sexta-feira, 20 de junho de 2008

RÚSSIA: AO RITMO DO MESTRE HIDDINK


Acabada de se qualificar, pela primeira vez na sua história, para a segunda fase de uma fase final de um Campeonato da Europa, a selecção da Rússia está, por estes dias, nas bocas do mundo e prepara-se para um interessante confronto com a poderosa Holanda. O futebol é, por vezes, irónico e quis o destino que o seleccionador russo, o holandês Guus Hiddink, aparecesse no caminho dos seus compatriotas.

Este feito inédito russo não acontece por acaso. A competência e conhecimento futebolístico de Hiddink são por demais reconhecidos, quer ao nível de clubes, quer no que concerne a selecções. A mestria com que monta as suas equipas, dotando-as de inteligência táctica e fazendo com que o valor colectivo seja superior à soma das individualidades, é a principal razão para o seu currículo invejável e que tende a aumentar.

Para este Euro'2008, Hiddink adoptou um sistema de 4-1-4-1, embora se possa também chamar de 4-1-3-2, conforme a perspectiva e o conceito de cada um (pormenor irrelevante, uma vez que mais importante que o desenho no papel é a dinâmica no relvado). Os princípos de jogo assentam basicamente em: posse de bola, assegurada pela excelente capacidade técnica da maioria dos jogadores; mobilidade colectiva permanente, com destaque para a subida dos laterais e liberdade dada ao 'playmaker' Arshavin para deambular por toda a frente de ataque; transição ofensiva rápida sempre que para tal houver possibilidade, aproveitando o momentâneo adiantamento adversário; correcto jogo de compensações sempre que alguém sobe no terreno e futebol sempre apoiado e em progressão.

O jovem Akinfeev, titular do CSKA Moscovo desde os 17 anos e internacional A desde os 18, é o guarda-redes titular, relegando Malafeev e Gabulov para o banco de suplentes. Bom entre os postes ou fora deles, Akinfeev promete ser uma garantia de segurança na baliza russa durante largos anos.

No sector defensivo, dois laterais extremamente ofensivos, Anyukov (Zenit) à direita e Zhirkov (CSKA) à esquerda, ambos com elevada resistência para percorrer todo o respectivo flanco à medida das necessidades. No centro, o experiente Ignashevich (CSKA) e o surpreendente Kolodin (Dínamo) formam uma dupla de respeito. Este quarteto tem dado boa conta de si, de tal forma que os conhecidos gémeos Berezutski perderam a condição de titulares. Yanbayev (Lokomotiv) e Shirokov (Zenit) poucas hipóteses têm de jogar.

No meio-campo, Semak (Rubin Kazan) joga à frente da defesa, garantindo rigor posicional, capacidade de luta e simplicidade na primeira fase de construção. Sobe pouco no terreno mas dá um equilíbrio defensivo deveras importante. À frente do pivot-defensivo, aparecem 3 homens mais ou menos em linha, com ordem para atacar, mas também para defender: Zyrianov (CSKA) à direita, Semshov (Dínamo) ao centro e Bilyaletdinov (Lokomotiv) à esquerda. Este trio, escusado será dizer, é forte tecnicamente, inteligente tacticamente e disponível fisicamente. Arshavin (Zenit) actua um pouco mais à frente, ali entre a zona 10 e a de segundo ponta-de-lança, com liberdade para vaguear pelas zonas do terreno onde houver jogo, quer seja ao centro, quer seja nas faixas laterais. Como opções credíveis há Bystrov (Spartak), Torbinsky (Lokomotiv) e Saenko (Nuremberga), este o único dos 23 seleccionados a jogar fora da Rússia.

Na frente, aparece Pavlyuchenko (Spartak) que, apesar de ser bastante alto, tem bons pés e não se mantém estático no meio dos centrais contrários, participando com propriedade no processo ofensivo. Tem também uma boa capacidade finalizadora, tendo surgido até rumores de que o Real Madrid estaria interessado nos seus serviços. Pogrebnyak (Zenit), melhor marcador da última edição da Taça UEFA, Sychev (Lokomotiv) e Adamov (FC Moscovo) estão no banco, à espreita de uma oportunidade.


