domingo, 8 de fevereiro de 2009

EMPATE JUSTO


FC PORTO - BENFICA 1 - 1
1ª Liga Portuguesa 2008-09
8 de Fevereiro de 2009
Estádio do Dragão (Porto)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
FC Porto: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves, Cissokho; Fernando, Raúl Meireles (Mariano González 65'), Lucho González; Lisandro (Farías 88'), Hulk, Cristian Rodríguez. Tr: Jesualdo Ferreira
Benfica: Moreira; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luíz; Ruben Amorim, Yebda, Katsouranis, Reyes (Nuno Gomes 86'); Aimar (Carlos Martins 90'+1'), Suazo (Di Maria 62'). Tr: Quique Flores
Ao intervalo: 0 - 1
Marcadores: 0 - 1 Yebda 45'+1', 1 - 1 Lucho González 71' gp
CA: Fernando 50', Maxi Pereira 52', Katsouranis 64', Yebda 70'


Para muitos este era o desafio mais importante da temporada interna até ao momento. A expectativa era grande, a semana que antecedeu a contenda foi intensa e a infíma diferença pontual entre ambas as equipas fazia antever um jogo de nervos. A arbitragem tem feito parte da agenda quotidiana do futebol português. Todos se queixam, todos se acham prejudicados, os erros grosseiros acontecem a uma velocidade assustadora, a suspeição é atirada para o ar diariamente e, portanto, o árbitro Pedro Proença não dispunha do ambiente propício para fazer uma boa arbitragem no Dragão. É por aí que começo.

Pedro Proença fez uma má arbitragem. Cometeu três erros graves e, ainda que no resto da partida tenha estado bem (exceptuando o facto de ter permitido que metade dos 3 minutos de compensação fossem passados sem jogar), a verdade é que influenciou o normal curso do jogo e o desfecho do mesmo. Aos 18 minutos, não assinalou uma grande penalidade, por falta clara de Reyes sobre Lucho. Como se sabe, na área não há lei da vantagem e não é pelo facto de o argentino se ter levantado após o desequilíbrio provocado pelo toque de Reyes que deixa de existir falta. Aos 26 minutos, Sidnei pisa ostensiva e maldosamente Lucho, justificando-se a exibição do vermelho directo, por conduta violenta. Proença não mostrou qualquer cartão. Aos 70 minutos, assinalou uma grande penalidade inexistente, já que Yebda não cometeu qualquer falta sobre Lisandro, que se limitou a atirar para a piscina. Conclusão: o penalty que permitiu ao FC Porto restabelecer a igualdade não existiu. Mas o certo é que se o árbitro tivesse agido em conformidade anteriormente, o FC Porto poderia ter chegado aos 26 minutos a ganhar por 1-0 e a jogar contra dez unidades.

Se olharmos para a imprensa e para a generalidade da blogosfera, ficamos convencidos que o FC Porto foi beneficiado, mas analisando os lances capitais da partida com objectividade, vemos que não foi isso que sucedeu. Tem sido desta forma, parcial e tendenciosa, que o FC Porto tem sido tratado nesta temporada. É triste verificar que a comunicação social, que deveria agir com isenção, na procura da informação credível e objectiva, esteja, cada vez mais, a imbecilizar-se e a comportar-se como um verdadeiro adepto. Felizmente deixei de comprar jornais de há uns tempos a esta parte e ligo muito pouco às análises que se vão fazendo nas rádios e televisões. Anda a querer vender-se uma mentira, só porque ela é dita muitas vezes. Quem gostar de ser enganado, que acredite.

Os treinadores não apresentaram qualquer surpresa nos seus onzes. Os sistemas tácticos foram também os esperados. O FC Porto chegou a este jogo na sua máxima força, após ter feito descansar todos os habituais titulares, a meio da semana, em Alvalade. O Benfica não procedeu a tão grande poupança no desafio da Taça da Liga, diante do Guimarães, mas uma potencial maior frescura portista não se fez notar ao longo do encontro.

