rumar à capital espanhola, virando costas ao clube que lhe deu a oportunidade de ser aquilo que é hoje. Mas o Manchester United não o quer deixar sair e mostra-se inflexível em negociar a sua grande estrela, seja por que valor for.

Primeiramente, devo dizer que considero a actuação do Real Madrid perfeitamente vergonhosa. Utilizando todos os meios ao seu dispor e fazendo valer o seu poderio financeiro e estrutural, procura seduzir Ronaldo de forma anormalmente insistente, mesmo depois de o United ter declarado o jogador intransferível. O objectivo parece evidente: tornar a relação Ronaldo-United de tal forma insustentável, que obrigue o clube inglês a ceder às pretensões, quer do jogador, quer dos 'merengues'. A falta de respeito revelada pelo colosso espanhol para com um clube concorrente é imbecil. Já se percebeu que o United não quer perder Ronaldo por nada e que um acordo, a bem, entre os dois clubes é impossível. Então, há que fazer pressão constante e pública sobre o jogador, de modo a arrasar a convivência entre o português e a sua entidade patronal. Uma atitude que atropela quaisquer valores éticos e que contribui para uma crescente desumanização do futebol.

O jogador também não tem tido um comportamento correcto. É legítimo que Ronaldo ou qualquer jogador ambicione melhorar as suas condições financeiras ou simplesmente procure um novo desafio para a sua carreira. Há, no entanto, formas certas para o fazer. Declarar publicamente, de forma quase sistemática, que quer sair do United, importando-se apenas consigo próprio, é de uma gritante falta de respeito para com o clube que o projectou para a ribalta e de uma profunda ingratidão para com treinadores (nomeadamente o seu 'protector' Ferguson), colegas de equipa e adeptos do Manchester. Tal conduta leva-me a concluir que o jovem madeirense revela ainda uma dose grande de imaturidade, para além de um carácter discutível. É com mágoa que o digo, uma vez que sou um incondicional admirador do seu talento dentro do campo.

Não sou hipócrita e sei que qualquer pessoa procura sempre o melhor para si. Se amanhã, qualquer um de nós tiver uma oportunidade de trabalho mais vantajosa, vai querer agarrá-la. Todavia, o futebol é uma realidade particular. Ronaldo, como qualquer jogador de topo, aufere já um salário astronómico. A vontade de abraçar um novo projecto ou de ganhar mais dinheiro, não o deve fazer esquecer todos os princípios de gratidão, respeito e carinho pelas pessoas que o ajudaram. Para se perceber onde quero chegar, pensemos nas situações de João Moutinho e Miguel Veloso. Ambos têm ambições de progredir na carreira, mas já todos notaram a diferença de carácter entre um e outro. Tem-me desiludido que o carácter de Ronaldo se pareça mais com o de Veloso que com o de Moutinho...

Além desta vertente do carácter, há ainda uma outra que se prende com a inteligência na gestão de carreira. Cristiano Ronaldo, quanto a mim, não parece ser muito inteligente neste aspecto. Em Manchester, goza de um estatuto ímpar. É o ídolo incontestável, está inserido numa liga à medida das suas características, ganha títulos atrás de títulos, é reconhecido já como um dos melhores jogadores de sempre do clube. Na época que se avizinha, tem a possibilidade de arrebatar títulos importantes e raros como a Taça Intercontinental e a Supertaça Europeia, além dos habituais. Na minha opinião, mesmo não achando que deve manter-se para sempre no clube (mesmo que o fizesse só teria a ganhar, poderia tornar-se na maior figura da gloriosa história do United, à frente de nomes como Charlton, Best, Cantona ou Giggs), julgo que é um ciclo que ainda vai a meio e será um erro crasso se for interrompido abruptamente. O Real Madrid é um clube muito mais problemático, com mais pressão, menos organizado, onde existe uma cultura mais individualista e os jogadores não são tão acompanhados. Será sempre uma opção de alto risco e, mesmo não duvidando da qualidade de Ronaldo para se tornar um ídolo também em Madrid, julgo que o momento certo ainda não chegou.

