terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A GOLEADA PERDIDA


ATLÉTICO MADRID - FC PORTO 2 - 2
Liga dos Campeões 2008-09 (1/8 Final)
24 de Fevereiro de 2009
Estádio Vicente Calderón (Madrid)
Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)
Atlético Madrid: Léo Franco; Seitaridis, Pablo, Ujfalusi, António Lopez; Maxi Rodríguez (Miguel 80'), Paulo Assunção, Raúl Garcia (Maniche 67'), Simão; Aguero (Sinama-Pongolle 56'), Forlán. Tr: Abel Resino
FC Porto: Helton; Sapunaru (Pedro Emanuel 79'), Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Tomás Costa 90'), Lucho González; Lisandro (Tarik 90'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Ao intervalo: 2 - 1
Marcadores: 1 - 0 Maxi Rodríguez 3', 1 - 1 Lisandro 22', 2 - 1 Forlán 45', 2 - 2 Lisandro 72'
CA: Raúl Garcia 24', Sapunaru 27', Lisandro 60', Paulo Assunção 74'


Empate amargo para o FC Porto. Mesmo sabendo que empatar fora, com golos, numa eliminatória da Champions é um resultado positivo, o FC Porto fica a dever a si próprio e a alguns azares, uma vitória na capital espanhola, por números bem expressivos até. Os portistas vulgarizaram o Atlético Madrid e só a falta de eficácia na finalização e a arbitragem caseira impediram o sentenciar, desde já, da eliminatória. Ficou demonstrado que, ao contrário do que havia declarado Paulo Assunção antes do encontro, o FC Porto é, nesta altura, uma equipa muito superior ao Atlético. A forma personalizada e inteligente como se exibiu no Vicente Calderón não foi por acaso.

O FC Porto controlou a quase totalidade do jogo, criou imensas oportunidades claras de golo (muito mais que o adversário) e denotou maior agressividade, objectividade e lucidez. Soube sempre o que tinha de fazer para levar o perigo à baliza madrilena. Tivesse existido maior frieza na hora de definir as jogadas e poderíamos estar perante um desfecho humilhante para o Atlético, tantas foram as vezes em que o trio ofensivo azul e branco lançou o pânico na defensiva caseira. Este FC Porto está efectivamente talhado para os jogos mais difíceis, onde não tem de assumir o jogo abertamente e em que o adversário lhe concede os espaços necessários para que o futebol explosivo de transições fortes possa surtir o efeito pretendido. Rodríguez e Hulk estiveram particularmente inspirados e foram duas setas apontadas à baliza de Léo Franco. Lucho foi o patrão do meio-campo, com a sua habitual mestria na hora de decidir o caminho a seguir, especialmente durante a primeira parte.

O plano de jogo definido por Jesualdo Ferreira apontava claramente para o triunfo e o desempenho da equipa justificava amplamente tal desiderato. No entanto, estava escrito que este seria um jogo marcado por inúmeras adversidades e que só com muita cabeça e um espírito de grupo muito forte se conseguiria evitar uma injusta derrota. Há muito tempo que não sentia tanto nervosismo a ver um jogo de futebol. A Champions é um mundo à parte, estes jogos têm uma carga completamente diferente dos compromissos internos e ver a equipa a jogar melhor, a merecer golear e a perder, contra uma equipa inferior, com golos falhados em catadupa, uma arbitragem tendenciosa e o 'frango' de Helton em cima do intervalo, estava a deixar-me fora de mim.

Logo aos 2 minutos, o FC Porto mostrou ao que ía: arrancada demolidora de Hulk (é um fenómeno este brasileiro, mas ainda há gente que acha que ele é tudo menos jogador de futebol!), passe para Rodríguez que, já dentro da pequena área, em vez de assistir Meireles para um golo fácil, rematou contra um defesa espanhol. Estava dado o sinal. Só que na primeira vez que chegam à baliza, os 'colchoneros' inauguram o marcador por Maxi Rodríguez, num lance em que Cissokho não efectuou a cobertura ao argentino como devia. Sem nada ter feito por isso, o Atlético colocava-se em vantagem.

