terça-feira, 11 de dezembro de 2007

TRANQUILO


Está carimbado o primeiro lugar do grupo A da Liga dos Campeões e com ele a passagem aos oitavos-de-final da prova. O FC Porto espera agora por um dos segundos classificados dos restantes grupos. Não estando ainda tudo definido, é certo que, deste modo, se evitam alguns colossos europeus como Chelsea, Real Madrid, Milan, Barcelona, Manchester United e Inter. Por aqui se vê a importância da vitória (2 - 0) alcançada, no Dragão, sobre os turcos do Besiktas.
Os 'dragões' triunfaram de forma tranquila, sem grande brilhantismo, mas com muita segurança e personalidade. Jogaram de forma adulta, sabendo claramente o que o jogo lhes pedia e quais as melhores respostas a dar em cada momento. A noção exacta da sua superioridade sobre o opositor permitiu ao FC Porto actuar de forma descomplexada, algo que se consegue somente quando se atinge um determinado nível de maturidade e qualidade. O processo de evolução programado por Jesualdo Ferreira desde que chegou ao clube prossegue no seu caminho e os resultados alcançados - factor mais importante no futebol de alta competição - estão bem à vista de todos.

A primeira parte portista foi apenas q.b.. O Besiktas pouco ou nada fez em termos atacantes, mas a verdade é que provocou enormes problemas ao desenvolvimento do futebol azul e branco. Denotou boa organização colectiva, preencheu bem os espaços, exerceu bastante pressão sobre o portador da bola, logo a partir da zona de Paulo Assunção e, com isso, dificultou enormemente a construção de jogo portista. A habitual velocidade nas trocas de bola, o futebol apoiado e a mecanização entre Lucho e Meireles e os extremos (um dos princípois de jogo mais importantes da formação de Jesualdo) não funcionou na plenitude. Por outro lado, a pressão no sector intermediário foi feita de forma pouco intensa e agressiva, o que permitiu aos turcos queimar alguns minutos circulando a bola no meio terreno portista, embora sem importunar Helton de forma preocupante.

O jogo pouco inspirado do FC Porto não o impediu, contudo, de criar algumas jogadas de perigo para Rustu. Inclusivé Lisandro marcou um bom golo de cabeça, mas o lance havia sido erradamente interrompido, por fora-de-jogo inexistente. Já com o intervalo no horizonte, o golo de Lucho González, após uma paragem cerebral quase colectiva do Besiktas, veio repôr a ordem natural das coisas, uma vez que, não obstante a produção mediana realizada pelos 'dragões', foi o suficiente para fazer do 1 - 0 um resultado justificado.

Impulsionado pela vantagem, o FC Porto realizou uma segunda parte mais concordante com a sua valia, ao mesmo tempo que ficava patente a falta de soluções do adversário para alterar o curso da partida. A precisar de uma vitória, Tello e companhia subiram um pouco o seu bloco, mas faltava arte e imaginação para lograr algo de importante. O espaço nas costas para ser explorado pelos portistas aumentou exponencialmente, o que somado às famosas transições ofensivas rápidas, quase sempre com Lucho como motor, fazia adivinhar o dilatar da contagem. O golo de Quaresma, após assistência de Lisandro, não fez mais que confirmar essa tendência.

Até ao final o FC Porto deteve absoluto domínio e controlo do encontro. Por entre mais uma ou outra oportunidade, a ordem era mesmo manter a concentração, circular a bola e esperar pelo apito final. A gestão do esforço começou a ser feita ainda antes do jogo terminar, nela se enquadrando as substituições operadas por Jesualdo Ferreira. No FC Porto há um método bem consolidado de fazer as coisas e isso percebe-se.