Digo com todas as letras que, no lugar do Manchester United, não cederia a pressões de nenhuma ordem e manteria o jogador, fazendo valer os direitos provenientes do contrato assinado, de livre vontade, por ambas as partes. Os contratos (ainda) são para cumprir. Ao contrário do que pensa Joseph Blatter, presidente da FIFA, que declarou recentemente, de modo inacreditável, que a vontade dos jogadores deve sempre prevalecer e que se deve combater uma espécie de escravatura (?!) instalada no futebol. Ficámos a saber que para o mais alto dirigente do futebol mundial os contratos não valem nada, quando a vontade dos jogadores é quebrá-lo, e que se deve instituir a lei da selva no desporto-rei. Absolutamente surreal! Obviamente que Ronaldo e o Real Madrid concordaram com Blatter. Será que se o Barcelona, o Milan ou o Chelsea, por exemplo, encetassem uma campanha de assédio idêntica a jogadores como Casillas, Sérgio Ramos ou Robinho, o Real Madrid subscreveria também as infames palavras do incompetente dirigente suíço? Será que Blatter e Ronaldo sabem o que significa 'escravo'? Eu também quero ser 'escravizado' como Ronaldo!

Pese embora as notícias que nos vão surgindo, nomeadamente as produzidas em Espanha, que dão como quase certa a transferência do astro português, continuo com a mesma convicção pessoal desde o começo deste folhetim: Cristiano Ronaldo vai jogar no Manchester United em 2008-09.

quarta-feira, 25 de Junho de 2008

A MINHA ESCOLHA É...


... Carlos Queiroz. Exactamente! Seria esta a minha primeira escolha para suceder a Luíz Felipe Scolari. Dezenas de nomes já foram apontados como possíveis opções, umas mais realistas que outras, é certo. Já ouvi de tudo, alguns nomes chegam a ser hilariantes. Assim de repente: Guus Hiddink, Johan Cruyff, Frank Rijkaard, Louis Van Gaal, Marcelo Lippi, José Pekerman, Vanderlei Luxemburgo, Zico, Mano Menezes, Michael Laudrup, Fernando Santos, Manuel José, Jesualdo Ferreira, Paulo Bento, Jorge Jesus, José Peseiro, Luís Figo, Paulo Sousa, Sven-Goran Eriksson, Avram Grant, etc. Hiddink (talvez financeiramente inalcançável), Rijkaard e Cruyff seriam escolhas fantásticas. Van Gaal, Pekerman e Lippi era naquela... Os restantes nem pensar! O Madaíl que não nos mate do coração!!

PS: Mais tarde, uma abordagem mais completa sobre este assunto.

sexta-feira, 20 de Junho de 2008

RÚSSIA: AO RITMO DO MESTRE HIDDINK


Acabada de se qualificar, pela primeira vez na sua história, para a segunda fase de uma fase final de um Campeonato da Europa, a selecção da Rússia está, por estes dias, nas bocas do mundo e prepara-se para um interessante confronto com a poderosa Holanda. O futebol é, por vezes, irónico e quis o destino que o seleccionador russo, o holandês Guus Hiddink, aparecesse no caminho dos seus compatriotas.

Este feito inédito russo não acontece por acaso. A competência e conhecimento futebolístico de Hiddink são por demais reconhecidos, quer ao nível de clubes, quer no que concerne a selecções. A mestria com que monta as suas equipas, dotando-as de inteligência táctica e fazendo com que o valor colectivo seja superior à soma das individualidades, é a principal razão para o seu currículo invejável e que tende a aumentar.

Para este Euro'2008, Hiddink adoptou um sistema de 4-1-4-1, embora se possa também chamar de 4-1-3-2, conforme a perspectiva e o conceito de cada um (pormenor irrelevante, uma vez que mais importante que o desenho no papel é a dinâmica no relvado). Os princípos de jogo assentam basicamente em: posse de bola, assegurada pela excelente capacidade técnica da maioria dos jogadores; mobilidade colectiva permanente, com destaque para a subida dos laterais e liberdade dada ao 'playmaker' Arshavin para deambular por toda a frente de ataque; transição ofensiva rápida sempre que para tal houver possibilidade, aproveitando o momentâneo adiantamento adversário; correcto jogo de compensações sempre que alguém sobe no terreno e futebol sempre apoiado e em progressão.

O jovem Akinfeev, titular do CSKA Moscovo desde os 17 anos e internacional A desde os 18, é o guarda-redes titular, relegando Malafeev e Gabulov para o banco de suplentes. Bom entre os postes ou fora deles, Akinfeev promete ser uma garantia de segurança na baliza russa durante largos anos.