O FC Porto, porém, não se ressentiu e a reacção foi enérgica. Hulk foi a principal ameaça nesta fase para os espanhóis que não tinham antídoto para travar alguns piques avassaladores do '12' portista. Forlán ainda teve nos pés o segundo golo (boa defesa de Helton), mas o FC Porto estava a carregar e deliberadamente à procura do empate. Empate esse que foi alcançado aos 18 minutos de forma legal, por Lisandro, mas o árbitro anulou o lance por fora-de-jogo inexistente. Sobre isto, queria manifestar o meu repúdio pelo facto de o narrador da RTP não saber sequer o que é um fora-de-jogo, pois dizer que o lance é bem anulado, por Lisandro estar adiantado em relação ao penúltimo homem do Atlético, mas esquecendo-se que estava em linha com a bola, é surreal para um jornalista desportivo. Sim, depois lá lhe disseram as regras e emendou a mão, mas a incompetência (ou será outra coisa?) estava demonstrada. É este o serviço público que temos.

Mas o golo não tardaria. Após uma falha de Raúl Garcia, Lisandro surge isolado face a Léo Franco e atira a contar, minorando a injustiça que o resultado continha. O FC Porto continuou a dominar as operações e pressentia-se que a qualquer momento poderia passar para a frente. Lisandro teve uma oportunidade flagrante, após excelente jogada de Rodríguez, mas não conseguiu manter o acerto na finalização, permitindo a defesa do guarda-redes. A seguir, foi Hulk que, isolado por uma assistência primorosa de Meireles, permitiu nova intervenção providencial de Léo Franco. O FC Porto já ía justificando a reviravolta, numa partida que mantinha um ritmo elevado. Hulk e Rodríguez continuavam a deixar os adeptos madrilenos apreensivos com as suas 'explosões'. Aos 42 minutos, novamente o 'Incrível' a passar pelo opositor com facilidade e a disparar para a baliza, mas a bola sai a rasar o poste, sem que Lisandro e Rodríguez conseguissem desviar.

A felicidade não quis mesmo nada com os portistas. Neste contexto, o golo de Fórlan, num 'frango' ridículo de Helton (Fernando também não está isento de culpas, pela passividade que mostrou perante a incursão do avançado uruguaio), foi o culminar de uns primeiros 45 minutos do mais inglórios que já vi. Este tipo de erros acontece a todos os guardiões, mesmo aos melhores, mas foi a segunda vez que o brasileiro comprometeu seriamente a equipa num jogo da Champions e tenho dúvidas se terá estaleca para jogar a um nível tão alto. Não escondo que tive um ataque de fúria assim que vi aquela bola a entrar por entre as suas mãos. Ir a perder para o descanso, quando o resultado mais ajustado seria à vontade uns 3 golos de vantagem, era difícil de aceitar.

Na segunda parte, embora o FC Porto não tenha exibido uma supremacia tão evidente, mais do mesmo: FC Porto à procura da igualdade e a falhar oportunidades. Lisandro esteve perto do golo por duas vezes, numa das quais falhando de forma escandalosa, após assistência de Rodríguez que o deixou na cara de Léo Franco. O FC Porto exercia forte pressão e a defesa caseira tremia por todos os lados. Um remate do meio da rua de Raúl Garcia mostrou que o Atlético ainda poderia ser perigoso, mas era ponto assente que os portistas só descansariam quando conseguissem empatar. E conseguiu-o, aos 72 minutos, numa finalização oportuna do inevitável Lisandro, respondendo a um cruzamento bem medido de Cissokho. Gostei de ver os abraços a Helton nos festejos feste golo. É também deste companheirismo que se fazem os campeões.