Individualmente, houve algumas actuações bastante positivas:
- Bosingwa: sem grandes problemas a nível defensivo, integrou sempre correctamente a manobra atacante, usando a sua velocidade e fazendo diversos cruzamentos. Teve mesmo o golo nos pés ainda na primeira parte, mas Rustu fez uma bela defesa.
- Pedro Emanuel e Bruno Alves: jogo muito seguro da dupla de centrais. Emanuel foi o patrão e a sua experiência e voz de comando faz o seu parceiro parecer mais pequenino. Alves também esteve em bom plano, jogando de forma simples como se impõe, e sobressaindo em alguns cortes oportunos.
- Paulo Assunção: no segundo tempo teve duas hesitações, com perda de bola, nada normais no brasileiro. Fora isso, foi o pêndulo que todos conhecemos, sendo dos elementos mais importantes no equilíbrio colectivo. Posicionalmente, é um jogador impressionante, está sempre onde tem que estar no momento certo.
- Lucho González: a sua movimentação no meio-campo e a classe e categoria que garante são imprescindíveis nesta equipa. Revelou-se bem combativo (algo que nem sempre sucede) e, ha hora de organizar e lançar o ataque, foi o mestre. Na retina, ficou-me um passe que isolou Lisandro já na segunda parte, concluindo com um simples toque a transição ofensiva dessa jogada. E claro o golo inaugural que marcou foi um ponto mais a seu favor.
- Quaresma: manteve a bitola elevada demontrada de há uns jogos para cá. Melhor na segunda metade que na primeira, esteve sempre muito interventivo, conduzindo inúmeros ataques pelas alas. A maneira elegante como concluiu o lance do segundo tento, foi a melhor forma de agradecer a assistência de Lisandro.
- Tarik: decididamente, com confiança, este marroquino é outro jogador. Óptima exibição, com alguns lances de pura criatividade e um magnífico remate em arco que merecia golo. Foi o melhor da primeira parte. Após o descanso, o cansaço começou a fazer-se sentir e acabou substituído, não sem antes exibir mais alguns bons apontamentos.

Foi uma vitória tranquila, natural e justa da melhor equipa sobre o terreno. O FC Porto mostra que é uma equipa com qualidade suficiente para estar na alta roda do futebol europeu, deixando atrás de si o Liverpool, que foi golear fora o Marselha por 4 - 0! Tem agora os oitavos-de-final para jogar com um dos segundos e, se conseguir passar, nunca se sabe o que poderá acontecer, sabendo à partida que há equipas muito mais fortes em competição. Estou com uma fezada que o Schalke 04 será o senhor que se segue. E que bonito seria voltar a Gelsenkirchen...

13 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia,

gostaria de ser contactado para discutir uma eventual parceria entre o seu site e a sportingbet.

Cumprimentos,

Miguel Russo
miguel.russo@sportingbet.com

PTCACM aka Carlos Moreira disse...

Sim sem duvida, quanto ao Shalke 04 realmente seria um bom adversario no qual a vitoria daria boa motivação, contudo muitos cuidados se teria de ter ao ataque de Gelsenkirchen Kevin Kuranyi, Halil Altintop e cia

Felipe Leonardo disse...

Bela campanha do Porto na fase de grupos, que terminou como líder, a frente do Liverpool. Resta saber se a equipe tem condições de passar das oitavas-de-final. E pegar o Schalke 04 certamente traria boas lembranças aos portugueses.

Abraço,
Felipe Leonardo

quintarantino disse...

Nesta altura tudo é possível, mas um adversário "fraquinho" seria desejável. Para se poder avançar mais um pouco.
Ter ganho o grupo é extremamente motivador e reforça os créditos portistas pela Europa fora.
Só foi pena aqueles 4-1 em Anfield Road.

Paulo Pereira disse...

Tirando aqueles últimos e arrepiantes 12 minutos em Anfield, o Porto teve um comportamento irrepreensível nesta edição da Champions. Dominou o grupo, aliando exibições escorreitas com uma postura tacticamente irrepreensível. O 1º lugar é assim amplamente merecido, prémio para a melhor equipa lusa da actualidade, única capaz de ombrear com os colossos financeiros k pululam por essa Europa.

Agora, com apenas 16 sobreviventes, é tempo de sonhar. Com aquele jogo único, k faz os batimentos cardíacos aumentarem de intensidade. A final. Será utopia pedi-la? Talvez, atendendo a equipas de orçamentos estratosféricos, mas este Porto pode ir longe...

E sim, Bruno, teria uma magia especial regressar a Gelsenkirchen, mas sinceramente preferia adiar esse regresso, lá mais para a frente. Agora, se possível, os escoceses do Celtic ou do Rangers, caso estes passem. Parecem-me ser os mais acessíveis, se bem que não sejam pêras-doces.

Abraço,

Bruno Pinto disse...

Paulo,

O meu desejo é mesmo o Schalke 04, mas concordo que reeditar a final da Taça UEFA, jogando contra o Celtic, seria também bonito e não seria mau em termos desportivos. Agora que os grupos estão encerrados os adversários possíveis são os seguintes: Schalke 04, Olympiakos, Celtic, Lyon, Roma, Fenerbahçe e Arsenal.