No sector defensivo, dois laterais extremamente ofensivos, Anyukov (Zenit) à direita e Zhirkov (CSKA) à esquerda, ambos com elevada resistência para percorrer todo o respectivo flanco à medida das necessidades. No centro, o experiente Ignashevich (CSKA) e o surpreendente Kolodin (Dínamo) formam uma dupla de respeito. Este quarteto tem dado boa conta de si, de tal forma que os conhecidos gémeos Berezutski perderam a condição de titulares. Yanbayev (Lokomotiv) e Shirokov (Zenit) poucas hipóteses têm de jogar.

No meio-campo, Semak (Rubin Kazan) joga à frente da defesa, garantindo rigor posicional, capacidade de luta e simplicidade na primeira fase de construção. Sobe pouco no terreno mas dá um equilíbrio defensivo deveras importante. À frente do pivot-defensivo, aparecem 3 homens mais ou menos em linha, com ordem para atacar, mas também para defender: Zyrianov (CSKA) à direita, Semshov (Dínamo) ao centro e Bilyaletdinov (Lokomotiv) à esquerda. Este trio, escusado será dizer, é forte tecnicamente, inteligente tacticamente e disponível fisicamente. Arshavin (Zenit) actua um pouco mais à frente, ali entre a zona 10 e a de segundo ponta-de-lança, com liberdade para vaguear pelas zonas do terreno onde houver jogo, quer seja ao centro, quer seja nas faixas laterais. Como opções credíveis há Bystrov (Spartak), Torbinsky (Lokomotiv) e Saenko (Nuremberga), este o único dos 23 seleccionados a jogar fora da Rússia.

Na frente, aparece Pavlyuchenko (Spartak) que, apesar de ser bastante alto, tem bons pés e não se mantém estático no meio dos centrais contrários, participando com propriedade no processo ofensivo. Tem também uma boa capacidade finalizadora, tendo surgido até rumores de que o Real Madrid estaria interessado nos seus serviços. Pogrebnyak (Zenit), melhor marcador da última edição da Taça UEFA, Sychev (Lokomotiv) e Adamov (FC Moscovo) estão no banco, à espreita de uma oportunidade.


A ESTRELA:

Andrei Arshavin (Zenit)
Médio-ofensivo/Avançado
29-05-1981, São Petersburgo
1,73 m
Titular do Zenit há oito temporadas e internacional A desde 2002, é um jogador de uma capacidade técnica impressionante e visão de jogo ímpar, o que lhe permite ser mortífero no último passe. O facto de ser um óptimo assistente, não o impede de possuir igualmente uma assinalável veia goleadora, que fazem dele um elemento com qualidades ofensivas fora do vulgar. É a verdadeira estrela da companhia.


OUTROS DESTAQUES:

Yuri Zhirkov (CSKA Moscovo)
Lateral-esquerdo
20-08-1983, Tambov
1,78 m
Lateral com uma vocação ofensiva tremenda, pode também actuar como médio e tem um pé esquerdo de fazer inveja a qualquer médio-centro, daí ser conhecido como o 'Ronaldinho Russo'. Percorre a faixa esquerda durante o jogo todo e a uma velocidade estonteante, constituíndo uma das principais fontes de alimentação do ataque russo. É imprescindível tanto na selecção como no seu clube e não é exagero afirmar que é um dos melhores laterais-esquerdos do futebol mundial.

Diniyar Bilyaletdinov (Lokomotiv Moscovo)
Médio
27-02-1985, Moscovo
1,86 m
Médio de excelente qualidade técnica, joga preferencialmente descaído sobre a esquerda, embora possa jogar em zonas mais centrais. Não obstante a sua elevada estatura, faz do drible uma das suas principais armas. Um dos mais talentosos jogadores surgidos na Rússia nos últimos anos. É já, aos 23 anos, uma autêntica certeza, não espantando que tenha sido dos mais utilizados na fase de qualificação.

Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo)
Defesa-central
14-07-1979, Moscovo
1,86 m
É um central maduro e já com larga experiência internacional, que o Sporting conhece bem, pois era o capitão da equipa que venceu a Taça UEFA em pleno Estádio de Alvalade, em 2005. Agressivo e com bom sentido posicional, é o patrão da defesa russa e uma das vozes de comando do conjunto.

terça-feira, 17 de Junho de 2008

PROVA DE FOGO


Aí está a primeira verdadeira prova de fogo da Selecção Nacional neste Euro'2008. A Alemanha é o adversário nos quartos-de-final e é aqui que se verá se os pupilos de Scolari têm ou não estofo para lutar pelo título europeu. Até agora os oponentes foram valorosos mas não o suficiente para colocar em sentido os jogadores portugueses. Desta vez, surge no caminho uma das maiores potências do futebol mundial, uma das selecções mais tituladas de sempre. Acresce a circunstância de o jogo ser a eliminar, o que aumenta consideravelmente o grau de pressão.