A primeira meia-hora foi de domínio do FC Porto e só por manifesta falta de eficácia na hora de finalizar, não se adiantou no marcador neste período. Jogando subido e pressionando alto, os pupilos de Jesualdo Ferreira empurraram os encarnados para a sua defensiva. Rodríguez foi dos mais audazes nesta fase inicial e fez várias vezes a cabeça em água ao compatriota Maxi Pereira. Lucho e Lisandro estiveram também muito activos, tanto a construir, como em zonas de finalização. O '8' portista teve mesmo na cabeça a melhor oportunidade da primeira parte, mas atirou por cima quando estava completamente isolado. O perigo rondou a baliza de Moreira em diversas ocasiões, mas os portistas revelaram-se perdulários, como já vem sendo costume nos jogos caseiros.

Apesar desta fase de algum assédio, o Benfica esteve sempre traquilo, concentrado e nunca se desuniu. Manteve sempre o bloco baixo, não permitindo ao adversário dispôr da sua melhor arma atacante - as transições rápidas - e nunca deixou de procurar contra-atacar quando havia possibilidades para isso. Reyes chegou a estar na cara do golo, mas Helton respondeu com uma grande defesa. O FC Porto foi superior na primeira parte, teve mais ocasiões para marcar e exerceu um maior domínio territorial, mas a forma adulta e personalizada como as 'águias' conviveram com essa situação, acabou por ser premiada, mesmo em cima do intervalo, com um belo golo de Yebda, de cabeça, na sequência de um canto executado por Reyes. Sem o justificar, o Benfica saiu para o intervalo em vantagem.

Na segunda parte o FC Porto continuou a ser mais dominador, mas jogou sempre com muito coração e pouca cabeça. Com o Benfica em vantagem e cada vez mais fechado, faltaram os espaços para os portistas aplicarem o seu futebol. O jogo de posse de bola nunca foi um dos pontos fortes deste FC Porto, que vivia de algumas arrancadas de Hulk (bom duelo com Moreira) e pouco mais. Os benfiquistas foram ganhando confiança e estiveram mesmo próximos de aumentar a contagem em alguns ataques rápidos, numa altura em que Aimar ía mostrando algum do perfume do seu futebol.

Di Maria já estava em campo, por troca com o esgotado Suazo. Jesualdo abriu a frente de ataque, colocando Mariano no lugar de Raúl Meireles. O jogo manteve a mesma toada de ataque contínuo e desorganizado do FC Porto, alternado com algumas investidas perigosas do Benfica. O golo do empate azul e branco haveria de surgir a 20 minutos do fim, através de Lucho González, na já descrita grande penalidade, num lance que veio repôr justiça no marcador. Após este golo, o jogo abrandou, parecendo claro que ambas as equipas, a partir de determinada altura, começaram a preocupar-se mais em não sofrer o segundo golo que em tentar chegar à vitória. Até ao apito final de Pedro Proença, poucos motivos de interesse mais há a realçar.

O FC Porto chegou a este clássico como favorito, mas a sua exibição acabou por defraudar as expectativas, tanto mais que a preparação para este jogo foi feita com especial cuidado, implicando mesmo a eliminação quase premeditada da Taça da Liga. Do lado oposto, o Benfica também não foi brilhante, mas a forma personalizada como se exibiu na casa dos tricampeões nacionais, foi uma agradável surpresa, a justificar amplamente o ponto conseguido.

Resultado justo, num clássico que não deixará saudades. Um estádio repleto com 50 110 espectadores merecia mais e melhor. O FC Porto mantém-se na liderança desta Liga Sagres, mas com a certeza de que terá de melhorar substancialmente as suas performances caseiras. A incapacidade que revela em ultrapassar defesas fechadas e bem organizadas, não augura facilidades até ao final do campeonato. O Benfica cumpriu o plano traçado para o jogo e segue na luta pelo título, mas a sua irregularidade exibicional faz-me pensar que a tarefa que se lhe depara é árdua. Aguardemos pelas próximas jornadas.

8 comentários:

Filipe Soares disse...

Mau resultado do Porto, contra uma equipa acessível, numa exibição descolorida, sem ambição nem chama. Se foi para isto que se poupou a equipa em Alvalade, então mais valia ter lutado pela final da Taça do Taberneiro.

Hulk e Lisandro passaram ao lado do jogo. Quer dizer, Lisandro ainda teve tempo de falhar alguns golos, coisa que tem feito desde o início da época. Hulk fez duas jogadas de jeito em 90 minutos. Rodríguez ainda foi dos poucos a tentar remar contra o autocarro vermelho, mas também não teve uma noite muito inspirada. Lucho esteve bem e foi para mim o MVP do jogo, com uma primeira parte a comandar o ritmo de toda a partida. Na segunda baixou um pouco, o que foi normal face à exibição fraca da equipa.