O jogo tornou-se mais previsível a partir desta altura e com mais incidência sobre o miolo do terreno, com um natural e ligeiro ascendente do Atlético. Simão, Fórlan e Sinama-Pongolle - entretanto entrado - ainda causaram algum perigo, mas a verdade é que nunca houve muito engenho dos comandados de Abel Resino para ultrapassar a equipa portista. O apito final era uma questão de tempo.

O FC Porto deu uma demonstração de força e personalidade. Pode causar alguns estragos nesta competição, com a sua forma de jogar directa e explosiva. É um regalo ver a excelência de algumas transições ofensivas, ainda que neste jogo os erros defensivos primários do Atlético e a rigidez do seu 4-4-2 clássico, que proporciona muitos espaços sempre que o bloco não se posiciona atrás, também tenham ajudado o FC Porto a superiorizar-se em jogo jogado. A exploração das costas dos defesas contrários foi uma constante. No entanto, acho o FC Porto muito passivo quando perde a bola, concede demasiado espaço, não pressiona convenientemente o portador da bola, deixando a equipa adversária avançar no terreno sem grande oposição. Penso que este deveria ser um aspecto a corrigir. De resto, em organização ofensiva, até gostei do jogo de posse de bola que os portistas conseguiram praticar, algo que não é, como se sabe, um dos seus maiores predicados.

Individualmente, acho que Rodríguez foi o melhor jogador em campo. Colocou a cabeça em àgua a Seitaridis com as suas infindáveis arrancadas e foi sempre um dos mais inconformados. Grande jogo do 'Cebola'. Helton esteve sempre seguro, mas aquela falha patética, a fazer lembrar o jogo com o Chelsea há duas temporadas, manchou a sua exibição. Sapunaru fez um jogo medíocre, é fraco e não tem lugar na equipa - foi pena Fucile ter tido problemas físicos que o impossibilitaram de actuar. Cissokho esteve intermitente, tendo feito coisas boas e outras menos boas. Os centrais estiveram em bom plano, dominando o espaço aéreo e revelando sempre concentração máxima. Fernando, à excepção da abordagem ao lance do segundo golo do Atlético, teve um bom desempenho. Meireles fez um jogo fantástico, defendeu e atacou com igual eficácia, valendo-se da sua cultura táctica e capacidade de passe. Lucho foi o cérebro da equipa, na primeira parte esteve soberbo, tendo caído um pouco na segunda, mas ainda a tempo de fazer uma maldade a Ujfalusi. Lisandro falhou golos que não se podem falhar, mas marcou por duas vezes e movimentou-se muito e bem, participando quase sempre assertivamente nos lances de ataque e ajudando a defender com a sua habitual abnegação. Hulk foi enorme! Quando embala torna-se quase imparável. Desequilibrou por diversas vezes a defesa 'colchonera', servindo-se da sua velocidade e potência para deixar adversários por terra. Foi dos melhores, esteve sempre em jogo e foi dos que mais contribuíram para colocar o Atlético em permanente sobressalto. Mas já li nessa blogosfera que passou ao lado do jogo... Deve ser ainda o efeito do álcool da noite carnavalesca!

O FC Porto tem tudo para passar aos quartos-de-final. É superior, está em vantagem e joga a segunda mão no Dragão perante os seus adeptos, além de que Howard Webb não será o árbitro... Será que à terceira será de vez?

11 comentários:

Fora de jogo disse...

O FC Porto jogou bastante bem. Pena foi a fraca concretização, pois teria resolvido já a eliminatória.

A defesa portista teve alguns deslizes, concedendo espaços largos para os extremos poderem cruzar.Contudo deram conta do recado.

Pena o golo sofrido do Helton, não merecia ter deixado aquela imagem, mas os grandes ultrapassam estes momentos com facilidade.

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Filipe Soares disse...

O Porto fez um belo jogo e merecia ter ganho por boa margem. Foi uma noite de azares, muitos azares aliás, e temos de enaltecer a garra dos jogadores do Porto que conseguiram lutar contra tudo isso e sair do Calderón com um resultado imerecido mas positivo, a abrir boas perspectivas para daqui a 15 dias (todos ao Dragão!).