Não obstante a diferença de historial entre Portugal e Alemanha, com larguíssima supremacia dos germânicos, é hora de pensar no presente. E o presente diz-nos que Portugal é superior a nível individual. Resta saber se colectivamente essa vantagem de qualidade se fará sentir. Para tal, ajudará bastante que Luíz Felipe Scolari não se encolha e não comece a inventar problemas, pensando que está a arranjar soluções. Que quero dizer com isto?

Portugal actua normalmente em 4-3-3 e a Alemanha em 4-4-2 clássico. Não havendo razões para acreditar em mudanças, à partida, não se verificará um encaixe táctico, daí que a sagacidade dos treinadores possa assumir um papel fundamental. A distância entre Portugal realizar um bom jogo e passar por dificuldades, poderá estar numa simples opção central de Scolari: João Moutinho ou Fernando Meira? Se optar pelo médio do Sporting estará a dar uma prova de personalidade, mantendo o estilo de jogo e a identidade da própria equipa que comanda. Se, pelo contrário, escolher Meira, mostrará receio, alterando os princípios básicos da equipa, para se adaptar à turma alemã.

Oxalá esteja enganado, mas estou com a sensação que o brasileiro talvez escale um meio-campo composto por Meira, Petit e Deco. Se assim for, erro do tamanho do mundo. Scolari desvirtuaria a nossa equipa, para se moldar aos alemães, não estando disposto a correr quaisquer riscos, pelo menos na sua cabeça. Pois para mim, este é o grande risco de ficarmos pelo caminho. Uma opção destas significaria debilitar o meio-campo, perdendo capacidade de posse e de passe, seria uma escolha deliberada em actuar com o bloco mais baixo, deixando os homens da frente menos apoiados, forçando-os a acções individuais e potencialmente mais inconsequentes. Tudo para não ter de jogar lá atrás em igualdade numérica, com Pepe e Carvalho para Klose e Podolski. Neste caso, Meira encostar-se-ía mais aos centrais, ficando um a sobrar. O meio-campo ficaria entregue a Petit e Deco que teriam pela frente Frings e Ballack. As equipas ficariam então mais encaixadas, ganhando relevo os duelos individuais, as parelhas formadas nas diversas posições pelos jogadores de ambas as equipas.

Mantendo Moutinho como titular (mesmo podendo trocar simplesmente Petit por Meira, algo que até compreenderia), assumindo o risco de jogar em igualdade numérica no sector defensivo, a selecção poderia gozar de superioridade numérica no miolo, com Moutinho e Deco a assegurar supremacia nas trocas de bola e mantendo os homens da frente bem mais suportados. A ligação entre sectores seria, desta forma, bem maior. Não existindo o tal encaixe táctico, existiria a primazia das dinâmicas colectivas sobre os duelos individuais. Confiando na qualidade dos centrais lusos para jogar 2 para 2, o elemento a mais no centro do terreno poderia ser a chave do jogo, pois constituíria uma forma de Portugal poder actuar em posse, controlar o jogo, manter a bola no meio-campo adversário e jogar mais perto da baliza contrária. Claro que isto exigiria muita atenção na transição defensiva, uma vez que seria de prever que a Alemanha se 'especializasse' no contra-ataque.

Ou seja, torço veementemente para que Scolari não se acovarde, confie na qualidade dos jogadores que tem à disposição e mostre, sem reservas, que quer ser campeão europeu. O meio-campo só tem de ser Petit (ou Meira), Moutinho e Deco. Sem invenções. Neste caso, à superioridade numérica alemã na defesa, responderia Portugal com superioridade numérica no meio-campo, numa opção arrojada mas racional. O jogo português tem de se basear nos nossos pontos mais fortes. Se somos mais talentosos e melhores tecnicamente, o nosso jogo tem de cultivar a posse de bola e não o confronto físico. Isto não me parece possível com Meira e Petit ao mesmo tempo. Adicionalmente, se Simão (e não Ronaldo) se mantiver atento às subidas de Lahm, se Bosingwa conseguir secar Schweinsteiger, e se Petit cobrir a sua zona de forma correcta, não deixando Ballack lá penetrar, ora para rematar ora para assistir, podemos sonhar com as meias-finais. Portugal tem melhores jogadores e tem tudo para vencer a Alemanha. Veremos o que Scolari pensa disso...