A ESTRELA:

Andrei Arshavin (Zenit)
Médio-ofensivo/Avançado
29-05-1981, São Petersburgo
1,73 m
Titular do Zenit há oito temporadas e internacional A desde 2002, é um jogador de uma capacidade técnica impressionante e visão de jogo ímpar, o que lhe permite ser mortífero no último passe. O facto de ser um óptimo assistente, não o impede de possuir igualmente uma assinalável veia goleadora, que fazem dele um elemento com qualidades ofensivas fora do vulgar. É a verdadeira estrela da companhia.


OUTROS DESTAQUES:

Yuri Zhirkov (CSKA Moscovo)
Lateral-esquerdo
20-08-1983, Tambov
1,78 m
Lateral com uma vocação ofensiva tremenda, pode também actuar como médio e tem um pé esquerdo de fazer inveja a qualquer médio-centro, daí ser conhecido como o 'Ronaldinho Russo'. Percorre a faixa esquerda durante o jogo todo e a uma velocidade estonteante, constituíndo uma das principais fontes de alimentação do ataque russo. É imprescindível tanto na selecção como no seu clube e não é exagero afirmar que é um dos melhores laterais-esquerdos do futebol mundial.

Diniyar Bilyaletdinov (Lokomotiv Moscovo)
Médio
27-02-1985, Moscovo
1,86 m
Médio de excelente qualidade técnica, joga preferencialmente descaído sobre a esquerda, embora possa jogar em zonas mais centrais. Não obstante a sua elevada estatura, faz do drible uma das suas principais armas. Um dos mais talentosos jogadores surgidos na Rússia nos últimos anos. É já, aos 23 anos, uma autêntica certeza, não espantando que tenha sido dos mais utilizados na fase de qualificação.

Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo)
Defesa-central
14-07-1979, Moscovo
1,86 m
É um central maduro e já com larga experiência internacional, que o Sporting conhece bem, pois era o capitão da equipa que venceu a Taça UEFA em pleno Estádio de Alvalade, em 2005. Agressivo e com bom sentido posicional, é o patrão da defesa russa e uma das vozes de comando do conjunto.

12 comentários:

Felipe Leonardo disse...

Grande time, esse da Rússia.
Depois da Holanda, é um dos que tem apresentado bom futebol.

Abraço,
Felipe Leonardo

Paulo Pereira disse...

Sem dúvida, Bruno, esta equipa russa é excitante de ver jogar. Com o mestre Hiddink no banco, veterano de inúmeras batalhas e qualificações (basta ver o anterior brilharete, com a Austrália), a Rússia rectificou a expressiva derrota inicial, com a Espanha, carimbando merecidamente o seu passaporte para os quartos-de-final.

O duelo antevê-se emplogante, pela filosofia de ambos os técnicos. E este futebol russo, feito de frieza e táctica, mesclado com os ensinamentos dos treinadores holandeses (não esquecendo Advocaat no Zenit)promete fazer as delícias dos amantes do desporto-rei. Belo jogo em perspectiva.

Arshavin é um talento nato. Deslumbrou-me nas meias da UEFA, frente ao Bayern, entrando neste Euro no jogo frente aos suecos, espalhando o seu perfume, feito de magia e técnica.

Outro nome por quem nutro grande admiração é Zhirkov, sobretudo porque necessitamos de um defesa-esquerdo com aquelas características.

Estão lançados os dados. Esperemos pelas 19:45!

Francisco Correia disse...

http://universofutebolistico.blogspot.com/

Bruno Pinto disse...

Fiz este post antes da qualificação russa para as meias-finais, pois fiquei bastante agradado com o que vi no jogo frente à Suécia. Mas a vitória sobre a Holanda foi impressionante! Memorável exibição. Hiddink é mesmo um mestre. E até há um mês atrás nunca tinha ouvido falar de um tal de Arshavin...

Fred disse...

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Parabéns pelo blog e pelo trabalho desenvolvido!

TiagoNovais disse...

grande equipa a Russia, o Arshavin joga muito, tem um pé direito meu deus.



Tiago Novais


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Filipe Soares disse...