O Porto teve mais oportunidades e fez o suficiente para ganhar traquilamente, mas o Benfica marcou de bola parada sem ter feito rigorosamente nada para isso. Jesualdo teve pouca ambição e voltou a mostrar que não é treinador para o Porto, é medroso, arrisca pouco, mexe mal durante o jogo, é fraco a incentivar os jogadores. Este jogo era de ganhar à vontade.

Tenho lido muitas coisas a dizer que o Benfica fez um grande jogo. Devo ter visto um jogo diferente. Vi o Porto a tentar atacar o tempo todo e o Benfica atrás a defender, atacando pouco e só pela certa. Mas percebe-se que os benfiquistas tivessem ficado radiantes, nos últimos anos têm sido trucidados e sempre derrotados em nossa casa. Quando se está habituado a perder e ser dominado, um jogo mais aceitável é uma alegria, a liga deste ano já foi ganha para o Benfica, não perdeu no Dragão...

Por último, dar as minhas condolências à mouraria chorona. São mesmo ridículos. Um penalty sobre El Comandante não assinalado, Sidnei poupado ao vermelho e dizem que foram roubados. Foram roubados mas foi à nascença, quando lhes retiraram o cérebro e a vergonha na cara. Esta raça havia de ser extreminada de Portugal.

Dar um abraço de conforto ao Rui Bosta e ao LFV dos pneus. Tanto investimento em estrelas mundiais (cadentes) e só com o colinho habitual, que lhes deu o título 04-05 à descarada, é que conseguem estar na luta pelo título. Já quer falaste nos jornais e na CS, eu também já não compro um jornal há mais de 2 anos, são todos uma cambada de filhos da puta, uns doentes por natureza, outros uns vendidos ao centralismo do regime.

Ruben disse...

Foi um roubo, uma vergonha, uma falácia! O Benfica estava traquilo e o Porto não tinha soluções. E eis que surge o Proença, um boi corrupto, a assinalar um penalty patético, numa jogada em que Lisandro simula uma falta de forma descarada. O boi do apito, a dois metros e com uma visão perfeita do lance, resolve adulterar a verdade do jogo e devolver a liderança ao clube assumidamente corrupto, das putas, fruta e café com leitinho.
O futebol português é uma vergonha! Homens que deviam estar atrás das grades há anos, continuam impunes, a ganhar campeonatos à conta destas manobras sujas de bastidores. Até onde vai a falta de vergonha, é o que apetece perguntar.

Paulo Pereira disse...

Descontando a azia do Ruben, aproveitando um espaço de debate para destilar as frustrações de uma vida inteira [meu caro, se a imbecilidade pagasse imposto...], o jogo mostrou várias coisas:

- a ausencia de alternativas credíveis aos titulares do Porto, numa confrangedora mediania/mediocridade que tolhe uma possibilidade de reacção;

- os 3 jogos consecutivos do Porto em casa, empatando e com enormes dificuldades de finalização;

- a macieza com que Fernando tratou Aimar, dando-lhe espaço de sobra para que o argentino pensasse o jogo, a seu bel-prazer;

- um futebol estereotipado, na 2ª parte, sem criar a avalanche de jogo ofensivo esperado;

- a natural estupidez dos jornalistas promíscuos, adulterando a realidade do que se passou no Dragão, no que respeita à arbitragem. Um lance claro de grande penalidade sobre Lucho [esta não te indigna, Ruben?], braqueado com loas ao fair-play do argentino [eu chamo-lhe ingenuidade], permitindo que a lei da vantagem dada por Proença, num lance de penalidade, tenha ficado impune. As constantes impunidades permitidas aos jogadores do Benfica. Foi assim na Luz, quando nos defrontaram, foi assim em Paços, com Maxi e Nuno Gomes a agredirem adversários perante a complacência arbitral, foi assim na noite do Dragão com Sidnei e David Luiz a mimosearem atletas do Porto com entradas violentas.

Um empate justo, deixando tudo em aberto para o título.

Maestro disse...