O Porto mostrou que é superior ao Atlético, individual e colectivamente. Não pode é falhar tantos golos na cara do guarda-redes, porque a este nível isso pode ser fatal. Podíamos ter a eliminatória resolvida e assim ainda poderemos sofrer um bom bocado aqui em casa. Mas estou confiante.

O Helton voltou a ter uma paragem cerebral, é impossível sofrer um golo daqueles na Liga dos Campeões. Numa altura em que estávamos por cima, sofrer um golo assim, perto do intervalo, podia ser catastrófico. Felizmente o Atlético também não atravessa um bom momento e soubemos reagir na segunda parte.

O trio da frente esteve espectacular, dinamitou aquela defesa espanhola, o Sapu secou o Simulão (não concordo com a análise que lhe fizeste) e os nossos médios dominaram a seu bel-prazer.

Foi, de facto, uma goleada perdida. Estou orgulhoso da equipa. Espero que o Juju não invente na segunda mão.

Bruno Pinto disse...

Filipe,

Pára lá de chamar Juju ao nosso Professor! :) Ele merece crédito.

Já agora, é com uma enorme satisfação que leio as análises que se vão fazendo em Espanha. Os espanhóis (imprensa, adeptos, etc) são do mais sobranceiro que pode haver e menosprezam constantemente o futebol português. Com a diferença de qualidade ontem havida entre as duas equipas, tiveram que, ao menos por uma vez na vida, meter a violinha no saco.


Para a posteridade, ficam aqui duas crónicas elucidativas:


MARCA:

"El Oporto se marchó del Vicente Calderón con la sensación de haber dejado escapar con vida en su propia casa al Atlético de Madrid. Los rojiblancos volvieron a mostrar una vez más su peor versión. Esa en la que la defensa es un auténtico coladero y en la que hasta el delantero más flojo parece el mejor Ronaldo. Los portugueses se pudieron marchar de Madrid con la eliminatoria sentenciada e inexplicablemente no lo hicieron. Sólo Leo Franco y Forlán mantuvieron el tipo en un partido para olvidar.

La incógnita antes del choque era saber si el Atlético pasearía también por Europa el fútbol que tan malos resultados le está dando en Liga. Lo hizo. Y eso a pesar de que el encuentro se le puso de cara nada más comenzar. Agüero puso un balón a Forlán dentro del área, el uruguayo no llegó a alcanzarlo pero Maxi -que le cubría bien las espaldas- se encargó de convertirlo en gol. Parecía que la maquinaria estaba engrasada.

Eso hasta que entró en escena la defensa rojiblanca. Se sabía que el tridente ofensivo del Oporto era peligroso, pero la zaga atlética se encargó de convertirlo en sublime. Lisandro, Cristian Rodríguez y especialmente Hulk hicieron lo que les dio la gana en el césped del Calderón. Se marcharon en velocidad de sus marcajes siempre que quisieron y dispusieron de ocasiones para dejar la eliminatoria más que sentenciada.

Tantos fallos atrás y tantas comodidades para los delanteros sólo podían acabar de una manera. A los 20 minutos de partido Pablo calculó mal. Saltó a por un balón alto y se le escapó, dejando solo a Lisandro ante Leo Franco. El argentino no rechazó el caramelo y puso las tablas en el marcador.

A partir de ahí llegó la exhibición de los lusos. Ni se sabe cuántas veces los delanteros del Oporto recibieron pases al hueco ante la pasividad de los defensas. Hulk ganó casi todos los balones divididos a Pablo y Lisandro tuvo ocasiones de sobra para engordar sus estadísticas.

Cuando peor estaban las cosas para los locales la fortuna quiso sonreir a los colchoneros. Forlán, el único delantero que creó algo de peligro, lanzó uno de sus latigazos y Helton se lo tragó. El portero brasileño se confió y permitió que el balón se le escurriese de las manos una vez lo atrapó.