Julgo que as equipas a evitar a todo o custo serão Roma e Arsenal. Penso que serão os dois mais fortes dos sete. Contudo, mesmo que algum desses nos calhe em sorte, é possível ombrear de igual para e igual e eliminar tanto italianos como ingleses. São equipas valorosas mas não chegam para assustar.

Schalke 04, Olympiakos e Celtic serão, na minha óptica, as equipas mais acessíveis e aquelas que nos permitiriam maiores probabilidades de passagem aos 'quartos'. Preferia o Schalke 04, não só pelo regresso a um local de boa memória, mas também por achar que talvez seja o menos difícil de todos, tendo em conta os ambientes terríveis de Glasgow e Atenas. Mas qualquer destes seria para derrotar com alguma certeza.

Numa posição intermédia, aparecem Lyon e Fenerbahçe, que, no entanto, manteria o FC Porto com excelentes hipóteses de passagem, pois é melhor equipa que franceses e turcos.

Aconteça o que acontecer, o FC Porto tem todas as condições para passar aos quartos-de-final e a partir daí sonhar não custa e tudo é possível. Não tendo a capacidade dos grandes colossos nem a força do FC Porto de 2004, possuímos uma equipa forte, que nos dá garantias de algumas alegrias.

gerson sicca disse...

Qdo o Porto começou empatando com o Liverpoll achei q a classificação não seria tão tranqüila assim. Mas o time engrenou e pode chegar às quartas sim. Depois só Deus sabe o q pode acontecer. Dependerá tb das zebras q poderão acontecer no caminho.

Filipe Soares disse...

Estive no estádio e o Porto não teve grandes dificuldades para vencer. Foi um joguito pró fraco, frio e muitas vezes bastante sonolento. Continuo a achar que os adeptos mereciam melhores espectáculos e o Jesualdo é o principal responsável por essa situação.

Sobre o adversário, a minha preferência vai para o Celtic. Como se pôde constatar nos jogos com o Benfica, os escoceses não sabem dar um chuto num carro de mato e só a incompetência lampiã fez com que estejam agora entre os 16 melhores. Nem o ambiente de Glasgow deve atemorizar, basta uns 10/15 minutos de bom futebol da nossa parte para eles ficarem todos caladinhos. Olympiakos e Fenerbahçe tb não seriam maus, o Schalke não queria para já. Arsenal, Roma e Lyon é de evitar.

O Jesualdo tem de jogar sem medo em casa ou fora. Espero que não mude a táctica só por ir jogar fora, como aconteceu o ano passado contra o Arsenal e depois contra o Chelsea. Dá sempre mau resultado e ele deve aprender com os erros. Já agora, acho que uns reforços em Janeiro vinham a calhar, o que achas disso, Bruno?

cesar disse...

BELA VITÓRIA DO PORTO. Dê uma passada lá no meu blog.
www.newsfut.wordpress.com
Pretendo fazer um vai-e-vem europeu e lá tmb poderá acompanhar um pouco mais sobre o Ibson que tá jogando muito e foi eleito o melhor meio campo do campeonato brasileiro. ESPERO VOCÊ LÁ VLW ABS.

Filipe Queirós disse...

O Na Bancada Central está de volta ao activo e espero voltar a contar com a vossa visita e opiniões!

Voltarei também a ser visitante assíduo deste espaço!

Saudações Desportivas do Na Bancada Central

Bruno Pinto disse...

Filipe,

Desculpa a demora da resposta... Olhando para o excelente desempenho do FC Porto até ao momento na presente época, poderia concluir-se que o plantel seria suficientemente valoroso, dispensando, por isso, a entrada de novos jogadores. No entanto, melhorar o que já é bom nunca é demais, e atendendo à aproximação da fase decisiva da Liga dos Campeões, julgo que a contratação de 2/3 reforços seria uma boa medida. Analisando o plantel, encontro três posições susceptíveis de serem melhoradas: médio (na linha de Raúl Meireles), médio-ofensivo (Leandro Lima tarda em se afirmar) e extremo (salvaguardando assim a ida de Tarik à CAN'2008). O ventilado Belluschi parece-me ser uma boa opção, uma vez que o meio-campo é formado sempre pelos mesmos jogadores e há que ter mais opções, até porque Kaz e Leandro Lima tardam em se afirmar. Continuo ainda à espera que a SAD se lembre de ir buscar o Pedro Mendes outra vez. A ver vamos o que sucederá.

quintarantino disse...

E vão dez...

Anónimo disse...

ola eu sou um jugador dos altarese gosto de voses.