Grande Hiddink, grande Rússia! O jogo que fizeram contra a Holanda foi soberbo e aquele Arshavin que eu, por acaso, já conhecia, é um jogador do outro mundo. Se a Rússia conseguir ir à final, acho que é o grande candidato a melhor jogador deste Europeu. Tem-se falado no interesse do Porto, mas ele é completamente inacessível. Primeiro porque já ganha um balúrdio no Zenit. E depois porque com estas exibições não tarda muito vale uns 30 milhões ou mais.

Ainda sobre a Rússia, o Hiddink é o segredo daquele colectivo fortíssimo. Arshavin, Zhirkov, Pavlyuchenko e Bilyaletdinov são jogadores acima da média, mas de resto são uma equipa normal. Só que Hiddink percebe muito de bola e põe-nos a jogar de forma colectiva, há automatismos naquela equipa, todos defendem e todos atacam, actuam como um bloco sólido e todos sabem o que devem fazer.

São sérios candidatos à vitória final e seria bonito que depois de em 2004 ter ganho o anti-futebol da Grécia, desta vez ganhasse o futebol atractivo e de ataque da Rússia. O obstáculo maior será na meia-final com a Espanha ou a Itália. Se passarem à final, dificilmente Alemanha ou Turquia conseguirão resistir.

Bruno Pinto disse...

Filipe, um exercício para descomprimir: quem é melhor?

- Ricardo ou Akinfeev: Akinfeev.
- Bosingwa ou Anyukov: Bosingwa.
- P.Ferreira ou Zhirkov: Zhirkov.
- Pepe ou Ignashevich: Pepe.
- Carvalho ou Kolodin: Carvalho.
- Semak ou Petit: idênticos.
- Moutinho ou Semshov: Moutinho.
- Deco ou Arshavin: idênticos.
- Simão ou Zyrianov: Simão.
- Ronaldo ou Bilyaletdinov: Ronaldo
- N.Gomes ou Pavlyuchenko : Pavlyuchenko.

Individualmente, por comparação de posições tanto quanto possível, Portugal ganha à Rússia 8 - 5.

Lembrei-me disto, porque acabei de ler algures por essa blogosfera que Scolari e Hiddink são treinadores de nível semelhante! De rir...

Pedro Barata disse...

Hiddink é sem dúvida um mestre. Tivesse Portugal tido um Hiddink em vez de um Scolari e... quem sabe!
Um abraço, Bruno

Tiagojcs disse...

Exactamente . A principal diferença entre a selecção da Russia e a nossa é o treinador !

http://catedraldapalavra.blogspot.com/

Filipe Soares disse...

Bruno,

Realmente comparar um excelente treinador que tem feito grandes trabalhos por onde passa, com outro medíocre, mau tacticamente e que só se safa na parte psicológica, é de bradar aos céus. Não sei se é para rir ou antes para chorar! Este Euro mostrou nitidamente quem é o mais inteligente e o que percebe mais de futebol. E para aqueles tristes que passam a vida a falar que foi o melhor seleccionador de sempre de Portugal e foi campeão mundial em 2002, é preciso ver que ele cá teve das melhores gerações de sempre, com muitos jogadores de nível internacional. E em 2002, o Brasil tinha uma superequipa com Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafú, além de ter sido ajudado por algumas arbitragens. O que o Hiddink fez com a Coreia ou com a Austrália vale mais, em termos de acrescentar valor a uma equipa, que tudo o que Scolari fez pelo Brasil e por Portugal.

Sobre as comparações, acho que o Semak é melhor que o Petit. É muito mais rigoroso no lugar de trinco. Arshavin é um prodígio, mas mesmo assim acho que o Deco está acima, ele em forma é do outro mundo. Tenho dúvidas também se o Simão é melhor que o Zyrianov, muitas dúvidas mesmo. O Simão já deu o que tinha a dar e se queres que te diga, acho incrível o Quaresma ter jogado tão pouco tempo. No resto dos jogadores, concordo contigo. Mas claro que cada qual tem a sua opinião.

Temos melhor matéria-prima, mas também se viu bem quem praticou melhor futebol (os russos). Isso deve-se à diferença entre Scolari e Hiddink. E a Alemanha que se cuide, a Rússia não vai facilitar e se jogar como jogou com a Holanda...

vitoria disse...

Para mim esta Rússia ira estar na final :)


http://vitoria-1922.blogspot.com/