Tras el descanso el Atlético hizo un pequeño amago de ganar en seguridad. Por momentos los defensas parecían mejores y, sobre todo, el balón les duraba más en los pies a los centrocampistas. Abel consideró que Agüero no era capaz de ganarle la partida a Rolando y Bruno Alves y decidió apostar por Sinama ante el enfado del Calderón.

De nuevo se trataba de un espejismo. En su enésima embestida por la banda izquierda Cristian Rodríguez combinó con Cissokho y éste puso un centro medido a Lisandro para que marcase el segundo y pusiese las tablas definitivas en el marcador.

Con el partido así el Oporto no quiso hacer sangre. El Atlético era totalmente inofensivo en ataque y, salvo una cantada como la del segundo gol, parecía muy difícil que marcasen otro tanto. Redujeron la presión y lo dejaron todo visto para la sentencia de O Dragao. Más les vale a los de Resino cambiar el chip o lo de la Champions habrá sido un sueño que se acaba muy pronto."



AS:

"Noche grande. Volvía una eliminatoria de Champions al Vicente Calderón tras doce largos años de espera para la parroquia rojiblanca. Los de Abel, incapaces de levantar cabeza en la Liga, se agarraban a la máxima competición continental para volver a mostrar su mejor cara. Ante ellos, el Oporto, un ex campeón de Europa venido a menos y que tiene en su ataque su principal arma, caso idéntico al del conjunto colchonero. Perea era la única baja en los locales, mientras que el equipo portugués contaba con todos sus efectivos.

El balón echó a rodar y tan sólo dos minutos tardó la defensa atlética en dar el primer susto a sus seguidores. La increible galopada de Hulk por banda derecha acabó con un centro a "Cebolla" Rodríguez, que pecó de egoista y estampó su disparo contra Leo Franco teniendo a su lado, y totalmente desmarcado, a un compañero. La grada del Calderón comenzaba a sudar demasiado pronto, pero eso se encargó de arreglarlo Maxi. El argentino adelantó a su equipo un minuto después a pase de Agüero, poniendo el Calderón patas arribas.

Sorprendió el planteamiento del Oporto. El equipo portugués dominaba a su antojo a los locales con una defensa perfectamente colocada, un centro de campo que era capaz de sacar el balón jugado y servir de enlace con sus delanteros. Cada entrada por banda de Hulk era una pesadilla para la defensa colchonera. El jugador brasileño sentaba literalmente en el suelo a los zagueros del conjunto español con cada uno de sus recortes. En el Manzanares se temía lo peor, más aún tras un gol anulado a Lisandro por un justísimo fuera de juego.

El Atlético fue retrasando sus líneas ante el avance del equipo luso. La llegada del gol del empate era cuestión de tiempo. Lisandro aprovechó el enésimo fallo de Pablo para plantarse sólo delante delante de Leo Franco y batirle con un duro disparo. El gol de los de Ferreira atontó aún más al equipo español, que no era capaz de recuperar la posesión de la pelota y plantarle cara a su rival. En tan sólo tres minutos, Hulk pudo sentenciar el encuentro con dos ocasiones a las que respondió a la perfección Leo Franco, el mejor jugador local de la primera mitad.

Cuando ya se mascaba el descanso un flojo disparo de Forlán le sirvió a Helton para tirar por tierra todo el trabajo realizado por sus compañeros desde el comienzo. El portero brasileño y sus manos de mantequilla subían el segundo tanto colchonero al marcador ante la incredulidad de todos los presentes. Resultaba imposible explicar el resultado a raiz de lo visto sobre césped.

Caras de asombro y de estupor en jugadores, técnicos y aficionados locales con el pitido que indicaba el descanso. Lo mejor para los hombres de Abel era el resultado, y lo peor el coladero en que se convirtió su defensa, llegando a ser sonrojante en algunas ocasiones, y el baño de juego y ocasiones recibido. El Oporto se marchó a los vestuarios sabiendo que había desaprovechado la oportunidad de sentenciar, con dos o tres goles más, el encuentro y la eliminatoria en los primeros cuarenta y cinco minutos. Como muestra, un botón: sólo una llegada con peligro del Atleti, la del primer gol.

