segunda-feira, 23 de abril de 2007

FC PORTO A SOMAR


FC PORTO - BELENENSES 3 - 1
1ª Liga Portuguesa 2006-07
22 de Abril de 2007
Estádio do Dragão (Porto)
Árbitro: João Vilas Boas (Braga)
FC Porto: Helton; Bosingwa, Ricardo Costa, Bruno Alves, Fucile; Raúl Meireles (João Paulo 89'), Lucho González, Jorginho (Anderson 57'); Postiga (Lisandro 63'), Adriano, Quaresma. Tr: Jesualdo Ferreira
Belenenses: Marco (Costinha 58'); Gaspar, Rolando, Nivaldo, Rodrigo Alvim; Ruben Amorim (Fernando 25'), Sandro Gaúcho, José Pedro; Cândido Costa (Carlitos 46'), Dady, Silas. Tr: Jorge Jesus
Ao intervalo: 2 - 0
Marcadores: 1 - 0 Adriano 9', 2 - 0 Lucho González 45' gp, 2 - 1 Nivaldo 49', 3 - 1 Bruno Alves 85'
CA: Cândido Costa 27', Marco 45', Rolando 66'


Foi uma bela tarde/noite de futebol no Dragão. Com uma excelente assistência e um ambiente a condizer, o FC Porto tratou de não vacilar e pareceu querer dizer à concorrência pelo título que não vai ser fácil roubar-lhe a vantagem conquistada. O Belenenses, acabado de se qualificar para a final da Taça e em momento psicológico favorável, não foi capaz de contrariar o maior poderio portista e perdeu bem. Ainda assim, contribuiu para que se tivesse assistido a um bom espectáculo e é destes jogos que o futebol português precisa.

Os treinadores apresentaram as equipas iniciais sem qualquer surpresa, dando seguimento às suas apostas mais recentes. Mal o apito soou, percebeu-se que o FC Porto estava fortemente decidido a resolver as coisas cedo. Instalado no meio-campo belenense, fez circular a bola com rapidez e procurou chegar à baliza de Marco no menor tempo possível. Com Jorginho em bom plano durante toda a primeira parte e o trio da frente em constante movimento, os homens de Belém revelaram desacerto nas marcações e no pressing e não foram capazes de suster este ímpeto inicial azul e branco.

Os primeiros 20 minutos foram então de intenso domínio portista e o perigo surgia de todo o lado. O golo de Adriano - excelente jogo do brasileiro - na recarga a um primeiro remate de Postiga, logo aos 9 minutos, surgiu com naturalidade e provou mais uma vez que a capacidade matadora do brasileiro dentro da área é uma das mais-valias da equipa nesta fase da época. Apesar do lapso de Marco ao largar a bola para a frente, é de salientar a forma como Adriano finaliza o lance, com um toque subtil sobre o desafortunado guardião do Restelo. Adriano voltou a estar logo a seguir muito perto de aumentar o marcador, mas o seu remate de cabeça saiu sobre a barra.

A vencer, os portistas foram baixando o ritmo e tornaram-se menos ameaçadores, mas a verdade é que Helton se manteve um mero espectador durante toda a primeira metade. Quaresma não realizou das suas exibições mais felizes mas teve, mesmo assim, chance de experimentar o seu habitual pontapé de trivela, ao que Marco respondeu com uma vistosa defesa. Sobre o intervalo, Adriano foge à marcação e, isolado, tenta driblar o guarda-redes, que o derruba de forma a não deixar dúvidas ao árbitro de apitar para castigo máximo. Lucho González não desperdiçou a oportunidade e dilatou a diferença para dois golos.

Face ao decepcionante desempenho dos seus jogadores nos primeiros 45 minutos, Jorge Jesus procedeu a uma alteração, fazendo entrar Carlitos para o lugar de Cândido Costa. E o certo é que o Belenenses surgiu na segunda parte com outra atitude, mais positiva, mais agressiva, com mais vontade de ter a bola e chegar junto da área contrária.

Após um período de algum adormecimento de ambas as partes e já depois de Costinha ter entrado para o lugar de Marco - saiu magoado na sequência de um choque violento com Postiga -, o Belenenses reduziu o 'score' para a diferença mínima. Canto da direita, e Nivaldo, incompreensivelmente solto, a bater Helton com um belo cabeceamento.

O FC Porto continuou em toada de gestão do resultado, algo que podia ter-lhe saído caro, se Fernando tivesse aproveitado uma clamorosa oportunidade para empatar quando, após passe errado de Lucho, surgiu isolado a rematar a centímetros do poste. Espicaçados ou não por este susto, os azuis e brancos voltaram a elevar a intensidade com Bosingwa a ser o principal impulsionador das mudanças de velocidade. Nesta fase, duas jogadas tiradas a papel químico: um par de arrancadas do lateral pela direita, cruzamentos a preceito e Adriano a acertar na trave por duas ocasiões. Quaresma e o regressado Lisandro dispuseram igualmente de boas hipóteses para facturarem mas Costinha opôs-se com categoria.

Os 'dragões' voltavam a estar por cima no jogo, mas com a diferença tangencial a tranquilidade não era ainda absoluta, até porque o quarto lugar do Belenenses não era seguramente obra do acaso. Nova subida de Nivaldo à área, um potente disparo de José Pedro ou uma qualquer invenção de Silas e poderia acontecer o balde de água fria na Invicta. Mas Bruno Alves encarregou-se de aquecer novamente os ânimos com uma magnífica cabeçada bem lá no alto, a culminar um canto bem executado por Quaresma.

Estava feito o resultado final e com ele uma certeza: Bruno Alves está-se a fazer um senhor jogador e já pisca o olho à Selecção Nacional. Do mesmo modo que o critiquei na época passada face a desempenhos, por vezes, desastrosos, também agora não me custa nada elogiá-lo, em virtude das continuadas exibições de grande nível nesta temporada.

Pode dizer-se que o Belenenses não apareceu no Dragão tão forte como, possivelmente, seria de esperar, mas é comum uma equipa jogar aquilo que a outra permite. Apesar da boa entrada na etapa complementar e de ter estado perto do empate na tal perdida de Fernando, o Belenenses foi, no cômputo geral, muitíssimo inferior aos homens da casa, bastando para o confirmar verificar as estatísticas da partida.

O árbitro esteve bem e no lance mais polémico decidiu correctamente, como aliás teria de ser face à evidência da falta que originou a grande penalidade.

O FC Porto passou mais um duro teste com distinção e caminha a passos largos para a reconquista do ceptro máximo português. Segue-se o Boavista no Estádio do Bessa...

1 comentário:

Pedro Barata disse...

Só uma hecatombe impedirá o Porto de ser campeão. Para o campeonato seria bom que o Porto perdesse no Bessa e não se registasse um empate no derby lisboeta, pois traria um pouco mais de emoção à Liga. Mas mesmo com estas premissas, não creio que o Porto deixasse escapar o título.