Equipa provável da Alemanha (4-4-2 clássico): Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Metzelder, Lahm; Fritz, Frings, Ballack, Schweinsteiger; Klose, Podolski.
Equipa de Portugal para ganhar à Alemanha (4-3-3): Ricardo; Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira; Petit, João Moutinho, Deco; Simão, Nuno Gomes, Cristiano Ronaldo.

quarta-feira, 11 de Junho de 2008

NOVA VITÓRIA


Portugal voltou a ganhar. A vítima, desta vez, foi a República Checa, que saiu derrotada por 3 - 1. A Selecção Nacional nem fez um jogo muito conseguido e só na segunda parte produziu futebol de alguma qualidade. Durante o primeiro tempo, os portugueses sentiram sempre enormes dificuldades em pegar no jogo e praticar o tipo de futebol em que se sentem mais à vontade: jogo apoiado, de pé para pé, posse de bola à espera de um qualquer rasgo para a baliza. De facto, os checos mostraram-se bastante organizados defensivamente e sempre incómodos a partir para o ataque, com particular destaque para Sionko e Baros.

Coube a Deco, o melhor jogador em campo (embora a UEFA tenha elegido Cristiano Ronaldo), abrir o activo, na sequência de uma envolvente jogada colectiva. Sionko fez o empate, de cabeça, pouco depois, no seguimento de um canto. Este lance colocou a nú as fragilidades defensivas lusas nos lances de bola parada, algo que urge melhorar. Portugal continuou a dominar a partida, mas na verdade o futebol apresentado deixou bastante a desejar até ao intervalo. Ronaldo revelou-se quase sempre demasiado individualista, apesar de ter proporcionado uma grande defesa a Cech, com um espectacular remate do meio da rua. Deco mostrava que era o patrão do meio-campo, mas perdia algumas bolas desnecessariamente. Moutinho não esteve tão activo como frente à Turquia. Bosingwa não conseguiu ser o lateral ofensivo que se conhece e ainda inventou um pouco lá atrás. Enfim, no meio de algum cinzentismo, Paulo Ferreira terá sido mesmo o melhor português dos primeiros 45 minutos. Seguro a defender, disponível a atacar, fez o flanco esquerdo com acerto, tendo efectuado dois excelentes cruzamentos.

A segunda metade trouxe uma selecção portuguesa mais forte, mais rápida e sobretudo com vontade de garantir desde logo a passagem aos quartos-de-final. Deco resolveu pegar na batuta e começou a ditar leis no meio-campo com o seu futebol sedutor. Entre alguns lances de pura classe, fez a assistência portentosa para Ronaldo fazer o 2 - 1. Já nos descontos, resolveu apressar a marcação de uma falta, deixando Ronaldo e Quaresma na cara de Cech, para o 3 - 1. Por seu turno, Cristiano voltou a não ser brilhante, fundamentalmente se atendermos às expectativas existentes sobre si. Todavia, ao participar no primeiro golo de forma decisiva, ao marcar o segundo com um excelente remate e dando o terceiro numa bandeja a Quaresma, foi novamente um elemento decisivo. Não empolga, mas tem dito presente quando a equipa precisa.

A República Checa ainda tentou subir no terreno, tendo até causado alguns calafrios ao último reduto nacional. Koller foi lançado, numa clara tentativa de Karel Bruckner reforçar o jogo aéreo e presença na área. Sionko teve na cabeça o golo do empate, mas Ricardo defendeu para canto, redimindo-se de algumas intervenções 'aos papéis'. Pepe e Ricardo Carvalho voltaram a exibir-se em bom plano, embora os checos tenham conseguido penetrar na defensiva lusa uma ou outra vez.

A vitória foi difícil mas claramente merecida. Portugal foi a selecção que mais fez pelos três pontos. Ganhou mais uma vez pela diferença de dois golos, o que não deixa dúvidas sobre a justiça dos dois triunfos já conseguidos. Seis pontos somados e a qualificação para os 'quartos' garantida, com direito a primeiro lugar do grupo A, dado que a Turquia derrotou a Suíça. Portugal segue o seu trajecto sem vacilar. Veremos o que se vai seguir.

Duas notas finais: a primeira para Scolari, anunciado como futuro treinador do Chelsea, numa saída esperada mas com destino para mim surpreendente; a segunda para a narração patética e irritante de Valdemar Duarte na TVI, que me faz sentir imensas saudades da RTP e de Paulo Catarro.