Tras el descanso, el partido siguió con la misma tónica. Primer acercamiento del Oporto al área rival y primera ocasión de peligro. Pablo acabó despejando un balón que se iba fuera por poco tras el remate de "Cebolla" Rodríguez. Acto seguido, fue Lisandro el que desperdició la enésima oportunidad del conjunto luso cuando lo tenía todo para empatar. Mientras tanto, el Atlético lo intentaba con disparos lejanos desde fuera del área sin acierto alguno.

La entrada de Sinama en sustitución de Agüero sirvió para que Abel se llevase la primera pitada de su afición desde que llegó al banquillo colchonero. La grada observó con desagrado como se retiraba la estrella de su equipo con casi toda la segunda mitad por jugar. Si los milagros existen, hoy en el Calderón ha tenido lugar uno de ellos. Los locales seguían con ventaja en el marcador en un partido en el que estaban siendo manejado como un juguete por su rival y en el que haría falta más de una mano para contar los goles que pudieron encajar.

La película de terror que estaba viviendo el equipo y la afición atlética comenzó a tener tintes dramáticos a veinte minutos del final, justo el momento en el que la defensa rojiblanca dejó entrar por banda a placer a Cisshoko, que dejó en bandeja el empate a Lisandro. Esta vez el argentino no falló.

En el tramo final del partido el Oporto se tomó un respiro y bajó su ritmo de juego hasta el punto de dormir el partido con la intención de dejar pasar los minutos y arrancar el empate en feudo visitante.

El Atlético viajará a Portugal con posibilidades de superar la eliminatoria, algo inexplicable teniendo en cuenta lo visto durante los noventa minutos. Los hombres de Abel realizaron un partido nefasto que pudo acabar con el sueño europeo si no fuese por la actuación de Leo Franco y la falta de puntería de los de Ferreira. El Oporto pudo certificar su pase a cuartos con facilidad y convertir la vuelta en un puro trámite. Los milagros existen, esta noche en el Calderón ha quedado demostrado."


LINDO!!

Paulo Pereira disse...

Lindo, sem dúvida, ver a imprensa espanhola rendida à nossa exibiçao. Pena que a mesma não tenha tido a devida correspondência no resultado mas a falta de frieza na finalização, aliada a um monumental azar, que nos persegue desde a eliminatória frente ao Schalke, obstaram a que a Europa assistisse a um resultado desnivelado.

Temi o pior, com o golo inaugural, mas a equipa soube ser grande, respondendo com personalidade a todos os obstáculos e acontecimentos negativos. Resistiu à perda de Fucile (bom jogo de Sapunaru, cheio de garra, camuflando aquela estranha ingenuidade e nervosismo que o tolhem), sobreviveu ao 2º tento do Atlético, obtido numa altura crucial, à beirinha do intervalo, para calar uma aficcion insana no apoio aos colchoneros.

Agora, resta-nos ser nós próprios, na recepção aos madrilenos, para voltarmos a ser felizes, endereçando ao mesmo tempo uma forte mensagem a Platini e amigos: NÃO NOS ABATEM FACILMENTE!

Uma palavrinha final para a caseira arbitragem do inglês Webb, pactuando com faltas grosseiras, invalidando um golo regular aos azuis e brancos e perdoando a expulsão a Pablo. Muito má, para esta fase da prova!

Vítor disse...

Este foi sem dúvida o melhor jogo da época do FCPorto! Oxalá se apresente a este nível no sábado perante o Sporting. E já agora, que miséria o jogo do Sporting contra o Bayern. Realmente, a nível nacional só o FCPorto tem categoria para jogar na Liga dos Campeões!
O FCPorto podia facilmente ter goleado o Atlético, não fossem os erros de arbitragem e a má finalização. Para mim, uma grande equipa tem que aproveitar as oportunidades de golo e nisso o FCPorto tem sido muito perdulário.
Acredito, que jogando assim, o FCPorto vai passar a eliminatória e fazer boa figura nos quartos.