Amigo Bruno

Copiar o seu proprio post e coloca-lo noutros blogues, parece-me uma atitude pouco adequada a quem tem tão grande dom da palavra .
Não é normal encontrar portistas a escrever como tu.
Isso não quer dizer que concorde contigo.
Acabei de ouvir o Rui Moreira dizer no trio de ataque, em relação a um lance no jogo entre o Sporting e o Braga, que nem todos os contactos dentro da area eram penalti.
O caso do lucho é claramente um desses.
Curiosamente a sua opinião em relação ao lance do lucho não é a mesma como é logico.
Em relação ao lance do Sidney, eu sou totalmente contra a violencia no futebol, mas sinceramente lances destes o bruno alves tem aos montes por jogo, e se levasse sempre vermelhos não acredito que o porto estivesse onde está hoje.

"A arbitragem tem feito parte da agenda quotidiana do futebol português. Todos se queixam, todos se acham prejudicados"

Aqui dou-te 100% de razão, todos se queixam e acham donos da verdade.

Quanto ao jogo propriamente dito, concordo que o empate é o resultado mais justo na medida em que nenhuma equipa foi superior á outra, embora a exibição do Benfica me pareça melhor.
Talvez mais organizada.
Houve mais espirito de equipa.

" Anda a querer vender-se uma mentira, só porque ela é dita muitas vezes"

Escreveste isto em relação á imprensa, mas depois das declarações dos responsaveis portistas, esta semana, ler isto só me deu vontade de rir.

Jesualdo teve a lata de afirmar que em relação ao jogo de alvalade o porto tinha cumprido os objectivos, o jose gomes criticou bastante o arbitro desse jogo, quando a verdade foi que levaram banho de bola.
Foi uma equipa de 11 suplentes e 6 juniores, mas era a camisola do porto que estava a ser vestida, e se ha alguem a vender uma mentira esse alguem foi mesmo o juju.

Ate porque me parece obvio que esta foi uma decisão politica e não desportiva, portanto tomada pelo grande e unico pinto da costa, nunca pelo jujuzinho que não tem arcaboiço para tal.

Ainda em relação á taça da liga, não me parece que seja atitude de "clube grande", embora reconheça que o Benfica está muito mais sedento de trofeus que o porto, e por isso a atitude é seguramente outra.

Conheci este blog pouco depois do Benfica-porto no inicio desta epoca, não me lembro se comentei o post mas acho que não, mas lembro-me que criticaste bastante a condição fisica dos jogadores do Benfica, neste jogo aconteceu precisamente o contrario, o raul meireles não aguenta com uma gata pelo rabo, o lucho acabou o jogo esgotado, sem me querer estar a repetir lembro que o porto descansou toda a equipa a meio da semana, o Benfica não o fez e o unico jogador que mostrou problemas fisicos foi o Suazo que vinha de lesão.
Porventura esqueceste-te de referir este facto no teu post.

Como as coisas mudaram...

Amigo Bruno, sempre que apareceres no meu blog seras benvindo e bem tratado.

Um abraço e saudações

gerson disse...

de repente essa "pegação de pé" da imprensa com o Porto seja pq muitos queiram ver o Benfica de novo no topo, pra equilibrar um pouco a disputa em Portugal.
E o Benfica está com uma boa dupla de área.
Abraço!

Anónimo disse...

Bruno Pinto, és das maiores anedotas da blogosfera.

És muito de rodriguinhos, de floreados, mas não dizes nada de jeito. E isso vê-se quando debates com alguém que percebe minimamente o futebol.

De facto, esta tua ideia de espalhar esta análise por uma série de blogues (como se de uma grande coisa se tratasse) tem tanto de incrível como de ridiculo!

Antonio B Duarte Jr disse...

Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver meu Curso de Informática à Distância. Antonio B Duarte Jr.

planetaportugal disse...

Caros Amigos

Com o crescimento, que temos tido nos últimos meses no FC Porto PlanetaPortugal torna-se necessário fazer um reforço significativo da nossa equipa de Moderadores.

Assim abrimos a partir de hoje um concurso para Moderadores para o FC Porto PlanetaPortugal.

Requisitos:

* Ser Portista
* Bom senso
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Preferência:

* Mais que 16 anos
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Responsabilidade:

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Vamos adicionar à equipa 5 Moderadores.

Para se candidatar a Moderador do FC Porto PlanetaPortugal deverá registar-se e enviar uma mensagem para o Moderador dizendo a sua idade e disponibilidade.

Mais uma vez agradecemos o apoio que todos os nossos Companheiros de tantos Blogues do FC Porto nos têm dado.