Daniel Leite disse...

Não pude assistir à partida, Bruno, mas acompanhei os melhores momentos. Qualquer espécie de resumo do jogo - visual ou escrito - leva-nos a algumas conclusões: o Porto, de longe, mereceu vencer e, diante das circunstâncias, é um dos maiores candidatos a seguir em frente. Acredito que faltem alguns elementos para que o Porto consiga disputar o título da UCL efetivamente. De todo jeito, posicionar-se entre os oito melhores já seria algo grandioso. Ainda mais se a sorte lhes sorrir, indicando Villarreal ou Panathinaikos como adversário na próxima fase!

Até mais.

Nuno disse...

"Hulk foi enorme! Quando embala torna-se quase imparável. Desequilibrou por diversas vezes a defesa 'colchonera', servindo-se da sua velocidade e potência para deixar adversários por terra. Foi dos melhores, esteve sempre em jogo e foi dos que mais contribuíram para colocar o Atlético em permanente sobressalto. Mas já li nessa blogosfera que passou ao lado do jogo... Deve ser ainda o efeito do álcool da noite carnavalesca!"

Hulk foi banalíssimo. Teve duas arrancadas dignas de registo. As duas pela linha, que é onde, de facto, é muito bom. No meio, onde jogou maior parte do jogo, contribui com perdas de bola aos magotes e foi pouco solicitado. Nas poucas vezes que a sua velocidade foi explorada, há responsabilidades da defesa contrária. Hulk não fez um grande jogo e foi mesmo o jogador em menor destaque do meio-campo para a frente. Na linha, insisto, pode ser uma ameaça. No meio, só se os defesas forem incompetentes.

"os erros defensivos primários do Atlético e a rigidez do seu 4-4-2 clássico, que proporciona muitos espaços sempre que o bloco não se posiciona atrás"

Han?? O Atlético em 442 clássico?? Estás a dizer que o Atlético jogou em 442 clássico? Mas aqui disseste que o Atlético costumava jogar em 4231:

"http://revistafutebolista.blogspot.com/2008/09/atltico-madrid-de-volta-aos-grandes.html"

"A estratégia 'rojiblanca' assentará, em primeira instância, no esquema 4-2-3-1, com um 'double-pivot' no miolo e uma linha de três médios atacantes no apoio a um avançado."

Na altura, tive oportunidade de te corrigir e de te dizer que eles jogavam em 442 clássico. Estou a ver que aprendeste. Isso demonstra carácter. Muito bem.

Thiago Madureira disse...

Realmente o time português jogou bem e poderia sair de Madri com uma vitória.
Depois da vitória 'colchoneira' hoje sobre o Barça, eles vão entusiasmados e motivados para Portugal em busca da classificação.
O jogo promete!!!

Leandro Montianele disse...

O Porto, com certeza, não terá dificuldade de se classificar frente ao Altetico de Madrid. Se o Helton não tivesse falhado feio, poderiam ter saído com a vitória.

Depois dê uma passado no meu blog sobre futebol que criei a pouco tempo, o Na Esfera do Futebol.

Abraços!

fernando disse...

El Oporto mereció ganar en Madrid y en Oporto. Fue mucho mejor que el Atlético en ambos partidos. Un abrazo.

Jotas disse...

Nesta elminatória, a superioridade do porto foi tão evidente, embora mais em Madrid, que só espanta o facto de o Porto passar com 2 empates, os quais são demasiado enganadores perante tanto dominío.
Contudo, julgo que este foi o adversário ideal para os 1/8 final, e que aconteça o que acontecer, a resença portista nesta edição da Champions, já foi bastante meritória, embora também julgue, que neste momento, dificilmente o Porto pode aspirar a vôos mais altos, pois ainda está algo distante de equipas de um outro nível europeu.